Continuar a luta: Por uma efetiva jornada nacional em defesa da vida, emprego e salário

 

No marco dos mais de 100 mil mortos pela Covid 19 resultado da política genocida de Bolsonaro e governadores. De ataques aos direitos, salários e empregos e das greves dos metroviários-SP e dos metalúrgicos da Renault-PR, aconteceu o dia nacional de lutas convocado pelas centrais sindicais e as frentes Brasil popular e Povo sem medo.

O que foi organizado e construído ocorreu, mostrando que as bases possuem disposição de luta para se defender. Aconteceram atos simbólicos e ações em algumas fábricas no ABC, São José dos Campos e nas capitais. É necessário lutar de forma unificada para barrar ataques como as propostas de redução de benefícios e congelamento salarial apresentada pela direção dos Correios e Petrobras.

A cúpula das centrais esteve na retaguarda da luta

Nos atos do dia 07/08 as centrais sindicais como a CUT, a CTB e Força poderiam ter sido mais ofensivas contra o governo Bolsonaro e a política de governadores e prefeitos de reabertura das escolas, de denúncia à política ambiental, de retirada de direitos e da corrupção na saúde. Era importante que as centrais sindicais de conjunto cumprissem a correta orientação de paralisar por 100 minutos nos locais de trabalho, pois isso não ocorreu de fato, o que coloca uma limitação na política para derrubar Bolsonaro e o seu projeto de morte e retirada de direitos.

Por exemplo, nos Correios, uma categoria com 100 mil trabalhadores e uma greve marcada para o dia 17 de agosto, as duas federações pouco fizeram para fortalecer esse dia o que seria importante até para preparar a própria greve.

Essa desconexão com os setores que estão lutando ou importantes da classe trabalhadora enfraquece qualquer data nacional de luta. Isso só demonstra que não é política da cúpula das principais centrais (CUT, CTB, Força sindical) construir de forma consequente um verdadeiro dia pelo Fora Bolsonaro e contra a retirada de direitos.

Em cada categoria, sindicato e federação devemos seguir insistindo e exigindo que as centrais construam efetivamente os calendários que eles mesmos anunciam: é preciso ir das palavras para as ações!

O papel da CSP Conlutas

Diante dessa situação a nossa central, a CSP-Conlutas, construiu importantes atividades onde se propôs. Como nos metalúrgicos de São Jose dos Campos, Minas Gerais e setores dos Correios, Educação, Saúde e Petroleiros.

Como parte da CSP Conlutas a corrente sindical Combate também se fez presentes nas atividades fortalecendo ações nesse dia. Achamos correta a ação da central de mobilizar para o dia 7. Mas é importante destacar que nossa central deve exigir um plano concreto de continuidade das mobilizações, pois unidade de ação deve ser concreta e só tem sentido se for para mobilizar a classe e não para dispersar as atividades em ações simbólicas para as centrais dizerem que estão lutando contra o governo Bolsonaro. Por exemplo, nos correios, a política de “unidade” das federações só tem significado o adiamento da luta da categoria sem que a FINDECT-CTB concretize o indicativo de greve. Unidade na luta, desde já, urgentemente!

Os corruptos querem retirar direitos para manter os seus privilégios

Os setores que hoje retiram direitos e atacam a classe são os mesmos que estão envolvidos em grandes esquemas de corrupção. A prisão de Alexandre Baldy, Secretário de transporte de São Paulo que estava na linha de frente no ataque ao ACT dos metroviários e que essa semana foi preso por roubar dinheiro da saúde, simboliza bem esses setores. Eles roubam dinheiro da saúde, retiram os nossos direitos e atacam os trabalhadores tudo para manter o seu alto padrão de vida, enquanto a ampla maioria da população está na miséria, desempregada e sem acesso a saúde. Por isso não devemos ter dúvida em rejeitar a redução ou congelamento salarial e a retirada de direitos, pois quem sempre propõe isso está querendo manter sua riqueza à custa das conquistas da classe trabalhadora e do roubo do dinheiro público. Defendemos prisão para todos os políticos e empresários corruptos, o confisco dos bens e a expropriação das empresas mafiosas.

É necessário que se instale uma comissão independente formada por sindicatos, entidades dos movimentos sociais e estudantis, organismo dos DH para investigar todos os corruptos, exigir julgamento e condenação de todos os culpados, doa a quem doer.

As centrais devem convocar uma jornada de lutas no país

Governos e empresários querem continuar retirando diretos e arrochando salários, enquanto enchem os bolsos dos bancos pagando bilionários juros da dívida pública. Por conta disso, e pelo número crescente de mortos e ataques aos direitos, é fundamental continuar o processo de luta no país. Começando por conectar com os setores que estão em campanha salarial e em luta contra a retirada de direitos como Correios, Petroleiros, Bancários, educação e metalúrgicos. Um verdadeiro dia de luta não tem como ser deslocado desses setores.

Os metroviários de São Paulo e os metalúrgicos da Renault no Paraná mostraram o caminho. Suas greves conseguiram derrotar a política de fome dos governos e patrões. As centrais sindicais (CUT, CTB, Força, UGT) devem seguir esses exemplos e convocar uma jornada de lutas no país construída junto à classe trabalhadora e as suas representações através de plenárias unitárias, assembleias nos locais de trabalho e reuniões de delegados sindicais. Devem também unificar as campanhas salariais de correios, petroleiros e bancários, e coordenar as lutas e greves parciais da educação pela vida.

Somente através de greves e paralisações poderemos garantir a suspensão do pagamento da dívida pública para investir em salário, empregos, direitos, arrancar uma quarentena geral de verdade com estabilidade e renda, colocar os corruptos na cadeia e derrubar Bolsonaro e Mourão.

 

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