As táticas de Trotsky para construir partidos revolucionários valem para todos

Por: Gabriel Schwerdt
Tradução: Lucas Schlabendorff


Entre os debates que foram colocados na conferência virtual latino-americana e dos EUA da FIT-U, correntes como o PO, da Argentina, e a Fração Trotskista, corrente internacional à qual pertence o PTS argentino, afirmaram que é um erro a participação das seções da UIT-QI, Uníos do Peru, na Frente Ampla (FA) e a CST do Brasil, no PSOL. Nos acusaram de contribuir com uma política de conciliação de classes. Vários dirigentes da UIT-QI interviram explicando nosso ponto de vista.

Primeira e principalmente, reiteramos que tanto Uníos como a CST não se disciplinam à política e nem ao que fazem as direções majoritárias, tanto da Frente Ampla do Peru, como do PSOL do Brasil. Isso é central, porque tentam dar a entender que as seções da UIT-QI dizem e fazem o que ordenam as direções majoritárias da FA e do PSOL.

O companheiro Nicolás Núñez afirmou justamente isso em sua intervenção na plenária: “Uníos é uma organização independente dentro da FA, que tem seu próprio jornal, sua própria política, tem sua própria linha política revolucionária, e estamos orgulhosos de Enrique Fernández Chacón, o “Cochero”, e da campanha eleitoral que fizeram na qual se defendeu a consigna de “governo dos trabalhadores”. Por sua vez, Michel Tunes, da CST do Brasil, explicou que enquanto estamos no PSOL, buscando construir um polo revolucionário, não deixamos de defender a necessidade de uma Frente de Esquerda, combatendo a posição da direção majoritária do PSOL, que propõe uma frente ampla junto com o PT. Ou seja, a CST dá a batalha pela independência de classe.

Então fica evidente o que expressamos na conferência, sobretudo pela atuação dos companheiros do Uníos e da CST, que não se subordinam à política das direções desses partidos amplos. Nossa estratégia é construir partidos revolucionários em cada um dos países onde estamos, e para isso utilizamos táticas, como todos fazem. E se querem discutir as táticas eleitorais para esses países também podemos debater abertamente que o que estamos fazendo é correto, porque ajuda a aprofundar a ruptura com os partidos majoritários da burguesia e a construir os nossos. Como disse o companheiro Oso: “O PSOL não surgiu (2003) para ajudar a consolidação do PT, ele surge como uma expressão de ruptura com o PT, e não só como uma expressão de ruptura de alguns poucos dirigentes do partido, era a expressão de ruptura de um setor das massas que o viam como uma referência. Então, a questão do PSOL, primeiramente era essa, ajudava nesse processo de ruptura e isso era a primeira coisa que tínhamos que responder, se deveríamos formar ou não o PSOL. E sim, ajudou esse programa de ruptura, e essa ruptura ia para além do alcance de nossos partidos, era mais ampla, nesse contexto que se formou o PSOL. E nós, da UIT-QI, da CST e dos partidos aqui presentes, viemos combatendo contra a direção do PSOL e seu caminho oportunista. Dizer que o PSOL surgiu como uma manobra eleitoral é incorreto, porque não expressa o processo real. O mesmo ocorre com a FA no Peru, o companheiro deveria recordar que a FA surgiu porque foi um processo de ruptura com os velhos partidos políticos, e Verónica Mendoza, que ia para uma linha mais oportunista, acabou saindo e indo para outro lado”.

Também assinalamos que é necessário fazer um debate sério. Os companheiros do PTS nos criticam, mas não dizem que no Brasil pediram para entrar no PSOL, e no Peru os companheiros que se reivindicam de sua corrente internacional pediram para fazer parte da lista de candidaturas da Frente Ampla nas últimas eleições. Núñez também se pronunciou nesse sentido: “Nos chama a atenção o que dizem os companheiros do PTS (que justificam estar dentro do NPA, Novo Partido Anticapitalista, na França, mas criticam fazer parte da FA no Peru). Porque as citações de Trotsky valem para todos. Estamos de acordo (com a tática) de estar dentro do NPA francês e batalhar por um giro à esquerda dessa organização, por construir outra orientação política”. Por isso é bom lembrar que o NPA não é um partido revolucionário, e sim um partido amplo de esquerda, similar ao PSOL do Brasil. São partidos amplos com muitas tendências. A maioria da direção do NPA sempre foi oportunista, simpatizante da corrente fundada por Ernest Mandel. Por isso, essa direção sempre simpatizou com governos de conciliação de classes, como o Syriza na Grécia ou com o chavismo na Venezuela.

E para os companheiros do PTS-FT está tudo bem estar ali dentro. E nossa corrente apoia essa tática se é para construir um partido revolucionário no futuro. É o mesmo que nós fazemos no PSOL do Brasil e na FA do Peru. Mas, como disse o companheiro Núñez, “as citações de Trotsky (de debates do revolucionário russo com o SWP dos Estados Unidos na década de 30) que utilizam para justificar essa posição, que é correta, também deve servir para não atuar de forma confusa e desleal nos debates que fazem conosco. Porque nós também reivindicamos os ensinamentos de Trotsky, e em todo o caso, com essas mesmas citações podemos explicar que está correto o que fazem nossos companheiros no Brasil e no Peru”.

Veja a Plenária geral da conferência completa:

 https://www.youtube.com/watch?v=F_wY89xmnmQ

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