Venezuela: vacina para todas e todos já!

 

 

Por Partido Socialismo e Liberdade, seção venezuelana da UIT-QI

Tradução de Lucas Schlabendorff

 

Imposto sobre as grandes empresas nacionais e transnacionais!

Vacina para todas e todos!

 

Temos visto com enorme preocupação que vem ocorrendo um aumento significativo do número de casos de Covid-19 nas últimas semanas. O próprio governo fez eco dessa situação, declarando um cerco sanitário em Caracas, La Guaira, Miranda e Bolívar, ainda que, contraditoriamente, essa situação não se reflita nos dados diariamente informados sobre a pandemia no país, o que, sem dúvida, gera suspeita sobre a veracidade dos números divulgados publicamente.

Pelas redes sociais e meios de comunicação, médicas, especialistas e trabalhadores da saúde vêm informando sobre o crescimento de casos, a redução do número de leitos para hospitalização, assim como de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A situação atual de aumento do número de casos de Covid-19 possui sua origem, sem dúvida nenhuma, na flexibilização irresponsável que o governo fez durante o feriado de Carnaval, decretando supostos “Carnavais Bioseguros”. Agora estamos vendo as consequências dessa medida contraproducente.

 

O governo não tem um plano para aquisição de vacinas

 

Já existem no mundo várias vacinas contra a Covid-19, produzidas em diferentes países, e que vem sendo aplicadas com desigualdades, em meio à uma grande controvérsia devido às patentes controladas pelas grandes farmacêuticas. As pesquisas que resultaram nas vacinas foram financiadas em grande medida pelos Estados, mas agora os lucros ficam todos para as farmacêuticas, ao custo de milhões de doentes e mortos. Nesse contexto, nós, da UIT-QI, viemos impulsionando uma campanha internacional pela eliminação das patentes e por vacinas para todas e todos.

Em um contexto de aumento dos contágios, a questão da aquisição e aplicação das vacinas é um problema cada vez mais sensível e preocupante, devido à pouca transparência do governo a respeito.

No mês de fevereiro se informou que até final do ano se esperava ter vacinado 70% da população. Não fica nítido sobre que base se faz essa estimativa, já que não foi feito público nenhum plano de aquisição de vacinas, muito menos se informou de onde sairiam os recursos para sua compra.

O governo de Maduro segue insistindo em que se libere o ouro avaliado em cerca de 300 milhões de dólares que está no Banco da Inglaterra, no intuito de adquirir as vacinas do programa Covax da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-americana de Saúde. No entanto, a vice-presidente Delcy Rodriguez informou que não estava autorizada a aquisição de vacinas da AstraZeneca, questionada na Europa, que são as fornecidas pelo Covax. Esse fato gera ainda mais incertezas.

Maduro anunciou, no final de fevereiro, que em março se chegaria a um número significativo de vacinas, e reiterou que a vacinação massiva seria em abril, mas, até agora, chegaram somente 700 mil doses. Informou, além disso, que o governo adquiriu, por 200 milhões de dólares, 10 milhões de vacinas russas Sputnik V, as quais deveriam chegar nos próximos 4 meses, mas até agora chegaram apenas 200 mil.

Na Venezuela há cerca de 1 milhão de trabalhadores de saúde e 4 milhões e meio de idosos, que são os dois setores prioritários para a vacina. Ou seja, seriam imediatamente necessárias um total de 11 milhões de doses para vacinas todos eles. Se a esse número acrescentamos 500 mil professores, o total aproximado de profissionais da educação, estaríamos falando de 6 milhões de pessoas, para as quais seriam necessárias 12 milhões de vacinas.

No entanto, apesar do escasso número de vacinas que chegaram ao país, o governo incluiu entre os setores prioritários os policiais, militares, parlamentares e funcionários governamentais, algo que não foi feito em nenhum país.

 

Repudiamos as sanções dos EUA e da União Europeia

 

O Partido Socialismo e Liberdade repudia todas as sanções criminosas aplicadas pelos Estados Unidos e a União Europeia contra a Venezuela. Essas sanções, ao final das contas, tem como principal vítima o povo venezuelano, em especial os trabalhadores, trabalhadoras e setores mais pobres. Nesse marco, exigimos que o Banco da Inglaterra libere o ouro que mantém sequestrado em seus cofres. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos essa exigência, devemos ser responsáveis ao afirmar que nosso país não deveria se encontrar nesta grave situação social e econômica. Não são as sanções do imperialismo norte-americano e europeu a causa fundamental da catástrofe que nós venezuelanos e venezuelanas sofremos hoje.

Se nossa indústria petroleira e as empresas básicas da Guiana não estivessem estagnadas, destruídas pela corrupção, o burocratismo e a falta de investimentos… Se não se tivesse priorizado o pagamento da dívida externa, que serviu somente para financiar a corrupção e a fuga de divisas… Se empresas como Lácteos Los Andes, Café Fama de América, Agropatria, Abastos Bicentenario, entre muitas outras, não tivessem sido saqueadas para depois privatizá-las a preço de banana, a situação econômica e social do país poderia ser outra muito diferente, e não estaríamos hoje em meio à terrível tragédia social que nos aflige.

 

Por um Fundo Social de Emergência e um Plano Operário e Popular

 

Em rigor, estamos em uma situação de verdadeira emergência, acossados pela pandemia do coronavírus e a pandemia da fome e da brutal crise social que sofre o povo trabalhador. Diante situações extremas é necessário tomar medidas extremas. Nesse sentido, nós, do PSL, defendemos que é imprescindível construir um Fundo Social de Emergência para enfrentar a crise sanitária, a fome e para adquirir vacinas massivamente. Para isso, propomos aplicar um imposto progressivo sobre as grandes empresas nacionais e transnacionais, assim como ao setor bancário. Os grandes capitalistas e novos ricos do governo devem pagar pelas vacinas! Junto a essa medida urgente, propomos suspender o pagamento da dívida externa, assim como os gastos militares; além disso, confiscar os bens dos corruptos e repatriar o dinheiro confiscado no exterior de empresários e funcionários corruptos.

Esse fundo deve servir para impulsionar um plano de aquisição massiva de alimentos, insumos médicos e vacinas, para imunizar em primeiro lugar os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, idosos e professores, assim como para equipar os hospitais e habilitar mais leitos de UTIs.

O referido fundo de emergência deve ser parte de um Plano Econômico Operário e Popular alternativo aos “pacotaços” do governo. Nesse plano deve ser incluído o salário igual à cesta básica, renda emergencial para trabalhadores e trabalhadoras informais, e que o petróleo seja 100% estatal, sem transnacionais e nem empresas mistas.

Devemos nos mobilizar por isso e também pela liberdade para todos os trabalhadores e trabalhadoras detidos por lutar e defender os seus direitos.

 

 

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