A falsa esquerda do Juntos pelo Peru, a Frente Ampla e o Peru Livre não são alternativa

 

 

Por PT – Uníos, seção peruana da UIT-QI

 

Muitos companheiros e companheiras debatem o que devemos fazer nas próximas eleições. Nós, do Partido dos Trabalhadores – Uníos, rejeitamos todas as candidaturas e chamamos a dar as costas para todos os partidos, anulando o voto e lutando por uma saída de fundo, por um governo dos trabalhadores sem patrões e nem burocratas. Neste artigo debatemos com as candidaturas da falsa esquerda, cada vez mais dócil com os empresários.

 

As eleições estão em curso e todos os candidatos recorrem aos meios de comunicação e nos enchem com mentirosas propagandas oferecendo suas falsas promessas que não são capazes de gerar confiança na classe trabalhadora e no povo. A esquerda, longe de postular-se como alternativa de luta, cada vez mais se acomoda para não incomodar os grandes empresários e capitalistas.

 

Verónica Mendoza: do ollantismo neoliberal a candidata do Patria Roja (PC)

 

Nas últimas semanas vimos testemunhos da aparição da candidata Verónica Mendoza e seu partido Juntos pelo Peru, encabeçando as pesquisas do jornal “El Comercio”, conjuntamente com George Forsyth, Julio Guzmán e Lescano. Recordamos que, na política, não há casualidades, menos ainda em uma publicação de um jornal fiel da CONFIEP e do que há de pior na burguesia nacional. Essa propaganda “gratuita” (que de gratuita não tem nada, pois a campanha de Verónica será financiada pela Derrama Magisterial, galinha dos ovos de ouro, cujo proprietário, o denominado Partido Comunista – Patria Roja, deita e rola com o dinheiro dos docentes associados). Dizíamos que a propaganda “gratuita” é símbolo da possibilidade eleitoral que enxergam nessa candidata chamada de “esquerda”, já que os partidos de direita não conseguem mais iludir os votantes como antes.

Ou seja, Verónica-JP, constituem a válvula de escapa para a crise de representação política dos partidos burgueses, que pode ser mais digerível, “menos pior”, mais “democrático”, ou que vai “salvar os feijões” do empresariado nacional e dos distintos imperialismos “investidores”, além de preparar um governo de “Unidade Nacional” com o Partido Morado (tão querido por eles e pela Frente Ampla de Arana).

Verónica-JP fazem o impossível para lavar a cara diante da burguesia. Suas declarações são todas medidas, com relação à economia, relações de trabalho, TLCs (tratados de livre comércio) e sobre as mudanças na Constituição. Recomenda aos patrões que, se seguir a Constituição Fujimorista, o país vai arder, por isso há que se fazer mudanças de forma em matéria econômica e social. Em poucas palavras, esses “conselheiros esquerdistas” se colocam como novos “bombeiros” do país, que salvarão os exploradores da catástrofe institucional na qual se encontram.

Verónica-JP, representam a esquerda “responsável” que a burguesia busca em seus momentos de crise. É o nosso Podemos (Espanha), ou nosso Syriza (Grécia), que pretende que as mudanças estruturais ocorram nos marcos burgueses, institucionais e constitucionais. Segundo eles, têm a fórmula para deixar o povo em casa, que não saia a protestar, e que permita o investimento privado.

A situação do país é grave e, por isso, milhares de trabalhadores, cansados das mesmas candidaturas de sempre, enxergam em Verónica e JP a saída mais viável. Mas, perguntamos: serão conciliáveis os interesses dos trabalhadores e do empresariado? Será um tratamento igualitário? A CONFIEP e as grandes empresas aceitarão dar uma parte de seus lucros em épocas de crises? Claro que não!

 

Marco Arana e a Frente Ampla: de partido anti-mineração à cogoverno com Sagasti

 

Por que Marco Arana e Verónica Mendoza não foram juntos para a disputa presidencial já que os seus partidos possuem o mesmo programa reformista socialdemocrata? Qual a diferença entre a Frente Ampla e o Juntos pelo Peru? Ao revisar os respectivos programas, ideias e princípios, fica evidente que é mais do mesmo. As palavras democracia, renegociação, direitos, defesa do meio ambiente, etc, se repetem como enchimentos com uma mesma direção: a defesa do regime democrático burguês.

Ambos estão convencidos de que o inimigo a ser derrotado é o Fujimorismo e seu neoliberalismo cruel, que deve ser substituído por um capitalismo “com rosto humano”, que respeite a natureza, a diversidade, a etnicidade, gênero e dissidências sexuais. Ambos buscam o empresário “responsável” que saberá negociar melhores condições de trabalho para os trabalhadores e sonham com uma pátria linda, grande e soberana, onde tanto os trabalhadores, a CONFIEP, a Sociedade Nacional Agrária, a Sociedade Nacional de Indústrias, CAPECO, SN de Mineração se unam em um grande abraço policlassista, sob a sombra protetora do grande exército nacionalista institucional e uma polícia protetora dos direitos humanos.

Porém, segue a pergunta: por que não se juntaram? Por que se separaram? Por que o gosto de romper a unidade dos progressistas, nacionalistas e anti-neoliberais? Para além das diferenças políticas (hoje dissolvidas) que em 2016 provocaram a saída da Verónica Mendoza da FA, quando ela apoiou PPK no segundo turno – posição que a FA rejeitou – o motivo central de sua atual divisão não é seu programa, nem sua ideologia. O que os separa é a ambição política e sua luta pelo aparato partidário e por cargos no Estado. Essa é a verdade.

Arana e a Frente Ampla deixaram de ser a expressão dos povos em luta contra a mineração. Agora é a sombra de um caixão e um cortejo fúnebre, seguidos por oportunistas que, com lágrimas e lenços, pedem o voto aos trabalhadores, enquanto não têm mais nada a oferecer-lhes, somente reformismo e ilusões. Essa bancarrota da FA fica demonstrada no momento em que acompanharam docilmente a designação de Sagasta como presidente, após a explosão social de novembro de 2020, apoiando seu modelo de governo em troca da direção do Congresso da República. Assim, se somaram, sem retorno, à divisão de tarefas do Estado explorador.

 

Pedro Castillo: de sindicalista a candidato do socialismo do século XXI

 

Apesar de não aparecer em nenhuma pesquisa, salvo aquelas elaboradas por seus próprios simpatizantes, Pedro Castillo, ex-dirigente do magistério (abandonou à própria sorte o sindicato para ir atrás da corrida eleitoral), se converteu em referência eleitoral para milhares de professores e aqueles que sentem que ele é uma alternativa diferente dos socialdemocratas Juntos pelo Peru, de Verónica Mendoza, e ao sócio menor do governo de Sagasti, a Frente Ampla de Arana.

Pedro Castillo tem a seu favor o fato de ter dirigido uma gloriosa luta sindical do magistério em 2017. Uma luta antiburocrática que terminou com a derrota da ministra da educação (Marilú Martes), do governo de turno do PPK (que teve que reconhecer alguns direitos trabalhistas e realizar um aumento salarial) e a derrota política do câncer sindical chamado Patria Roja. Desde então, uma auréola e fama de lutador social rodeiam Castillo e um conjunto de dirigentes magisteriais da FENATE-PERU, que embarcaram em uma aventura eleitoral no mar burguês com navio emprestado.

Para Peru Livre, o advento de Castillo significou um respiro e confiança, com a qual buscam passar a vala eleitoral e ter alguns congressistas para cobrar do Estado uma cota anual que corresponde aos partidos matriculados na democracia burguesa. Para Castillo e seus companheiros eleitorais, a aliança é propícia, pois buscam uma barriga de aluguel para suas aspirações congressuais. Em resumo, essa aliança é uma espécie de mutualismo político. “Tu me ajudas e eu te ajudo”. Mutualismo que denominamos, sem pudor, de oportunismo eleitoral.

Senão, não se entende como Pedro Castillo e seus companheiros, lutadores do magistério, defensores do pensamento de Mariátegui, Ríos Caro e outros professores, tenham aderido a um programa como o do Peru Livre, cheio de inconsistências, vazios e concessões à burguesia imperialista e nacional. Dirão: em política tudo é tático, até a mentira. Castillo e demais candidatos congressuais se esforçam para parecer radicais, contestadores, mas não podem desmentir um programa que, no fundo, é uma proposta chavista, masista e correísta, que nunca rompeu com os laços burgueses capitalistas nos seus respectivos países: Venezuela, Bolívia e Equador. A receita é simples: “mudar algo, para que nada mude”. Na prática, mudanças de forma para evitar as mudanças de fundo.

Nós, trabalhadores, não podemos aceitar um programa que inclui o pagamento da dívida externa e interna do Peru. Com que dinheiro? Com a dos empresários? Não nos dizem. Nós, trabalhadores, não podemos aceitar um programa de renegociações, nacionalizações pela metade e com indenizações. Não podemos aceitar que se negocie com os empresários, sejam grandes, médios ou pequenos, os direitos dos trabalhadores. Nós, trabalhadores, não podemos aceitar que se fortaleça o Estado burguês, que também nos explora. Não podemos aceitar um programa reformista. Pedro Castillo e Peru Livre não representam os trabalhadores, porque rebaixam seu programa, o adaptam ao gosto da burguesia nacional e apenas se fingem de radicais para ganhar votos.

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