A Homenagem da FIT-Unidade a Leon Trotsky

Por Luis Covas
Tradução: Lucas Schlabendorff


No dia 21 de agosto aconteceu o debate da FIT-Unidade em homenagem a Leon Trotsky, em ocasião dos 80 anos de seu assassinato. Participaram Mercedes Petit, do Izquierda Socialista/UIT-QI; Christian Castillo, do PTS/FT; Rafael Santos, do PO; Alejandro Bodart, do MST/LIS; Guillermo Sánchez Porta, do Izquierda Socialista/UIT-QI, entre outros.

Essa homenagem foi uma das centenas que foram realizadas em todo o mundo para relembrar o revolucionário Leon Trotsky e repudiar o seu assassinato pelas mãos de um enviado do traidor Josef Stalin. As quatro organizações presentes reivindicamos seu legado e ratificamos que Trotsky fundou a Quarta Internacional para dar continuidade ao marxismo revolucionário e à revolução socialista de 1917 na Rússia.

Nesse sentido, foi uma homenagem necessária e positiva, realizada em comum pela FIT-Unidade. Dado o caráter de debate que a homenagem assumiu, as polêmicas internas acabaram pesando demais. Houve uma grande quantidade de companheiras e companheiros que tiveram dificuldade de compreender muitas delas. Isso é compreensível, uma vez que essas discussões mesclam questões de informação de fatos históricos de mais de meio século, de política, de programa e de trajetórias específicas das diferentes correntes e dirigentes do movimento trotskista.

Nas reuniões prévias ao evento, nossa proposta enquanto Izquierda Socialista foi de que fizéssemos um ato virtual de homenagem com um orador por organização, e não um debate. Infelizmente não houve acordo com as outras organizações, que quiseram um formato de polêmica. O Partido Obrero insistiu que, dadas as diferenças existentes sobre o processo da Quarta Internacional sem Trotsky, o melhor seria um debate aberto. Na medida em que, corretamente, a FIT atua com base em acordos e consensos, nós do Izquierda Socialista acabamos acordando. Também se acordou o critério de que deveríamos focar na homenagem.

Mas desde o primeiro momento houve intervenções que deixaram de lado esse critério de homenagem e focaram em um debate das diferenças sobre a história e a atualidade de cada tendência. A tônica de deixar a homenagem de lado foi dada pelo dirigente Alejandro Bodart, do MST/LIS, que interviu primeiro e disse diretamente “não vou aborrecê-los falando de Trotsky”, e se lançou diretamente a polemizar e criticar as outras correntes.

Dos quatro expoentes centrais, apenas nossa companheira Mercedes Petit interviu dedicando a maior parte do seu tempo para recordar a personalidade e o legado de Trotsky e os rumos do trotskismo após a Segunda Guerra Mundial. Denunciando o papel nefasto do revisionismo oportunista que se instalou a partir do final dos anos 40, e sem entrar em polêmicas diretas com as atuais correntes da FIT-Unidade.

De qualquer forma, pode ser muito útil conhecer e ir entendendo esses debates, que estão nas redes.

Nas páginas do jornal digital El Socialista (jornal do Izquierda Socialista) e no site izquierdasocialista.org e uit-ci.org é possível retomar as intervenções dos participantes e os debates completos, assim como as notas que elucidam ou aprofundam os temas em questão.

De nossa parte, enquanto Izquierda Socialista e UIT-QI, reivindicamos a homenagem, apesar da debilidade devido ao formato adotado. Diante da dúvida de muitas companheiras e companheiros sobre a utilidade de debates como esse, dizemos que o positivo é que foi realizado dentro da unidade que temos na FIT-U. A maior parte dessas questões não são novas. Já viemos há décadas discutindo entre as correntes do trotskismo. Mas antes não estávamos em uma frente política comum. É importante lembrar disso. Portanto, há diferenças e debates, às vezes duros e complexos, mas se mantém a unidade conquistada na FIT-U.

Um fato é que pouco ou quase nada se discutiu sobre as propostas para dar passos para a reconstrução da Quarta Internacional. Nós do Izquierda Socialista/UIT-QI voltamos a reiterar nossas três propostas, apresentadas por Mercedes Petit, para unir os revolucionários. São as mesmas que já havíamos apresentado na conferência latino-americana da FIT-U. Primeiro, coordenar campanhas internacionais comuns, como a de 27 de agosto, em repúdio ao racismo e a Trump, em apoio ao povo palestino contra o Estado genocida de Israel, contra as duas pandemias, contra a destruição ambiental, entre outras. Segundo, impulsionar, onde haja condições, experiências como a da FIT-Unidade na Argentina. E terceiro, dar passos concretos para uma coordenação nacional e internacional no caminho difícil, mas muito necessário, para a reconstrução da Quarta Internacional sobre a base de um programa revolucionário. Como dissemos no dia 21 de agosto, esta será a melhor homenagem que podemos fazer a Leon Trotsky.

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