EDITORIAL | Vamos com os estudantes: após 24/07 construir a manifestação no 11 de agosto | Combate Socialista nº 134

Vamos com os estudantes: após 24/07 construir a manifestação no 11 de agosto

O dia 24 será a nova data de manifestação nacional unificada, votada na V Plenária de Organização das Lutas Populares da campanha Fora Bolsonaro. As mobilizações continuam gerando crises políticas no governo, na CPI, indicações de Bolsonaro ao STF e escândalo do propinoduto das vacinas. O governo Bolsonaro/Mourão, seus ministros militares e banqueiros se desgastam.

Apesar deste cenário, o ajuste continua. A privatização da Eletrobras é um exemplo. Do mesmo modo que a projeto de privatização dos Correios ou a reforma administrativa (PEC 32). Ou seja, mais do que nunca precisamos enfrentar as privatizações, o arrocho salarial e o alto custo de vida (carestia de alimentos, tarifas, combustíveis), combatendo a política desse governo de militares ladrões e do Congresso Nacional privatista. Por isso, os trabalhadores precisam entrar enquanto classe nesses protestos.

Construir o 24 com assembleias e organizar os trabalhadores nas manifestações

Dessa vez, a pressão nas bases impôs que o conjunto das centrais convocasse o dia 24 com os eixos de “Auxílio de 600 reais, Vacina Já para todos, contra o Desemprego e Carestia e Fora Bolsonaro! ”. Exigimos da CUT, CTB e demais centrais que passem das moções virtuais às ações concretas, convocando assembleias democráticas, realizando atrasos e paralisações e organizando colunas dos sindicatos nos protestos nacionais do dia 24. Para isso, devem se apoiar em categorias em campanha salarial como Correios, em setores em preparação de mobilização como os federais e categorias em luta como os ferroviários de SP que realizaram recentemente uma paralisação.

O general Mourão e a cúpula do exército são nossos inimigos

A direção majoritária do PT e da CUT tenta restringir a crise ao presidente Bolsonaro e busca livrar a cara do vice General Mourão e do alto comando do exército. Um exemplo recente dessa política são as recentes declarações de Márcio Pochmann e Wagner Freitas, o primeiro é dirigente do PT e o segundo é vice-presidente da CUT. Marcio Pochmann, afirmou que as declarações de Mourão na última segunda (12) de que “vai ter eleição” em contraste com as declarações de Bolsonaro de que eleição sem voto impresso seria “fraude” é indício de que o presidente perdeu apoio. Pochmann embeleza o vice-presidente ultrarreacionário e defensor dos torturadores de 1964 e tenta transformar um inimigo de nossa classe e das liberdades democráticas em um suposto “democrata”. A absurda defesa da cúpula militar fica por conta de Wagner Freitas. Ele afirma que “O dever das Forças Armadas é constitucional. Ela foi concebida para proteger o Brasil de invasões estrangeiras, inimigas e hostis, é vigiar e proteger as novas fronteiras” (cut.org). O dirigente da CUT embeleza as Forças Armadas, instituições dos golpes militares contra a classe trabalhadora, com torturas, fechamentos dos sindicatos e da UNE, da ditadura militar de 1964 e da militarização das favelas. O dirigente da CUT inventa que as Forças Armadas não estavam no Ministério da Saúde para “roubar”, mas sim que um determinado “coronel” “individualmente” está sob suspeita e insiste que isso não significa que se trata de “toda a corporação”. Um absurdo, pois o governo está recheado de militares e o alto comando integra o movimento bolsonarista, não por acaso reagiram fortemente perante as denúncias de corrupção levantadas pela CPI.

A necessidade de uma ampla unidade de ação contra a extrema direita, nas ruas, com passeatas, é correta e somos parte dela. Isso não significa livrar a cara de quem quer que seja. Se trata de UNIDADE na LUTA para derrotar nosso inimigo, atuando em comum com tudo e todos, pontualmente, para MOBILIZAR contra esse inimigo. Não é um conchavo palaciano com os bolsonaristas genocidas e militares autoritários e corruptos, que seguem governando com Bolsonaro e integram o atual governo.

 Dia 11 de agosto dar continuidade a luta

O fundamental é seguir protestando. Após o dia 24 é preciso que a CUT e demais centrais concretizem o calendário que elas mesmas divulgaram de nova manifestação nacional em agosto com passeatas e paralisações, o que a CUT chama de “Dia Nacional de Luta com paralisações”. Uma data para concretizar essa nova jornada nacional é o dia 11 de agosto votado pelo congresso da UNE.

O CONUNE deliberou convocar “os estudantes e todas as entidades nacionais e de base, para a construção do 11 de agosto em defesa da educação. No dia dos estudantes, vamos demonstrar nosso protagonismo na luta contra Bolsonaro para reverter os cortes, as intervenções e derrubar o genocida!” (une.org). É preciso convocar urgentemente a VI Plenária de Organização das Lutas Populares da campanha Fora Bolsonaro para dar continuidade a luta e debater um plano econômico emergencial. É necessário mobilizar apresentando um plano alternativo para superar a crise e os ataques aos direitos dos trabalhadores.  Para investir em salário, emprego, vacina, saúde, é preciso deixar de pagar a dívida aos banqueiros e taxar os mais ricos, assim como enfrentar a reforma administrativa e a privatização dos serviços públicos, como dos Correios (ver as páginas centrais) e confirmar unitariamente o dia 11 de agosto.

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