PERU: Eleições sem alternativa para o povo trabalhador

 

 Por Taylor Rojas, do PT-Uníos, seção peruana da UIT-QI

Tradução de Lucas Schlabendorff

 

Contra o ajuste de Sagasti, os candidatos da CONFIEP e a falsa esquerda: anule seu voto!

 

A menos de sessenta dias para as eleições nacionais, os escândalos políticos não deixam de confirmar que o regime político está podre e que todos usam o aparato do Estado para salvar os capitalistas e afundar na pobreza as maiorias populares. A CONFIEP busca seus candidatos para se salvar da crise e a falsa esquerda se adapta docilmente à essa tarefa. O que acontece nestas eleições?

 

O processo eleitoral em curso e todos os seus personagens estão a serviço de sustentar esse modelo e chegar ao Bicentenário com um Estado e um regime em pleno funcionamento para aprofundar os ataques contra o povo trabalhador com baixos salários, mais precarização e informalidade; avançar no saque dos recursos naturais e um brutal endividamento com o qual hipotecam o povo por séculos para obter um dinheiro que não resolve os problemas do país, apenas tapa o sol com uma peneira, sendo utilizado para salvar os negócios dos capitalistas.

É possível que esse governo aplique o plano de ajuste que os capitalistas necessitam? Certamente não conseguem fazê-lo em toda a profundidade que necessitam, já que, apesar do ajuste passar parcialmente – resultado da política traidora da burocracia sindical da CGTP e outras centrais e sindicatos que estão mais preocupados em conseguir privilégios com o congresso ao invés de apoiar as lutas –, o povo segue lutando como pode em todos os cantos do país, como fizeram os trabalhadores agrícolas de Molitalia, Quimica Suiza, Celima e outros.

A CONFIEP e as associações empresariais reconhecem muito bem a debilidade que tem o governo para aplicar o plano de ajuste. Sabem que necessitam de um dirigente que consiga manter flutuando o barco perfurado do modelo capitalista neoliberal que está entrando água por todos os lados e sabem também que a perspectiva eleitoral não é favorável, pois o que prima é o descontentamento do povo trabalhador diante dos dirigentes políticos e candidatos. É por isso que, a partir das pesquisas eleitorais, buscam realizar um processo midiático para destacar os candidatos patronais que possam garantir os seus interesses e controlar o descontentamento das massas oprimidas. Se não conseguirem isso, a esquerda reformista se postula para cumprir docilmente os anseios dos capitalistas com as “alianças estratégicas com os empresários”. É por isso que as eleições não passam de uma armadilha para o povo trabalhador e necessitamos repudiar consequentemente todos os candidatos.

 

Os candidatos patronais na corrida para explorar os trabalhadores e os povos

 

A crise política faz com que a CONFIEP e as associações empresarias careçam de um candidato com peso popular que possa aplicar o programa que necessitam, com a tendência de que todos os partidos obtenham poucos votos, e que prime a dispersão, com a maioria dos 24 partidos perdendo sua inscrição eleitoral, o que coloca mais lenha na fogueira da crise política. Nesta situação, os capitalistas não confiam em “Forsai”, ele não é um dirigente político que possa levar adiante o pacto de unidade nacional que necessitam (e que funcione, não como o precário acordo nacional que explodiu pelos ares recentemente). Diante dessa debilidade do candidato que liderava as pesquisas com mais de 20% durante agosto e setembro de 2020, as intenções caíram para 11% em fevereiro deste ano, seguido por Yonhy Lescano da Ação Popular, que busca se disfarçar como candidato radical para saltar de pouco mais de 2% no ano passado para 10% em fevereiro deste ano. Dessa maneira os grandes capitalistas buscam uma polarização entre dois agentes diretos do capital: um dócil, Forsyth, e um mais arisco, mas também agente do sistema na prática, como Lezcano.

A volatilidade das pesquisas não resolve a crise estrutural do regime e obriga a classe dominante do país a buscar um plano B para cumprir seus objetivos. É aí onde Verónika Mendoza do Juntos pelo Peru se postula, com seus cerca de 6% e 8%, como uma variante menos preferida dos capitalistas, pois suas modificações constitucionais incomodam os empresários – ainda que sua Reforma Constitucional seja para um futuro e sufocada pela institucionalidade do regime, não através de uma Assembleia Constituinte verdadeiramente Livre e Soberana no calor das lutas. A posição de Mendoza é a de uma falsa esquerda, que evita a radicalização de suas posições e gira ao centro. Verónika Mendoza, como boa reformista, sabe da debilidade do regime e aposta, por essa via, em conquistar esse espaço com o apoio de um setor da classe média acomodado e, inclusive, com apoio de setores exploradores do país que sabem que é melhor governar com um “agente indireto” do que sustentar a crise política atual.

Muitos nos perguntariam: a candidata natural da CONFIEP não é Keiko Fujimori? Sim, isso tem sido assim durante décadas. Mas os grandes empresários necessitam muito mais do que uma aliança orgânica com um partido com o qual compartilham princípios, métodos e programas. Keiko é a candidata que perderia para praticamente todos no segundo turno. Em meio à crise, os grandes capitalistas não podem seguir usando a mesma ferramenta defeituosa. Buscarão confundir o povo para alavancar outros candidatos, mesmo que para isso precisem se afastar parcialmente de seu partido histórico.

 

Nenhum é alternativa: anulemos o voto e lutemos por um governo dos trabalhadores

 

Os capitalistas são uma minoria da sociedade. Para governar e explorar, necessitam não somente dos partidos do regime e dos resultados eleitorais. Necessitam que o povo vote e acompanhe seus candidatos, deixando em suas mãos a organização da vida política do país. Em busca desse objetivo, os candidatos mentem, fazem campanhas confundindo o povo e oferecendo mundos e fundos, promessas que nunca cumprem. O povo do Peru já rompeu com os partidos tradicionais, agora chegou a hora de repudiar todas essas propostas patronais e a dócil adaptação da falsa esquerda que se prepara para ser o braço esquerdo desse regime podre. Anulemos o voto, coloquemos em marcha uma grande campanha política que denuncie essas manobras e construamos juntos a verdadeira organização de esquerda que o povo trabalhador necessita para conquistar um governo dos trabalhadores e dos povos, sem empresários e nem burocratas.

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