EDITORIAL | Marcar novas manifestações pelo Fora Bolsonaro e Mourão | Combate Socialista nº 137

Esta edição do Combate Socialista sai às vésperas das manifestações do 7 de setembro e nós estamos organizando trabalhadores e jovens para esse protesto pelo Fora Bolsonaro e Mourão e exigindo continuidade das lutas. Estaremos nas ruas contra a extrema direita bolsonarista, exigindo aumento de salário, um plano de geração de empregos, a redução do preço dos alimentos e das tarifas de transporte, aluguel, luz e combustível e o fim das privatizações e dos projetos que destroem os serviços públicos.

Não existiu uma verdadeira independência

O 7 de setembro é a data em que os governantes, empresários, militares e fazendeiros falam de uma suposta “independência”, mas ela não existe na prática. Deixamos de ser uma colônia de Portugal, mas passamos a ser explorados por outras potências capitalistas, hoje lideradas pelos EUA. São as empresas multinacionais e os capitalistas nacionais associados a eles que impedem que sejamos realmente independentes. Um exemplo: não temos independência para produzir 100% das vacinas aqui no Brasil porque as empresas estrangeiras e as instituições como a OMC (Organização Mundial do Comércio) nos proíbem através das patentes dos produtos farmacêuticos. Mas o pior é que, depois de séculos de exploração e colonização, tivemos de comprar essa independência fajuta. Ou seja, após os massacres aos povos ancestrais que aqui habitavam, após a escravidão do povo negro, após abusos aos trabalhadores, tivemos de comprar “o direito” de não ser uma colônia, algo absurdo. Mas foi assim que ocorreu e nesse processo adquirimos uma dívida externa imensa.

A dívida externa é imoral, ilegal, ilegítima e impede que sejamos realmente livres

Essa dívida cresceu durante da Ditadura Militar de 1964, em que não havia liberdades democráticas e ninguém podia ser oposição aos generais. Essa mesma dívida – contraída por uma imposição de um império colonial e aumentada numa ditadura – hoje em dia é que consome quase metade do orçamento federal e impõe restrição dos investimentos nas áreas sociais. Para pagá-la é que reduziram o auxílio emergencial, deixando nossos irmãos trabalhadores com fome e frio nas ruas das cidades. Para enviar mais dinheiro aos banqueiros e ao sistema financeiro é que querem vender os Correios e acabar com os serviços públicos (a chamada Reforma Administrativa). Do mesmo modo é que Bolsonaro e o Congresso Nacional, subservientes às empresas, querem acabar com os direitos trabalhistas.

Bolsonaro e a extrema direita querem um Brasil explorado e oprimido pelos capitalistas

A extrema direita e os militares vão para as ruas no dia 7 de setembro, convocados por Bolsonaro. Eles saem às ruas defendendo a ditadura de 64 e têm o objetivo de manter Bolsonaro no poder. São parte dos que defendem um Brasil atrelado ao capitalismo que nos aprisiona. Na prática, o que eles defendem é um Brasil explorado e oprimido pelas multinacionais e empresários capitalistas.

Não é hora de recuar

Infelizmente, a maior parte das oposições está recuando. As cúpulas da CUT, CTB, UNE, do PT, PCdoB, PDT, PSB e a ala majoritária do PSOL estão puxando o freio de mão dos protestos. Alguns estão desconvocando as manifestações. Um desserviço à luta contra a extrema direita. Ademais, estão em busca de pactos e conchavos com setores da direita e da extrema direita, vide o recente voto em Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República. A carta dos governadores pedindo “diálogo” com Bolsonaro, tendo como porta-voz Wellington Dias, do PT, mostra que a estratégia do maior partido da oposição está errada. Não mobilizar para derrotar o atual presidente e tentar esse diálogo com defensores da ditadura é totalmente equivocado. Com a extrema direita golpista não há diálogo possível: ou os derrotamos ou eles nos derrotam. Essa é uma estratégia que somente pode organizar derrotas, como as recentes votações de privatizações dos Correios e Eletrobras, bem como dá terreno para o autoritarismo da extrema direita.

Exigimos da CUT, UNE, MTST, Lula, Boulos e governadores da oposição

Propomos aos trabalhadores e jovens que seja feita uma forte exigência para que a cúpula da CUT, CTB, UNE, MTST, Lula, Boulos, os governadores do PT e PCdoB abandonem a linha de passividade e imobilismo e fortaleçam a ação direita nas ruas e nos locais de trabalho, jogando seu peso num movimento do conjunto da classe trabalhadora. O momento é de intensificar as lutas, convocar a VII Plenária Nacional de Organização das Lutas Populares para reorganizar os próximos calendários nacionais de luta unificada da campanha Fora Bolsonaro.

É hora da CUT e das centrais sindicais marcarem a data efetiva da jornada nacional de manifestações e paralisações que foi votada por elas mesmas para agosto e que ainda não foi concretizada. É hora da UNE convocar urgentemente um conselho de entidades de base para marcar uma nova jornada de lutas estudantis.

Lutar por um Brasil socialista

Além da luta unificada, precisamos de uma alternativa política de independência de classe, que, em nossa proposta, é uma Frente de Esquerda e Socialista nacional. Nós, da CST, propomos que essa frente agrupe o PSOL, UP, PCB e PSTU. Para construir uma alternativa aos representantes das multinacionais, dos empresários capitalistas e os políticos e governantes que os representam. Para que realmente possamos conquistar uma efetiva soberania nacional e ser definitivamente independentes, rompendo com o pagamento da dívida externa e interna. Para fortalecer a organização da classe trabalhadora e dos setores populares, que é o que pode, efetivamente, garantir nossa libertação. Para construir um governo da classe trabalhadora e dos setores populares, que rompa com o imperialismo, rumo à construção de um Brasil socialista.

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