Por uma frente de esquerda e socialista em Belém

O Pará ocupa o 5° lugar em número de mortes por Covid19 no Brasil com mais de 5 mil ítimas fatais. Na capital os novos casos aumentaram 25% nessa primeira semana de Julho.
No entanto o governo do estado de Helder Barbalho e as prefeituras seguem com um processo irresponsável de reabertura que em pouco difere da política negacionista de Bolsonaro. Isso acontece porque o compromisso fundamental de Helder, Zenaldo e demais prefeituras é com os grandes empresários e seus lucros e querem descarregar o peso da crise nas costas dos trabalhadores mais uma vez, como fez o governador com a Reforma da Previdência em 2019, contando para isso com os votos do PT. Por isso num momento em que todos necessitavam de quarentena geral, eles fazem com que sigamos trabalhando expostos à Covid19 e ainda retiram direitos.
Com Zenaldo Coutinho e Helder Barbalho assistimos o colapso da saúde na capital com pessoas morrendo por falta de vagas, UPAs fechando, hospitais de campanha inaugurados sem estrutura, erro na compra de respiradores e precarização extrema do trabalho dos profissionais de saúde. Somente no Pará perdemos 40 médicos/as e pelo menos 10 enfermeiras/os ( Dados: Sindmepa e Cofen).
Desde o inicio da pandemia o governo não entregou os respiradores e leitos prometidos, o que desdobrou na investigação de superfaturamento pela operação Para Bellum em que a Policia federal chegou a apreender 750 mil reais na casa de Peter Cassol, um dos secretários-adjuntos da SESPA.

Batalhar para retomar as lutas e enfrentar nas ruas e nas urnas o bolsonarismo, os tucanos e os Barbalhos

É nesse cenário que ocorrem atos e manifestações de alguns setores, processo que deve ser nosso eixo de atuação. E mais adiante vão ocorrer as eleições municipais. Assim é fundamental apresentar um programa com perfil de oposição real a Bolsonaro e sua política de morte. O Bolsonarismo, com Eder Mauro, tentará surfar na pauta anticorrupção e da segurança, dois problemas reais dos quais a extrema-direita se utiliza para obter votos e poder aplicar seu programa igualmente corrupto e miliciano, como vemos nos escândalos nacionais envolvendo a família Bolsonaro. O tucanato usará de todo o aparato de dinheiro e cargos comissionados para se manter à frente da prefeitura. Ao mesmo tempo, devemos enfrentar Helder Barbalho e seu governo que flexibiliza a quarentena, reprime a juventude e aplica um pesado ajuste sobre os trabalhadores.

PT, PCdoB, PDT e REDE não são do nosso arco de aliança.

Colocada essas duas necessidades, não é possível por exemplo fechar chapa com partidos que compõe o governo Barbalho como o PCdoB e o PT, cujos deputados estaduais votaram a favor da Reforma da Previdência no estado. Outra prova do total comprometimento desses partidos com o projeto do MDB foi o completo silêncio a cerca da repressão desproporcional da PM contra o ato do dia 07/07 em que mais de cem jovens foram detidos. Esses setores querem surfar no espaço do PSOL com Edmilson, mas não têm acordos conosco, foram eles com Lula e Dilma que implantaram Belo Monte, foram esses os partidos que governaram com Ana Júlia retirando direitos, deixando escolas sucateadas e reprimindo as lutas.
Também é preciso insistir mais uma vez que o REDE, PV e PDT do ruralista Giovane Queiroz não são alternativa. Tratam-se de partidos que se movem por oportunismo ora compondo com a direita, ora com a esquerda, de acordo com o que lhes for mais conveniente em vantagens e cargos. Em 2018, PDT estavam na chapa de Marcio Miranda paro o governo do estado, compondo com o DEM e o tucanato. Compor uma prefeitura com estes partidos resultará em todo tipo de pressão à direita.
Além do mais, todos os partidos acima citados agora são parte da política de flexibilização da quarentena aqui e nos estados e municípios onde governam, como o PT no Ceará ou a Rede em Macapá, capital que também viveu dias de colapso do sistema de saúde durante a pandemia.
Infelizmente é essa posição que vem sendo publicizada, antes de qualquer decisão no diretório do partido, pelo deputado Edmilson Rodrigues e a direção do PSOL em relação às eleições: um amplo arco de alianças com esses setores, sob o argumento de que essa é a única forma de derrotar os tucanos. Para nós impossível é conseguir governar junto com partidos que, no Pará, estão comprometidos até a alma com um projeto de direita, repressor. Isso sim pode nos derrotar não só nas eleições mas no projeto político ao longo de quatro anos.
Por isso da mesma forma que o deputado Edmilson Rodrigues tem respondido publicamente agradecendo aos apoios destes partidos, nós da CST declaramos desde já nosso voto contrário à aliança.

Frente de esquerda com PCB, UP, PSTU e movimentos sociais

Queremos derrotar o tucanato e a extrema direita e acreditamos que para isso é fundamental uma Frente de Esquerda nas eleições municipais em Belém. É uma tarefa necessária para mostrar aos trabalhadores e trabalhadoras, à juventude, às mulheres e ao povo negro e pobre que o PSOL e a esquerda tem um programa alternativo à flexibilização irresponsável da quarentena, à precarização do SUS, ao desemprego e à destruição de direitos e dos salários e acordos coletivos da classe trabalhadora. Essa Frente passa pelo chamado ao PSTU, PCB, UP e aos movimentos sociais do campo e da cidade para que venham dar a batalha conosco para derrotar nas ruas e nas urnas o projeto de morte e ajuste dos partidos que sempre governaram.
É necessário construir um polo alternativo para lutar por essa Frente de Esquerda: As correntes mais a esquerda do PSOL, os aguerridos profissionais de saúde que amargam anos de descaso dos barbalhos e do tucanato com o SUS , a juventude negra e periférica do partido que sabe qual é a política morte que aplica nas baixadas a toda a base ativista do PSOL. Fazemos esse chamado aos companheiros/as do MES, APS-NE e LS, por uma candidatura a serviço da classe trabalhadora, sem PT e PCdoB. Esperamos dos companheiros do MES, com quem batalhamos pela realização de prévias na cidade de São Paulo que agora disputamos com a pré-candidatura de Sâmia Bonfim à prefeitura, queremos batalhar aqui também e impedir que se repita em Belém a composição do Rio de Janeiro ou a problemática carta assinada pelo PSOL de Santarém. Também a APS, cujos companheiros dirigem o sindicato de professores e sabem que tucanato e os barbalhos se unificam para atacar a educação e o funcionalismo público e cujo mandato do Fernando Carneiro tem sido uma importante voz de oposição à prefeitura e ao governo estado.
Para construir uma frente é necessário UM PROGRAMA E PRINCIPIOS distinto de diversos partidos que se dizem oposição ao Bolsonaro, mas cujo discurso para as redes sociais não se sustenta quando vamos avaliar a realidade.
Somos a favor da mais ampla unidade nas ruas para derrotar Bolsonaro, o ajuste e seu projeto autoritário, ainda que esses partidos não estão de verdade organizando um processo real de enfrentamento ao governo por meio de passeatas e greves. Mas nenhuma unidade de ação significa que no plano eleitoral tenhamos acordos estratégicos com o PT e os demais partidos propostos por setores do PSOL. Queremos disputar as eleições com quem sempre esteve em unidade sincera e honesta com os trabalhadores e o povo, com a juventude. É por isso que nessa Frente que estamos propondo não cabe aqueles que governam para a burguesia, enquanto fazem discurso à esquerda em alguns momentos.

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