São Paulo | Vamos com Sâmia e pela Frente de Esquerda Socialista

Nota da CST São Paulo


Nos dias 18 e 19 de julho serão realizadas as prévias para definir a candidatura do PSOL à prefeitura de São Paulo. Momento fundamental para debatermos qual a saída que a esquerda socialista deve apresentar na maior cidade do país, que é também a líder no número de contaminados e de mortos pelo covid-19.

No início da pandemia, o prefeito Bruno Covas e o governador João Dória fizeram discursos  críticos a postura negacionista de Bolsonaro, mas hoje na prática atuam com a mesma política, a quarentena extremamente parcial e insuficiente que primou nos últimos meses agora está sendo flexibilizada, no momento em que o número de contaminações e mortes pelo covid-19 estão com os índices mais altos. Covas, Dória e Bolsonaro estão unificados em priorizar o lucro dos grandes e alheios a vida dos de baixo.

O povo pobre e os trabalhadores começaram sua reação. Temos visto passeatas do movimento negro, das torcidas organizadas e dos moradores da periferia, como os protestos de Paraisópolis. Combinado a isso vimos a paralisação dos entregadores de aplicativos no dia 1/7 estimulando desde São Paulo um breque nacional dos apps e no dia 14/07 um movimento de protesto do Sindmotos. Esses setores estão em luta em defesa da vida, dos direitos, por quarentena geral, contra o racismo, a violência policial e a extrema direita. Os trabalhadores também lutam como podem com atos nos hospitais, nas escolas e com manifestações e paralisações em algumas empresas.

A unidade de ação para defender a vida, por “Fora Bolsonaro e Mourão”, contra a violência policial e por quarentena geral é fundamental, mas nada tem a ver com a proposta de frente ampla eleitoral em que setores do PSOL estão apostando. E infelizmente nem mesmo ações unitárias estamos vendo da parte desses partidos e das lideranças da oposição. Faz muita falta que as principais organizações da classe trabalhadora e dos movimentos sociais estejam engajadas em fortalecer os processos de luta.

A CUT, CTB e UNE e partidos de oposição como PT, PDT, PSB e PCdoB infelizmente não estão em sintonia com as manifestações, que é a forma que devemos apostar para defender a quarentena geral, o fim do racismo e da violência policial e derrubar Bolsonaro e Mourão. Infelizmente temos visto que esses setores não apostam nas lutas, não estiveram nas manifestações de rua. Nas categorias onde atuam fazem de tudo para evitar o necessário enfrentamento, ajudando os governos e patrões na retirada de direitos, como recentemente fizeram nos metroviários. O grande objetivo deles é acalmar os ânimos e canalizar a indignação atual para articulações institucionais com a oposição burguesa e para as urnas.

O PSOL poderia cumprir um papel fundamental, mas segue cedendo às pressões desses setores, o eixo do partido é uma estratégia de frente ampla com partidos como PT, PCdoB, PSB e PDT, baseado em negociações e acordos no terreno institucional e fora das ruas. Mesmo em locais como São Paulo onde existem dificuldades impostas pelos outros partidos em concretizar a frente ampla eleitoral, como a candidatura própria do PT, os principais setores da direção do PSOL atuam com uma política de parceria e boa vizinhança com esses partidos, bloqueando o caminho para que o PSOL se apresente de fato como uma nova alternativa política em São Paulo. Não se trata, portanto de uma disputa de nomes, mas sim de qual o melhor caminho em São Paulo.

A esquerda anticapitalista deve manter sua independência, isso é impossível em conjunto com os inimigos de classe ou com aqueles que praticam conciliação de classe e estão retirando direitos e reprimindo as lutas onde governam, como fez governador Camilo Santana (PT-CE) contra os manifestantes antifascistas e antirracistas. Mesmo na capital paulista, o PT e o PCdoB atuam para atrapalhar o caminho da luta contra Dória e seus ataques.

Em São Paulo, onde as eleições municipais têm importância nacional é fundamental que possamos apresentar uma verdadeira alternativa de esquerda, utilizando nossa candidatura para fortalecer as lutas e apresentar nosso projeto alternativo, mantendo distância do projeto dos petista, que onde governam fazem o jogo dos grandes empresários, flexibilizando a quarentena  e retirando direitos.

Para isso entendemos que é urgente que o PSOL faça um chamado aos outros partidos do nosso campo de classe, PSTU, PCB e UP e construam uma verdadeira frente de esquerda socialista em São Paulo. Para essa tarefa e como candidata a prefeita defendemos o nome de Sâmia Bomfim, por estar defendendo essa plataforma em sua pré-campanha e ter o potencial de construir uma alternativa de luta e radical na capital paulista. Por uma candidatura dos que nunca governaram, para fortalecer a luta contra Bolsonaro, Dória, Covas e a extrema direita. O PSOL precisa ser coerente com sua história e por isso na capital paulista vamos com Sâmia.

CST São Paulo

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