Maradona se foi, um gênio do futebol!

José Roldan, do Izquierda Socialista (Seção argentina da UIT-QI)

25/11/2020


Diego Armando Maradona faleceu. Uma notícia de impacto nacional e mundial. Milhões choram e recordam suas maravilhosas jogadas, na várzea ou em estádios modernos, em Villa Fiorito, Argentinos, Boca, Newells, no Nápoli, no Barcelona ou na seleção argentina. É o que irá perdurar em camisetas estampadas nos lugares mais remotos do planeta. Aos que o esperavam entrar em campo gritando “Maradooo…” para que começasse a alegria em meio a tanto sofrimento. É assim que hoje se despede do melhor jogador de todos os tempos.

Maradona surgiu de um bairro humilde, dizendo em um vídeo preto e branco que seu maior sonho era ser campeão mundial, e ele o alcançou. Deslumbrou contra Gatti e Fillol. O imparável Diego da copa de 86, que deslumbrou com sua raça quilométrica marcando o melhor gol da história das Copas do Mundo, 4 anos depois de centenas de soldados argentinos terem dado suas vidas nas Malvinas, um gol que 34 anos depois continua a nos encher de lágrimas.

Foi-se aquele que denunciou os gângsteres de João Havelange diante da FIFA, quando nenhum grande jogador o fez, até mesmo formando um sindicato do futebol. Aquele que se opôs à AFA de Grondona e disse ao Papa anterior que se ele estava tão preocupado com os pobres, deveria vender o ouro do Vaticano, embora mais tarde tenha se tornado amigo do Papa Francisco. Morreu aquele que não teve receio de subir em um trem para repudiar a ALCA de Bush, em Mar del Plata, em uma digna atitude anti-imperialista.

Sua personalidade transcendeu os campos de futebol, com seus prós e contras. Foi-se a estrela do futebol que tinha suas luzes e sombras. Reconhecer seu futebol mágico não é reivindicar suas condutas políticas ou pessoais.

Sua personalidade variava do escuro ao claro. Teve facetas muito contraditórias, para além de seu gênio futebolístico indiscutível. Embora Maradona tenha tatuado a imagem de Che, seguiu de forma equivocada o peronismo, do menemismo ao kirchnerismo, e apoiou com entusiasmo o ditador Maduro. Teve comportamentos repudiáveis ​​e foi denunciado por violência de gênero. Teve que reconhecer suas filhas e filhos após processos judiciais e mostrou seu machismo patético. Comportamentos que são bem assinalados no último adeus justamente por aqueles que não calam nem silenciam os comportamentos machistas e misóginos de qualquer pessoa famosa, por mais ídolo que seja.

Perguntado em uma reportagem o que diria sobre sua morte, Maradona disse: “Eu colocaria na lápide: ‘Obrigado à bola’”. Pelo que ele fez com a bola, e não por suas posições políticas ou pessoais, aqueles que gostam de futebol vão se lembrar dele, como fazem milhões de pessoas.

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