Quem ataca direitos não é bem-vindo!

Nota da juventude Vamos à Luta sobre a participação de Rodrigo Pacheco (DEM) na cerimônia de posse da nova diretoria da UNE

No dia 25/08, aconteceu a posse da nova diretoria da União Nacional dos Estudantes. A majoritária da entidade definiu a realização de um ato híbrido, com presença no Salão Negro do Congresso Nacional, enquanto parte dos diretores se integrou remotamente pela plataforma Zoom. Desde o início, colocaram-se contrários às falas de todos os diretores que seriam empossados e a prioridade de intervenção (que durou mais de duas horas) foi dada aos parlamentares do campo da direção majoritária da UNE (PCdoB, PDT, PT e PSB) e, pior ainda, ao Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM).

A participação escandalosa de Pacheco e sua fala, saudando a “democracia” e se comprometendo a dialogar permanentemente com a presidência da UNE, fez parte do objetivo da atividade realizada em Brasília. A majoritária da entidade priorizou a entrega de uma carta a Rodrigo Pacheco e aos “poderes” em que busca um pretenso acordo de defesa da educação e da juventude brasileira.

A carta traz análises e denúncias corretas sobre os ataques que a juventude tem sofrido, mas recorre justo aos aplicadores desses ataques, fazendo-lhes “alertas”, como se estes desconhecessem suas próprias ações. Afinal, o DEM, de Rodrigo Pacheco, é o mesmo que vota as Reformas que atacam nosso povo e cuja bancada na Câmara, recentemente, ajudou a aprovar a MP 1045.

Ao invés de chamar para a luta e construir pela base o dia 7 de setembro, mostrando a urgência de continuarmos uma agenda de mobilizações até que caia Bolsonaro e todo o seu governo, a linha da majoritária é propor uma conversa com os representantes da burguesia:

“Clamamos por um comprometimento dos poderes com a defesa da educação e da juventude, alicerce do desenvolvimento do nacional. (…) Por vida, pão, vacina e educação, reivindicamos uma audiência pública com os chefes dos Poderes, para que possamos ser ouvidos e atuarmos em conjunto na construção de saídas para os estudantes brasileiros.” Carta aos Poderes, UNE (grifos nossos)

O erro profundo dessa política já foi demonstrado horas depois da cerimônia de posse. Rodrigo Pacheco negou outro pedido de impeachment, depois de se “comprometer” com o futuro dos estudantes e receber calorosos agradecimentos da majoritária da UNE.

Criar expectativas sobre figuras como Pacheco é desarmar o movimento estudantil e conduzi-lo a derrotas. Foi assim quando as centrais sindicais “confiaram” que Rodrigo Maia não colocaria em pauta a Reforma Trabalhista de Temer, aprovada em 2017. Agora, PT e PCdoB recorrem à mesma política desastrosa, apostando em dialogar com Pacheco para que ele não paute a MP 1045, e a majoritária da UNE reproduz a mesma política, tentando levar os jovens a acreditarem nisso. Não é a primeira vez que a entidade conta com figuras da direita ou do empresariado em suas atividades.

As falas dos demais parlamentares e das diretorias que foram permitidas a se manifestar apontaram para a unidade do “campo democrático e popular”, apontando a perspectiva de resolver os problemas com as eleições de 2022. Trata-se de uma política que está a serviço de garantir a frente ampla para eleger Lula e justificar suas costuras com a direita e os capitalistas.

Num momento de duros ataques à juventude, a exemplo dos programas contidos na MP 1045, dos cortes sucessivos na educação e da evasão brutal que nos assola nas universidades, pela necessidade do trabalho e da sobrevivência na crise que vivemos, é inaceitável que a UNE proponha um diálogo pacífico com os responsáveis pela nossa realidade. É papel da maior entidade de representação dos estudantes ocupar as ruas e enfrentar Bolsonaro na luta. Infelizmente, a UNE não aposta em construir as mobilizações pela base e segue apostando na linha equivocada de que é possível dialogar com os nossos inimigos.

A saída para garantir educação, emprego, salário, vacina e um futuro digno para a juventude pobre e trabalhadora não passa por apostar nossas fichas em conciliações ou manobras institucionais.

Nós, da Juventude Vamos à Luta, seguiremos apostando na unidade nas ruas, na necessidade de seguir o exemplo dos nossos companheiros indígenas, que estão lutando bravamente contra o marco temporal, e dos trabalhadores, que protagonizam importantes greves pelo Brasil. Estivemos na posse de maneira remota com a nossa diretoria, que estará a serviço das lutas unitárias entre a classe trabalhadora e a juventude, até que caia Bolsonaro e todo o seu projeto. Por isso, rechaçamos a participação de Rodrigo Pacheco na posse da diretoria da entidade, enquanto apenas dois companheiros da Oposição de Esquerda puderam falar. Reivindicamos que a UNE seja construída democraticamente pelos estudantes e pelos lutadores de todo dia, que organizam a oposição consequente a Bolsonaro. Nesse sentido, exigimos que a majoritária da UNE construa com plenárias, assembleias e atividades na base o dia 7 de setembro e chamamos todos os estudantes a estarem conosco nessa batalha pela esquerda!

 

 

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