ITÁLIA | Greve nas maiores siderúrgicas da Europa

Pelo: correspondente Lukas Vergara. Traduzido por: Pablo Andrada

Em 09 de junho passado, após a exitosa greve de 24 horas na siderúrgica ArcelorMittal (antiga ILVA) das cidades de Taranto e Gênova, o maior Conselho da Siderúrgica da Europa decidiu romper as relações industriais com a gestão da empresa líder em aço e mineração. Sem sombra de dúvida, foi um sucesso a paralisação organizada pelas três centrais sindicais italianas mais representativas do setor siderúrgico, o FIOM-CGIL (Federação de Operários e Trabalhadores Metalúrgicos e a maior confederação sindical), UILM-UIL (Sindicato Italiano de Metalúrgicos) e a FIM-CISL (Federação Italiana de Metalurgia). A greve da ArcelorMittal foi total, incluída a adesão de uma sigla menos representativa, a USB (União Sindical de Base), que estava prestes a encerrar sua greve de 48 horas naquele momento.

O sinal dos trabalhadores foi enviado ao governo italiano: é preciso tirar o patrão e sua direção multinacional e recuperar o local estratégico, como é o caso do siderúrgico, prévia reforma eco-sustentável dos altos-fornos de produção. O plano industrial da patronal franco-hindu é muito simples: “ei, governo italiano, passe o dinheiro para cá e resista 4600 demissões, e então vou investir para reformar a fábrica”. Na realidade, a chantagem da ArcelorMittal vem ocorrendo há pelo menos dois anos e hoje se coloca na mesma orientação dada pelo dono anterior, o italiano Riva, que busca socializar o custo das demissões e a falsa promessa de adequar o impacto ambiental da siderúrgica, permitindo de fato, a aumento da taxa de lucro até quando possível.

Em 2018, a Mittal prometeu resolver os problemas ecológicos que tempo atrás levaram a uma paralisação judicial da empresa, medida exigida pelo Ministério Público de Taranto, devido às altas concentrações de emissões industriais, que determinaram um aumento de casos de câncer nessa cidade. O plano da Mittal era suspender os quase 2 mil trabalhadores com seus salários reduzidos sendo pago pelo Estado italiano e logo após, convocá-los novamente a trabalhar, após a conclusão da obra de conversão ecológica. Hoje, depois que o trabalho de conversão nunca aconteceu e que os trabalhadores suspensos foram demitidos, a empresa Mittal é tão descarada que pede mais uma vez ajuda do Estado para as supostas obras. Além disso, pretende usar as leis oriundas na crise do Covid-19 para suspender ou demitir 4.600 trabalhadores a mais.

O problema não é a nacionalidade da patronal, mas quem é o sujeito que gerencia e controla os meios de produção. Durante a greve, algumas bandeiras do sindicato foram cortadas por trabalhadores para demonstrar às burocracias sindicais que nem sempre se mantiveram à par das condições dos trabalhadores e que a linha sindical em vez de ser combativa foi muito defensiva, por exemplo, aceitando as suspensões. Hoje, nem mesmo as burocracias sindicais mais colaboracionistas da CISL (Confederação Italiana de Sindicatos de Trabalhadores) e UIL (União Italiana dos Trabalhadores e segunda maior confederação), podem negar a luta e a raiva dos operários, que se materializaram no slogan que os próprios dirigentes sindicais tiveram que levantar: “Nacionalização da siderúrgica!”

Como marxistas revolucionários, expressando nosso apoio às lutas das operárias e operários siderúrgicos, consideramos necessário completar o slogan “Nacionalização da siderúrgica sob controle e gestão operária”. Conscientes de que a salvação deste importante local de trabalho não passa pelas salas da magistratura nem dos dirigentes do Ministério do Desenvolvimento Econômico. São duas fases da mesma moeda burguesa, cujos esforços serão direcionados para encontrar uma nova patronal, assim como foi feito pelo governo italiano com a família Riva, ex-dono da empresa e como já está tentando fazer agora, negociando com a Mittal sem ter chamado previamente os sindicatos. A real salvação passa pela tomada de consciência e luta dos trabalhadores, para entender que podem ser os donos legítimos dos meios de produção nos quais trabalham todos os dias.

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