EDITORIAL | Não é hora de trégua, nem de fazer corpo mole | Combate Socialista nº 141

A vida está difícil. Tudo caro e a grana cada vez mais curta. A gasolina já acumula alta de 74%. A carne aumentou cerca de 30%. A ampla maioria dos acordos coletivos ficaram abaixo da inflação. Muitas categorias amargam perdas de vários anos, como os servidores e trabalhadores estatais, como os garis. As bolsas estudantis estão congeladas desde 2013. O fim do auxílio emergencial vai excluir aproximadamente 22 milhões de pessoas que ficarão sem benefícios.

São muitos irmãos e irmãs trabalhadores que estão passando fome. Dramas como o de Rosangela Sibele, presa por pegar dois pacotes de miojo, um refrigerante e um pacote de suco num supermercado em Vila Mariana/SP. Tentava alimentar os filhos e amenizar sua fome.

Mas a crise não é pra todos. Tem um pessoal que lucra arrancando o couro do povo trabalhador. São os novos 42 bilionários amigos do Ministro Paulo Guedes, que aumentaram seus lucros na pandemia. O presidente Bolsonaro e o general Mourão reajustaram os salários dos militares (seus próprios rendimentos) em mais de 60% no mês de junho.

Os governadores e prefeitos do PSDB, DEM e MDB são cúmplices de Bolsonaro

A velha direita tucana, que governa muitos municípios e estados, tem certas diferenças com algumas propostas autoritárias da extrema direta. Mas, no tema do ajuste fiscal e da crise social, estão inteiramente de mãos dadas com Bolsonaro. A aprovação de pacotes que retiram direitos da classe trabalhadora no Rio de Janeiro, São Paulo e Pará é um exemplo do que falamos. Em meio à pandemia, com mais de 600 mil mortes, com a crise social crescente, não há justificativa para atacar o povo trabalhador e desmontar os serviços públicos. PSDB, DEM e MDB querem mostrar serviço aos banqueiros e seguir pagando a absurda dívida externa e interna que consome quase metade do orçamento nacional e estrangula governos estaduais e municipais.

Plano de luta contra a fome, desemprego e arrocho

As direções majoritárias da CUT, UNE, MST e MTST, ao invés de fortalecer a luta unificada, estão puxando o freio de mão dos protestos. Essas direções, do PT, PCdoB, PDT e do campo majoritário do PSOL, comandam a cúpula da campanha unificada “Fora Bolsonaro” e acabam de desmontar a manifestação do dia 15 de novembro. Além disso, não foram consequentes na luta contra os pacotes estaduais e municipais. Uma política de conciliação de classes que só favorece Bolsonaro e a velha direita.

Nós, da CST, estamos junto ao Povo na Rua propondo a continuidade das lutas. No último dia 23, foram as ações nas periferias, no dia 28 foram as ações dos servidores federais. No interior da campanha “Fora Bolsonaro”, estamos propondo uma nova jornada nacional massiva contra o governo Bolsonaro e Mourão, contra os ajustes fiscais dos governadores e prefeitos, contra a Reforma Administrativa e a privatização dos Correios. Pelo reajuste do salário, das bolsas estudantis e redução dos preços dos alimentos e demais tarifas. Pela taxação dos bilionários e o não pagamento da dívida para garantir recursos para auxílio emergencial massivo, plano de geração de empregos e investir nos serviços públicos e nas estatais. Por reforma agrária sob controle dos sem-terra, em defesa da demarcação das terras de nossos povos ancestrais, pelo fim da violência policial contra o povo negro, pelos direitos da população LGBTQIA+ e em defesa das pautas feministas.

Ao lado dessa tarefa, de uma ampla unidade de ação, nós também estamos empenhados na construção de uma Frente de Esquerda e Socialista; um polo, bloco ou campo que agrupe tudo e todos que não estão na frente ampla com os patrões. Para favorecer a luta por um governo da classe trabalhadora, rumo a um Brasil socialista.

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