Os ministros entram e saem: O projeto fica

Depois da queda de Abraham Weintraub no MEC, seguida de uma fuga aos Estados Unidos do ex-ministro que é julgado no inquérito das Fake News no STF, o Ministério segue sem um titular. Bolsonaro tentou duas vezes, sem sucesso, emplacar novos chefes para a pasta da educação. Carlos Alberto Decotelli caiu antes mesmo de ser nomeado, ao ter seu currículo desmontado com a exposição de possíveis plágios em seus trabalhos acadêmicos e revelações de que o militar não tem títulos que constam em sua página do Lattes. O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, foi a segunda tentativa de Bolsonaro. Não chegou a assumir, houve resistência a seu nome em parte do governo, em especial o setor fundamentalista e “olavista”. Interlocutores do governo e o próprio presidente agora citam o deputado Major Vitor Hugo (PSL), fiel defensor de Bolsonaro, como uma alternativa.

Decotelli, Feder e Vitor Hugo tem algo em comum: Os três, ao assumir o MEC, representariam a continuidade do projeto de Weintraub. Feder chegou a defender o fim do Ministério da Educação e a privatização total do ensino. Algo bastante parecido com a proposta elaborada na gestão Weintraub para as universidades públicas, por exemplo, com o projeto “Future-se”, que já está em discussão no congresso nacional e visa entregar o financiamento e a gestão das Instituições Federais de Ensino ao mercado financeiro e aos grandes empresários da educação.

A queda de Weintraub foi comemorada pelos estudantes de todo o país, com razão. Porém, a luta deve continuar. Não adianta trocar só o ministro pois a discussão aqui não é individual, apenas sobre nomes. Ao contrário do que a maior parte da mídia tradicional propagou, dizendo que Feder seria um “bom gestor” ou um nome “técnico”, afirmamos que não existe qualquer possibilidade de ser indicado um ministro que de fato cumpra um papel positivo para a educação pública dentro desse governo. O problema de fundo é o projeto do governo Bolsonaro, de destruição, precarização e privatização do ensino. É necessário, portanto, derrotar todo esse projeto e colocar para fora Bolsonaro e Mourão.

Até porque, mesmo sem ministro, os ataques continuam. Nacionalmente o governo segue pressionando para que as reitorias apliquem o EAD/Ensino Remoto nas universidades públicas. Isso não é uma política isolada, na verdade é uma medida que está a serviço de preparar o terreno para o future-se, acabando com a função social da universidade e demolindo o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão. De verdade, não há nenhuma preocupação com os estudantes. Tanto que a generalização do EAD não vem acompanhada de qualquer preocupação com a assistência estudantil, em um momento brutal da pandemia e de crise econômica no país.

Infelizmente, diversas reitorias cedem a essa pressão. E contam com a ajuda da direção da UNE na tarefa de implementação das aulas online. É nefasto o papel que o campo majoritário da UNE vem cumprindo ao não convocar qualquer luta,  deixando o governo Bolsonaro passar seu projeto.

Nossa saída é a luta! Fazer como os entregadores de apps para defender a educação!

No dia primeiro de julho, os trabalhadores de entrega por APPs deram uma verdadeira aula sobre como se defende os direitos. Com uma forte greve nacional, brecaram tudo. Nós da juventude Vamos à Luta estivemos nos atos, apoiando a mobilização, chamando a unidade dos estudantes com os trabalhadores.

Dizemos que a luta dos trabalhadores é um exemplo porque mostra que é possível ter mobilizações de rua, mesmo durante a pandemia. Não são tuitaços que vão garantir uma vitória dos estudantes, mas sim a continuidade das mobilizações como as marchas antifascistas e anti-racistas que tomaram as principais avenidas das grande cidades do Brasil.

Nesse sentido, é necessário que a UNE saia da paralisia e convoque para já mobilizações, contra o Ensino Remoto e por renda emergencial, em defesa da vida e por uma quarentena sem fome, assim como em defesa da educação pública. É urgente enterrar de vez o projeto bolsonarista, de censura às pesquisas e estrangulamento financeiro. Afinal, existe dinheiro sim para fortalecer as universidades e as pesquisas científicas. Em meio à crise sanitária da COVID-19, as universidades mostram seu fundamental papel. Imagine o que seria possível fazer se não houvesse corte de verbas. Por isso, é necessário suspender o pagamento da dívida pública, que drena 3 bilhões de reais por dia do orçamento, combinado com uma profunda taxação das grandes fortunas. Daí que tem que sair o dinheiro para fortalecer a educação!

Para derrotar o conjunto dos ataques de Bolsonaro à educação, precisamos no mobilizar. Começa construindo fortes manifestações na jornada de lutas convocada para o dia 10, 11 e 12. E dando continuidade, unificando as pautas para massificar na luta contra o governo. É fundamental, nesse cenário em que a direção majoritária da UNE se nega a construir lutas, que o campo da oposição de esquerda atue de forma coordenada, apontando como saída ocupar as ruas.

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