Edmilson precisa apostar na organização popular

Por Mariza Santos e Eziel Duarte – Membros do diretório municipal do PSOL Belém

O governo Edmilson (PSOL) tem início em meio à crise da pandemia e sua segunda onda de infecção, o fim do auxílio emergencial e o tímido início de vacinação. Nos primeiros dias de governo foi aprovado o “Bora Belém”, que é um programa de transferência de renda de até 450,00 reais para as famílias mais pobres de Belém. Se trata de um programa com recursos limitados, mas que vai ajudar as famílias que perderam o auxílio emergencial. Essa política precisa estar combinada com um plano de obras públicas com geração de empregos diretos e indiretos, concursos públicos e o passe livre para estudantes e desempregados no transporte público.

É preciso governar com independência de classe e apoiado nas lutas do povo. Não ter nenhuma confiança na câmara municipal, que em sua maioria é composta por partidos burgueses e fisiológicos. Para isso é necessário convocar conselhos populares nos bairros e categorias para apresentar e aplicar as medidas necessárias para a maioria do povo, formular e definir 100% do orçamento com a população e apoiar as lutas contra Bolsonaro, contra a reforma administrativa e impulsionando a luta para garantir vacinação para todos.

Secretariado não representa a “Belém de novas ideias”

Na última edição do CS n° 120 (p. 08 e 09) apresentamos nosso balanço e apontamentos do que defendíamos para ser aplicado representando o sentimento que levou à derrota do bolsonarismo. O que aconteceu em um mês? Edmilson e a direção majoritária do PSOL, além de não ter convocado nenhum espaço de balanço de suas instâncias, ignorou as mesmas e saiu a negociar sem nenhum debate político prévio, ao mesmo tempo em que garantiu paridade de gênero e ativistas nas indicações, seguiram indicando algumas secretarias ao PSB de Cassio Andrade, nomes que já compuseram cargos no governo de Zenaldo Coutinho, como Maikenn Souza (ex-secretário de habitação).

Não é a indicação de um bom começo. A prefeitura está fatiando cargos, realizando indicações políticas sem consulta e escolha com as respectivas categorias, o que levou a muitos comentários negativos, como a indicação de Alfredo Costa (PT) para a FUNPAPA. Além das indicações, há uma articulação que leva o PSOL a cometer erros na ALEPA e CMB (Câmara Municipal de Belém).

Pacto com MDB marca início do governo Edmilson

Há uma incompatibilidade política e programática do PSOL e a visão que o partido tem em relação às eleições das câmaras e assembleias legislativas. Enquanto na Câmara Federal a direção majoritária do PSOL definiu em sua executiva corretamente lançar a candidatura de Luiza Erundina, na ALEPA Marinor Brito votou na candidatura do MDB para a presidência da casa. A mesma Marinor havia se abstido nas eleições anteriores alegando não ter opção de voto e a falta de debate interno no partido, argumentos que parece que perderam a validade. Essa votação na ALEPA apresentou qual seria a linha do PSOL na Câmara Municipal de Belém, se negando a lançar candidatura que seria possível pela primeira vez para apoiar Zeca Pirão do MDB e compondo a mesa diretora com a 1° vice-presidência com Livia Duarte, uma ação fisiológica e programaticamente incompatível. Essa política da direção majoritária do PSOL, do prefeito Edmilson, da deputada Marinor e da vereadora Livia é totalmente errada e precisa ser revertida.

Edmilson e as lideranças do PSOL precisam romper o discurso conciliador com o governo do MDB e com os vereadores da direita, não depositar nenhuma confiança nestes e passar a se apoiar nas organizações dos trabalhadores e dos movimentos sociais, nos Centros Comunitários da cidade para organizar as assembleias e os Conselhos Populares e assim debater e votar as prioridades. Defendemos que nenhum secretário municipal pode ser de partidos que tenham cargos no governo Helder Barbalho do nefasto e oligárquico MDB. Somente assim poderemos governar com independência de classe, favorecer os servidores públicos e enfrentar máfias como a dos transportes.

Está evidente que a principal tarefa hoje é lutar pela vacinação geral da população. A crise da falta de oxigênio em Manaus, que chegou em Faro (Baixo Amazonas) vitimando 7 pessoas da mesma família, deixa óbvio o descaso do Governo Bolsonaro e a falta de coordenação e soluções para a pandemia. Enquanto isso, tudo funciona normalmente na capital: festas, bares, shoppings e aglomerações, combinado ao retorno das aulas presencias na rede particular de ensino. Apenas no dia 21 o governo estadual voltou a proibir bares e festas no Estado.

O PSOL, com seus parlamentares e o prefeito Edmilson devem estar à frente das lutas para fortalecer os atos e os movimentos exigindo vacinação para todos, o retorno do auxílio emergencial, a solidariedade com os trabalhadores da FORD, o não pagamento da dívida para destinar recursos para o combate à pandemia e transformando a prefeitura numa trincheira de oposição contra o governo Bolsonaro/Mourão.

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