VENEZUELA | Exigimos a liberdade de todos os trabalhadores presos!

Por Partido Socialismo e Liberdade, Venezuela; título original “O Partido Socialismo e Liberdade exige a liberdade de todos os trabalhadores presos”; publicado originalmente em LaClase.info (https://cutt.ly/3fR5shK). Tradução: Manu Sousa


Recentemente o governo de Nicolás Maduro, em negociações com setores da oposição patronal, encabeçados por Henrique Capriles, libertou 110 pessoas, dentre elas presos, perseguidos e políticos inabilitados.

Horas depois, se fez conhecido que essas negociações contaram com a intermediação do reacionário presidente da Turquia, Recep Tayyig Erdogan, em coordenação com a União Européia, e ao menos sabemos de Mike Pompeo, representante do imperialismo norte-americano, se evidenciando mais uma vez os laços do imperialismo, tanto europeu quanto estadunidense, com seus representantes da oposição patronal venezuelana, interferindo em assuntos que só devem ser de interesse dos venezuelanos e venezuelanas.

A princípio, comemoramos a libertação de todas essas pessoas, porque estamos pela defesa das liberdades democráticas, pela liberdade de expressão e em defesa dos direitos humanos, independente das preferências políticas e religiosas dos afetados.

Entre os libertos se encontram vários trabalhadores, médicos e professores universitários. Rubén González, dirigente sindical da Ferrominera do Orinoco, detido pela segunda vez, e que havia sido sentenciado por mais de 5 anos à cárcere por um tribunal militar, sendo que é um civil. Tania Rodríguez, também trabalhadora da da Ferrominera; Elías Mendoza, trabalhador de Sidor, ambos detidos após expressar seu descontentamento nas redes sociais, e Javier Vivas Santana, professor da universidade do Oriente, núcleo Nova Esparta, por denúncias feitas pelas suas colûnas na Aporrea. Nicmer Evans, professor universitário e comunicador, detido após criticar o governo, e o Dr. José Alberto Marulda.

As libertações também contemplam a deputados e suplentes, líderes políticos e ativistas dos partidos patronais, pelos quais Capriles trabalhou como intermediário junto ao governo.

Entre os libertos se encontram ativistas que solicitaram a aplicação de sanções econômicas à Venezuela, política que indubitavelmente rechaçamos. Essas libertações se constituem como uma cortina de fumaça frente aos graves problemas de fome, miséria e saúde, que sofrem o povo venezuelano.
O governo se apresenta como o “benfeitor” de uma ação de liberdade para um conjunto de pessoas que sempre negou serem presos políticos, e agora são libertados, e utilizará o fato à favor da fraude eleitoral anunciada para o dia 6 de dezembro, em acordo com setores da oposição patronal. Essa libertação, não é grátis.

Mas também demonstra o terror que a oposição e o governo sentem frente as ações autônomas e independentes que setores sociais organizados e em mobilização podem tomar, não só pela exigência de liberdade aos presos políticos, mas também porque se protesta, em plena quarentena, contra os salários de fome, a eliminação dos HCM e a falta de atenção para os trabalhadores e suas famílias, contra a crise do sistema de saúde – agora evidenciada pela pandemia – a falta de serviços: gás, água potável, gasolina, falta de eletricidade, serviços telefônicos e de internet ruins e a exigência de equipamentos de segurança (EPIs) para os trabalhadores da saúde. Além de existir um amplo sentimento de desconfiança por parte do povo frente às evidente mostras de fraude eleitoral do processo feito desde o próprio executivo, o PSUV, o“novo CNE” (Conselho Nacional Eleitoral), a TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), e sua inconstitucional Assembléia Nacional Constituinte.

O mal estar é ainda maior quando não estão entre os libertos trabalhadores como Rodney Álvarez, Marcos Sabariego, Bartolo Guerra, Darío Salcede, Alfredo Chirinos e Aryenis Torrealba, entre outros, – são muitos mais – por quem um amplo número de organizações políticas, sindicais e populares, têm feito campanhas e atos de rua, e pelas redes sociais, além de convocar que se mobilize e rompa o cerco de paralisia  imposto pelas burocracias sindicais, exigindo a liberdade dos companheiros.

O Partido Socialismo e Liberdade, denúncia que na maioria dos casos o Estado não demonstrou como válida nenhum das razões pelas quais os trabalhadores foram detidos, e hoje libertos, nem em relação aos que seguem privados da liberdade. Foi violado o processo devido para todos, se forjaram e manipularam registros, os culpando e criminalizando, à serviço das necessidades políticas e econômicas do governo.

O sistema de justiça na Venezuela está podre. Se restringem as liberdades democráticas, inclusive os direitos estabelecidos na constituição.

Por isso defendemos a exigência de liberdade para todos os presos políticos, em especial dos trabalhadores, dirigentes camponeses e dirigentes populares que não tem voz. Essa defesa não é assumida pelas centrais sindicais nem pelos partidos patronais.

Fazemos um chamado amplo incluindo os sindicatos de base, as organizações de direitos humanos, o ativismo do movimento feminista e de gênero,, as correntes e grupos sindicais de trabalhadores, à organização por profissão e movimentos de desempregados, a multiplicar os esforços pela exigência de liberdade aos trabalhadores presos.
É um chamado não só para a intervenção nas redes sociais, e na mídia impressa, mas também para intervir nas ruas. As organizações e dirigentes sindicais devem se pronunciar pela liberdade dos trabalhadores presos, sem distinção política ou ideológica. Se trata de defender os presos políticos que são nossos, porque são trabalhadores e dirigentes populares. Aqueles que por levantar sua voz e defender os direitos não são defendidos pelos partidos patronais, e durante todos os anos presos as centrais sindicais nunca moveram um dedo sequer. Nós devemos quebrar o silêncio por eles e evidenciar com nossa luta que podemos tirá-los  do sequestro que foram submetidos pelo governo, e que os partidos patronais guardam silêncio. Agora se faz mais visível o cerco à que foram submetidos os detidos deste governo anti-operário e impopular.

Exigimos a liberdade de todos os presos políticos

Exigimos a liberdade de todos os trabalhadores presos

Exigimos a liberdade de  Rodney Álvarez, Marcos Sabariego, Bartolo Guerra, Darío Salcedo, Alfredo Chirinos y Aryenis Torrealba, os trabalhadores da saúde e demais detidos.

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