Governos genocidas querem iniciar as aulas em plena pandemia!

HENRIQUE LIGNANI
PROFESSOR DE HISTÓRIA
EDUCAÇÃO EM COMBATE


A pandemia da COVID-19 segue avançando no Brasil, com o número de mortes se aproximando de 140 mil, sem considerar a subnotificação. Apesar de, em um primeiro momento, terem apresentado certa diferença no tom, Bolsonaro e os governadores, prefeitos, a imprensa e o conjunto dos patrões estão juntos quando se trata de atacar a vida da classe trabalhadora. Após uma “quarentena” que nunca chegou a acontecer de verdade, trabalharam para impor um “novo normal”, com o retorno total das atividades, enquanto seguem morrendo milhares por dia. A educação é a bola da vez para os ataques, com a tentativa a todo custo de retomada das aulas presenciais.

Em muitos estados, os governos, atuando em conjunto com os empresários da educação, vêm preparando o retorno das aulas presenciais, como no Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, mas também em estados governados pela “oposição”, como Ceará e Maranhão. Além disso, há o caso de Manaus-AM, primeira capital do país onde o retorno aconteceu e que serve de exemplo do genocídio em curso com essa política: apenas nos primeiros 20 dias, mais de 340 profissionais haviam sido contaminados.

Por sua vez, Bolsonaro afirmou, recentemente, que os professores não querem voltar ao trabalho. Além de esconder a intensificação e precarização do nosso trabalho durante a pandemia, com a farsa do ensino remoto, o discurso do presidente está a serviço de sua política negacionista e genocida, em sintonia com a reabertura das escolas. Mas não se trata apenas disso, pois o ataque direto aos trabalhadores da educação também visa justificar a ofensiva em curso com a Reforma Administrativa, na qual seremos um dos seus principais alvos.

Nesse contexto, é preciso lutar para impedir o irresponsável retorno às aulas presencias e preservar milhares de vidas de estudantes, familiares e profissionais da educação. Infelizmente, essa não é a política das direções. Por exemplo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que deveria cumprir o seu papel e mobilizar todas as trabalhadoras da educação para resistir à imposição do retorno às aulas, não o faz porque os partidos que a dirigem (PT e PCdoB) estão aplicando políticas semelhantes a de Bolsonaro. Infelizmente, organizações de esquerda, como os companheiros da Insurgência, Resistência e PCB, que estão à frente de sindicatos importantes como o SEPE-RJ, também não se dispõem a construir a luta efetiva por meio de uma forte greve unificada.

Nós, do Educação em Combate (CST e independentes), defendemos a preparação de uma greve nacional da educação para impedir que as aulas presenciais retornem em meio à pandemia e também para suspender o ano letivo. Além disso, é necessário unir a luta contra a reabertura das escolas, em defesa da vida, à luta contra a Reforma Administrativa, em defesa dos direitos e da educação pública, ocupando as ruas com a realização de atos. É essa política que defenderemos no dia 30/09, Dia Nacional de Luta contra a Reforma. Vamos exigir dos sindicatos, da CNTE e das centrais sindicais que cumpram seu dever e organizem essa luta.

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