EDITORIAL | Construir o dia 20 com passeatas unificadas | Combate Socialista n°142

O mês de novembro mal começou e o salário já foi embora. A conta de luz e o gás de cozinha mais caros, preços absurdos no supermercado e juros dos bancos sufocam o povo trabalhador. O fim do auxílio emergencial, realizado pelo governo Bolsonaro/Mourão, além de excluir milhares de pessoas, vai produzir o calote nos precatórios (o dinheiro que devemos receber quando ganhamos ação na Justiça relacionada ao governo). Tudo em meio a uma pandemia que não tem fim e quando muitos enfrentaram o atraso de sua segunda dose. Não dá pra continuar assim!

Enquanto o povo sofre, os bilionários estão lucrando

Mas os de cima estão bem. Os patrões estão lucrando, os banqueiros fazendo farra e as multinacionais mandando lucros pro exterior. O governo Bolsonaro, o Congresso Nacional, governadores e prefeitos (incluindo PSDB, DEM, MDB) estão de mãos dadas com os capitalistas e contra os trabalhadores. Para sair da crise, só podemos contar com nossas próprias forças.

Infelizmente, as direções majoritárias da campanha Fora Bolsonaro (a cúpula da CUT, UNE, MST, CTB) e partidos da oposição (PT, PCdoB, PDT, ala majoritária do PSOL) estão vacilando. Desmontam e dispersam calendários e não constroem a necessária luta nas ruas e nos locais de trabalho (ver páginas centrais). É preciso exigir, em cada reunião e assembleia, a unificação dos calendários, sobretudo um forte e unificado dia 20 de novembro com o movimento negro.

O povo negro vai protestar no dia 20 de novembro

O povo negro é um dos mais atacados pela crise social e pela pandemia. Os piores salários e os menores direitos. Os que mais morrem pelas balas das polícias, Covid-19 e fome. Por isso, o dia 20, data da consciência negra, será um dia de protestos. E precisamos que seja unificado, com passeatas únicas nas principais cidades, sem divisão e dispersão. Nessa data, buscar organizar ações nos locais de trabalho para ganhar mais e mais trabalhadores para esse movimento de protesto unitário. Dentro da campanha Fora Bolsonaro e dos movimentos, essa é nossa batalha.

Por medidas urgentes contra a fome, o desemprego, as mortes e o arrocho

Em meio à batalha pela construção do dia 20, precisamos construir uma plataforma alternativa, operária e popular, que enfrente o plano de ajuste de Bolsonaro, governadores e prefeitos:

–  reajuste imediato no salário e reposição emergencial automática das perdas salariais enquanto durar a pandemia. Revogação da reforma da previdência, trabalhista, teto de gastos e fim do favorecimento dos bancos; fim das privatizações dos Correios, Eletrobras, CEDAE e demais estatais; retomada de todas as cláusulas sociais perdidas nos acordos coletivos da pandemia. Por trabalho igual para salário igual. Direitos trabalhistas aos entregadores de aplicativos e dignidade aos terceirizados e terceirizadas.

– redução do preço da luz, gás, água, aluguel, gasolina, internet e alimentos. Cancelamentos das dívidas do povo trabalhador e da juventude nos bancos, imobiliárias, empresas de água e luz. Garantir a Petrobras 100% estatal, reestatizar as companhias de luz, água e telefonia. Por reforma agrária sob controle dos sem-terra, que exproprie as multinacionais do campo e garanta alimento barato na mesa do trabalhador.

– não pagamento da dívida com os banqueiros, fim das isenções fiscais aos grandes empresários e taxação dos bilionários e dos lucros das multinacionais. Com esses recursos garantir a) auxílio emergencial de um salário mínimo para quem necessitar; b) plano de geração de empregos; c) reestruturação dos serviços públicos e das empresas estatais, com concursos públicos e investimentos; d) investimento no Butantan, Fiocruz, Universidades e Hospitais, com EPIs para seguir combatendo a Covid-19; e) programas sociais nas favelas e periferias.

– fim das perseguições, inquéritos e processos aos que lutam; reintegração de Bruno da Rosa e André Balbina; fim da PM e da repressão policial ao povo negro.

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