Movimento estudantil: é preciso retomar as ruas no dia 02 de Outubro!

Isadora, Diretora da UNE/Oposição de Esquerda

Bolsonaro e os barões da educação seguem com seu projeto de destruição da educação pública. A nível federal, assistimos o avanço da Reforma Administrativa, que ataca o serviço público em todas as suas esferas e ameaça a existência, a autonomia e a qualidade de ensino das universidades, bem como os direitos de seus trabalhadores.

Também há ataques diretos à existência das universidades, como observamos no PL de autoria do deputado Anderson Moraes (PSL-RJ), que visa a extinção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro ao propor a transferência de seu patrimônio e de seus estudantes à iniciativa privada.

Esses ataques são parte do mesmo projeto que não permite que os filhos da classe trabalhadora entrem e permaneçam nas universidades públicas. Há demonstrações expressivas desse projeto hoje: a menor inscrição de estudantes negros e de baixa renda no ENEM; o corte brutal de verbas das universidades, que põe em risco a manutenção de vários campi Brasil afora, e o desmonte da Assistência Estudantil. Neste momento, muitas reitorias, a exemplo da UFU, anunciam o retorno híbrido das aulas, sem garantia de Restaurante Universitário, Moradia Estudantil ou Intercampi, debate que temos que travar e exigir que os estudantes possam se alimentar, morar e se transportar dignamente enquanto estudam.

Frente a esses ataques, é urgente a construção de novos calendários de luta por emprego, salário, vacina e educação! Os estudantes indignados foram protagonistas nos atos desde o 13 de maio deste ano, demonstrando com coragem a urgência de voltar às ruas para garantirmos nossas vidas, futuro e sonhos.

Por isso, vemos que é urgente mudar o rumo assumido até aqui pela UNE, UBES e ANPG. As direções majoritárias dessas entidades têm pisado no freio das mobilizações. O ato do dia dos estudantes, apesar de convocado com quase um mês de antecedência, só foi amplamente divulgado nas vésperas e com escassas atividades de mobilização. O mesmo se viu na mobilização do Grito dos Excluídos (ver editorial) que poderia ter sido muito melhor e maior.

Agora que temos uma nova data nacional definida, o dia 02 de outubro, as direções precisam colocar a mão na massa! É preciso convocar imediatamente uma nova plenária nacional de entidades de base para organizar e mobilizar os estudantes, orientando a realização de assembleias e conselhos de entidades de base nas universidades, Institutos Federais e Escolas.

As ameaças golpistas de Bolsonaro precisam ser combatidas nas ruas. É preciso defender nossas vidas hoje, concretamente, batalhando por uma universidade para todos e assegurando o enfrentamento àqueles que nos querem fora dela, e isso inclui não somente o bolsonarismo, como também a oposição de direita e os representantes dos barões da educação no Congresso, a exemplo de Tabata Amaral (PDT).

Defendemos a unidade com a classe trabalhadora, construindo calendários unificados para pôr para fora Bolsonaro, Mourão e todo seu projeto que tem como objetivo o massacre e a miséria dos trabalhadores e da juventude brasileira. Exigimos que a UNE convoque e construa o dia 2 de outubro e os próximos calendários junto às demais direções do movimento de massas. Só assim derrotaremos Bolsonaro, seu governo e todo o seu projeto alinhado aos interesses do capitalismo-imperialismo!


 

Plenária do Vamos à Luta debateu um programa e mobilizou a juventude contra o bolsonarismo

Lucas e Granato, Juventude Vamos à Luta

Socialismo ou catástrofe, foi com esse tema que, no dia 4 de setembro, a Juventude Vamos à Luta debateu – com mais de 60 estudantes – as saídas para a profunda crise que vive a juventude. Os jovens trabalhadores brasileiros convivem com 46% de desemprego, abandonaram os estudos durante a pandemia e se veem sem perspectiva de futuro diante da crise capitalista, aprofundada pela pandemia. Por isso, tivemos a iniciativa de realizar a necessária discussão de um programa econômico alternativo pautado nas necessidades da juventude, que quer ter o direito à felicidade.

 

Os relatos dos estudantes dos quatro cantos do país confirmam que os cortes na educação, a retirada de direitos trabalhistas e o sucateamento da cultura, lazer e esporte afetam o nosso presente e nos colocam em um beco sem saída diante do governo de extrema direita de Bolsonaro e Mourão.

 

Além da discussão, a plenária se propôs a encaminhar tarefas para intervirmos de forma organizada na realidade a fim de transformá-la. Um dos encaminhamentos foi a realização de uma campanha, em forma de abaixo-assinado, com o nome “Entrar e permanecer, a universidade é para todos! Fora Bolsonaro/Mourão e Milton Ribeiro!”, como uma forma de repudiar as recentes falas do Ministro da Educação bolsonarista, que afirmou que a universidade deveria ser um lugar para poucos. O outro encaminhamento foi a construção e participação em peso nos atos pelo Fora Bolsonaro no dia 7 de setembro, o Grito dos Excluídos. Dessa forma, a plenária serviu para mobilizar contra o Bolsonarismo, em um momento em que, lamentavelmente, a maior parte das direções da campanha Fora Bolsonaro estava desmobilizando os protestos.

 

Para salvar o nosso futuro precisamos seguir batalhando nas mobilizações contra o governo, pela revogação da EC 95, pelo não pagamento da dívida pública e pela taxação das grandes fortunas e cerrar fileiras com os trabalhadores em luta contra as privatizações. A plenária que realizamos demonstrou que existe um programa e disposição para isso.

 

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