O “Novo” Ensino Médio e os ataques aos direitos da juventude e dos profissionais da educação

Mariana Nolte, CST RJ

Bolsonaro e seus ministros reacionários, que acham que pobre não tem que ir para a universidade e que pessoas com deficiência não devem ser incluídas, promoveram um aumento da desigualdade educacional. Das 4 milhões de pessoas que abandonaram os estudos em 2020, 54% pertenciam as classes D e E, sendo as principais causas os problemas financeiros e as dificuldades com o ensino remoto (DataFolha). Esse grave problema educacional tem raízes na política genocida do Planalto e dos governadores. Poderia ter sido evitado não só com investimentos em acesso a recursos tecnológicos, mas também com políticas efetivas de combate à pandemia e garantia de emprego, renda e vacinação. Porém, o que vemos são novos ataques aos direitos trabalhistas e aos serviços públicos em curso. A corrida pela aplicação do Novo Ensino Médio (NEM) está diretamente relacionada a isso e, por isso, também deve ser enfrentada com a nossa mobilização.

Um currículo a serviço da superexploração da juventude

Sob o discurso de “inovação” e “protagonismo juvenil”, o NEM esconde uma proposta educacional a serviço da superexploração, com tentáculos nos planos ideológico e econômico. Não à toa, é apoiado por grandes empresas, políticos e partidos patronais. Componentes curriculares como “projeto de vida” e “habilidades socioemocionais” pretendem inculcar nos jovens a ideia de que seu sucesso depende de um bom planejamento individual e de controle emocional. Essas “disciplinas” não só substituirão as “subversivas” Geografia, História, Sociologia e Filosofia, mas também a Física, a Química, a Biologia, conhecimentos que permitem ao estudante olhar o mundo científica e criticamente. O próprio ensino de Línguas e de Matemática é reduzido a uma simples decodificação, algo que, certamente, não acontecerá nas grandes escolas privadas. A formação técnica de baixo custo tem relação direta com a formação de uma força de trabalho barata e sem direitos. Basta ver o boom de “técnicos em empreendedorismo” em escolas públicas. Tudo isso também ocorre no marco de tentativa de aprovação da PEC 32 e de um arrocho salarial brutal.

As mudanças curriculares não têm impacto somente nas condições de trabalho mais imediatas dos profissionais de educação (número de turmas, escolas). Combinadas à PEC 32, podem significar demissões, redução salarial e privatização.

Por uma campanha contra o NEM vinculada à luta contra a PEC 32 e o arrocho salarial

Essa “boiada”, sem dúvidas, não estaria tão avançada se não fosse a paralisia conveniente das direções sindicais da educação. A direção da CNTE (PT e PCdoB), assim como de grandes sindicatos (SEPE-RJ, APEOESP, CEPERS), nada fizeram ou fazem para enfrentar a Reforma do Ensino Médio, o arrocho salarial e a própria PEC 32. Consideram os governos da “frente ampla” como progressistas ou aliados e acabam não organizando lutas efetivas contra eles.

É muito importante que os trabalhadores da educação exijam de seus sindicatos que parem de corpo mole. Depois de não terem feito nada, muitos desses dirigentes dizem que essa é uma luta perdida. Para nós, a única luta que já está perdida é aquela que não se faz. Por isso, defendemos uma ampla campanha contra a implementação do NEM, que organize pela base os trabalhadores da educação básica, vinculando essa pauta às lutas por salário e contra a PEC 32, e que se articule também com sindicatos da educação superior e entidades estudantis.

 

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