Incêndios devastam a natureza e custam caro para o povo trabalhador

 

*Cindy Ishida – estudante de Geografia da UFMG e militante da Juventude Vamos à Luta

 

O tempo seco agrava os incêndios que atingem as matas nativas de Minas Gerais. A quantidade de focos no estado passou dos 200 em apenas 15 dias. Além de Minas, incêndios de grandes proporções atingem a Chapada dos Veadeiros (GO). É preciso ressaltar que, embora a estiagem prolongada seja característica do Cerrado nesta época do ano, muitos desses incêndios são provocados por ações criminosas e se espalham rapidamente, sem controle. Os últimos dias foram marcados por torneiras vazias em várias cidades mineiras, a situação hídrica é cada vez mais incerta. O município de Bugre está em racionamento e Ituiutaba decretou estado de emergência. Além disso, diversas cidades da região metropolitana de BH sofreram por dias com o desabastecimento.

Os topos de morros e serras, símbolos de nossa paisagem, são, também, áreas de recarga de mananciais, permitindo que as nascentes sejam reabastecidas. Por isso o Cerrado é chamado de “berço das águas”. No entanto, ele tem sido um dos biomas mais devastados nas últimas décadas. Um crime contra todos os sul-americanos. Isso porque ficam em risco as nascentes de alguns dos maiores rios do nosso continente: o São Francisco e o Paraná/ Prata.

 

A devastação ambiental pode contribuir para o aumento da conta de luz

 

A devastação da vegetação nessas áreas agravam as secas. Isso acontece porque, quando chove sobre área vegetada, a água é retida por mais tempo, penetrando na terra em direção aos aquíferos. Sem ela, a água escorre rápido, aumentando a erosão e agravando alagamentos urbanos e enxurradas.

O desmatamento que é gerado após esses incêndios a longo prazo intensifica a Crise Hídrica, que faz com que nossas contas de luz tenham ficado mais caras. É urgente que haja um plano de reflorestamento nas áreas que sofreram queimadas ou desmatamento, senão as contas de luz irão de mal a pior e o meio ambiente também.

 

Isso é consequência de uma política ambiental criminosa

 

Mesmo com esses graves problemas ambientais, a prioridade de Zema (governador de MG do NOVO) tem sido a tentativa de ampliar os territórios da mineração exatamente sobre essas áreas de recarga. Por isso, nos somamos ao movimento pelo Tombamento da Serra do Curral e dizemos não à mineração.

O vexame de Bolsonaro na ONU, que mentiu a respeito do investimento em preservação ambiental é flagrante. É preciso colocá-lo para fora junto com seus ministros que incentivam a continuidade dos crimes ambientais.

Por isso, nos somamos aos ativistas que mobilizaram a Greve Global pelo Clima no último 24 de setembro, que mobilizou jovens em 86 países, exigindo que os governantes tomem ações reais para o cumprimento dos propósitos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Não existe Planeta B e as consequências já estão sendo sentidas agora.

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