EDITORIAL | Seguir o exemplo colombiano | Combate Socialista nº 129

Os trabalhadores e o povo da Colômbia estão protagonizando uma revolta popular. Cansados dos planos de ajuste e da repressão do governo ultrarreacionário de Iván Duque, eles decidiram protestar. Utilizaram a convocação de uma greve nacional, no final de abril, para ocupar as ruas e dizer NÃO aos planos de ajuste, obtendo a retirada da reforma tributária (veja as páginas centrais). O governo Duque, amigo de direitistas como Trump e Bolsonaro, respondeu com uma brutal repressão que precisa ser repudiada. Apesar de tudo, a revolta popular continua e merece apoio e solidariedade para poder triunfar. Corretamente, a CSP-CONLUTAS, a CUT e outras centrais e sindicatos organizaram uma ação de solidariedade em frente à embaixada colombiana em SP. Precisamos realizar ações como essas em todas as capitais, mesmo onde não há consulados.

Justiça para Jacarezinho

No Brasil, também vivemos sob um governo ultrarreacionário, responsável pelo genocídio da COVID-19 e da fome. A CPI no Senado está demonstrando o que já estava sendo denunciado: que as ações do governo Bolsonaro/Mourão responderam a uma concepção negacionista e, por isso, estamos com mais de 420 mil vítimas (segundo os dados oficiais subnotificados). Por outro lado, sofremos a repressão das forças armadas. Na semana passada, a Polícia Civil executou 27 pessoas da comunidade na favela do Jacarezinho, a maior chacina policial da história da cidade do Rio de Janeiro (ver página 4). Desrespeitou-se decisões da própria Justiça contra operações policiais nas favelas. Uma ação que tem como responsável, além da Polícia Civil, seus policiais e delegados, o governador Claudio Castro. O presidente Bolsonaro e o vice, general Mourão, aplaudiram os policiais e a chacina. São governos genocidas, que comandam tropas sanguinárias. Tudo em meio ao pior momento da pandemia, que afeta sobretudo os moradores das periferias. Felizmente, o povo negro resiste e realizou manifestações na favela e na Cidade da Polícia/RJ, em conjunto com movimentos e partidos de esquerda. A Coalizão Negra também organizou protestos em São Paulo e organizou o dia 13 de maio. Um dos cartazes colombianos afirmava: “Se um povo sai a protestar em meio a uma pandemia, é porque o governo é mais perigoso que o vírus”. Essa é exatamente a mesma situação que enfrentamos aqui.

Organizar uma jornada de lutas unificada

Para não morrer pelas balas da polícia, pela COVID-19 ou de fome, para impedir que o massacre do Jacarezinho fique impune, é preciso organização e luta coletiva, tal qual ocorre na Colômbia. Esse caminho também foi utilizado pelo povo paraguaio, quando no mês de março protestou massivamente contra a falta de vacinas, o ajuste fiscal e a corrupção do presidente Mario Benitez. Ano passado, foi também o que ocorreu nos EUA: uma revolta popular que determinou a derrota de Donald Trump e pressionou pela condenação do policial racista que assinou nosso irmão George Floyd.

Em nosso país, temos que aprender com essas experiências e fomentar a unificação dos protestos que estão a ocorrer de forma fragmentada, buscando sua unificação. Coordená-los, a partir de uma jornada nacional de lutas, exigindo punição dos responsáveis pela chacina, com exoneração dos policiais e delegados envolvidos, a destituição do secretário de segurança e do governador, o fim imediato do CORE (batalhão responsável pela operação); exigir vacinas, salário, auxílio emergencial, fim das privatizações e demissões e reposição das perdas salariais, o não pagamento da dívida e a taxação das grandes fortunas, além da solidariedade à revolta popular na Colômbia e às lutas que ocorrem no Brasil.

É preciso exigir que as Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular convoquem uma forte plenária nacional para organizar um efetivo calendários unificado em conjunto com a coalizão negra por direitos, os movimentos feminista e LGBTs; com as campanhas salariais da CUT e CTB e sindicatos, como dos metroviários de SP, para organizar uma efetiva oposição nas ruas e defender nossas reivindicações sociais, sanitárias e democráticas.

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