A III Internacional e a construção de partidos revolucionários em todo o mundo

 

 

Everton Luiz, Coordenação da CST no Rio de Janeiro

Após a revolução russa, a III Internacional foi fundada. Em 1921, a exatos cem anos, ela aprovou resoluções sobre a concepção e os métodos que serviriam de guia para construção de partidos revolucionários cujo objetivo seria organizar a classe trabalhadora e o povo pobre à tomada do poder e a destruição do capitalismo. Esse debate, de extrema importância segue vigente, especialmente no momento em que o movimento de massas discute a Frente Ampla e o papel dos partidos de esquerda. É preciso trazer a luz o eixo dessa resolução, e assim discutir se a esquerda deve apostar ainda na conciliação de classes, e quais são, na verdade, os critérios e tarefas de um partido para derrubar o capitalismo. Evidentemente que não se trata de dizer que somos os únicos, porém somos parte de um setor da esquerda revolucionária que reivindica integralmente o legado da Internacional de Lenin e Trotsky.

A Grande Tarefa dos partidos revolucionários

 

O principal objetivo dos partidos revolucionários em todo o mundo para a III Internacional é a mobilização e organização da classe operaria para a tomada do poder. Esse eixo de substituir o poder da classe operária em seus organismos e com seu partido à cabeça vem sendo frequentemente revisado. Nos anos 1990 o zapatismo, através do subcomandante Marcos, disse que tomar o poder não era o fundamental. O reformismo também se adaptou a partir dessa resolução, em vez de um governo dos trabalhadores e do povo pobre, lançam a palavra de ordem da Frente Ampla, colocando a conciliação como a única alternativa possível. Essa estratégia está em alta, essencialmente num período em que surgiu a extrema-direita em vários lugares do mundo, porém, o que justifica que a estratégia da Frente Ampla, da conciliação utilizada desde a década de 1930, não tenha nos levado a vitória no mundo, senão a sua maior destruição, das forças produtivas, da natureza, dos homens e mulheres trabalhadoras que, infelizmente vivem cada vez pior, enquanto a burguesia “progressista” ou não segue se enriquecendo e concentrando cada vez mais a riqueza. A tomada do poder, essa tarefa gigantesca, esquecida pelas mais variadas variantes do movimento de massas, segue imprescindível.

 

A Direção do proletariado: um fator negligenciado pelo reformismo no movimento de massas

A III Internacional não deixa dúvida, a classe trabalhadora tem que ter uma direção firme. Durante o último período vimos surgir vários movimentos que dizem que se trata de subestimar a classe. Nada mais falso, aqui não se trata de menosprezar suas capacidades, mas de reivindicar a experiência histórica, não houve, depois da Revolução Russa de 1917, nenhuma revolução socialista dirigida por um partido socialista operário e revolucionário, em todas as revoluções do século XX, o desfecho é a volta ao capitalismo. Desastres como os da Nicaragua, país mais pobre da América Latina e central excetuando-se o Haiti, ou mesmo a super-exploração Chinesa, uma nova nação imperialista, o capitalismo à cubana, demonstram o fracasso e evidenciam a crise de direção revolucionária.

 

 

Um partido para ação

 

O partido revolucionário também tem definido um método de organização, o centralismo democrático. O centralismo democrático permite total liberdade de debate e unidade completa na ação. Somente esse método pode conferir balanços e ajustes precisos, além de ser uma tradição histórica do movimento de massas. Esse método também ajuda na aplicação das políticas do partido ante o movimento de massas. Aqui, não defendemos em absoluto, a característica degenerada dos partidos stalinistas, que de maneira burocrática adotam suas políticas, guiados por uma direção de mão de ferro, que no ápice assassinou um dos principais dirigentes da revolução russa de 1917, traiu inúmeras revoluções e entregou de bandeja para a burguesia vários comunistas com giros que iam da capitlulação à burguesia na Frente Popular e ultra-esquerdismo. O partido tem como proposito a intervenção na luta de classes, não basta aceitar o programa todo e toda militante deve atuar cotidianamente na tarefa da construção partidária e da sociedade coumunista, como explica parte da resolução da III internacional: 10. Todo Partido Comunista deve, então, em seus esforços para ter apenas membros verdadeiramente ativos, exigir de cada um dos que figuram em suas fileiras que coloque à disposição de seu partido sua força e seu tempo, na medida em que possa dispor, nas circunstâncias dadas, e sempre consagrar ao partido o melhor de si. Para ser membro do Partido Comunista, é necessário, de maneira geral, além da convicção comunista, cumprir também as formalidades da inscrição, primeiro como candidato e, em seguida, como membro. É necessário pagar regularmente as cotizações estabelecidas, a assinatura do Jornal do Partido etc. Mas o mais importante é a participação de cada um no trabalho político cotidiano.”  A III Internacional defende a participação nas eleições, mas não perde de vista que são uma das táticas de intervenção no movimento operário, e não a única e principal forma. A militancia, para a III Internacional, deve ser cotidiana, de intervenção em todo o momento na luta da classe trabalhadora. Não nos furtamos a disputar a eleição, mas diferente do que defendem PT e PCdoB, não achamos que Lula eleito em 2022, resolve os nossos problemas, ao contrário, o capitalismo está em crise, e a conciliação de fundo não resolverá questoes de fundo.

 

Agitação e propaganda: as armas do partido revolucionário

 

A agitação e a propaganda consistem em duas tarefas de importância fundamental para organizações revolucionárias, a agitação, como dizia Lenin: Trata-se de usar poucas palavras para um grupo grande de pessoas, já a propaganda são muitas palavras para poucas pessoas. Por isso, a CST, como parte da reivindicação dessa trajetória está sempre propondo cursos, palestras, publicamos quinzenalmente nosso jornal, a revista da nossa internacional, a Correspondência Internacional, e nossos livros. A propaganda, a leitura e debate aprofundado, não deve e nem pode ser apenas para os novos membros, mas sim estendida a todos os companheiros e companheiras de partido. A agitação cumpre um papel fundamental, cabe ao partido elaborar as palavras de ordem que surjam das inquietações e necessidades objetivas da classe trabalhadora, e façam uma ponte com o socialismo, como dizia Trotsky no celebre “Programa de Transição”. São duas das tarefas fundamentais do partido, mas com o objetivo definido, a agitação e a propaganda servem em primeira e ultima instancia para ganhar a maioria do operariado para as tarefas da construção do partido comunista, para que militem cotidianamente e tomem o poder. Foi isso que fez o partido bolchevique com as palavras de ordem “Pão, Paz e Terra”, posteriormente colocando a necessidade de entregar o poder aos sovietes. É esse exemplo que miramos na CST, unificar os revolucionários em torno de um programa que os leve à revolução socialista.

 

O Jornal

Muitos dos nossos leitores devem se perguntar: Por que imprimir um jornal, no século XXI, com inúmeras possibilidades nas redes sociais? A III Internacional colocava o jornal como o melhor agitador e melhor propagandista da corrente revolucionária no movimento operário. É esse instrumento que organiza o partido em todo o país, e que compartilha as mais variadas experiências dos movimentos que existem no momento e nos quais estamos intervindo, levando posições e propostas politicas a partir dessa experiencia comum com completa independência da burguesia. O  jornal é uma imprensa alternativa, que defende os interesses da classe trabalhadora e dos setores oprimidos. A burguesia nos expõe a várias ideologias e falsas crenças em seus mais diversos meios de comunicação, logo, devemos estar armados com nosso jornal, trocar essas experiencias e colocar cada questão levantada pela classe trabalhadora, para avaliar e ajustar o nosso jornal. É esse instrumento que construímos com o Combate Socialista, por isso levamos em cada protesto, reunião, palestra, nos nossos locais de trabalho e estudo, para compartilhar e discutir com o movimento operario nossas experiencias comuns e as saídas imediatas e de fundo que propomos ao movimento de massas.

A III Internacional e o projeto socialista mundial

 

Desde a crise da III Internacional, bem como seu fim decretado pelo stalinismo, a crise de direção revolucionária se aprofundou. Trotsky, já em 1938 falava que essa era a crise mais profunda da humanidade. Desde aí, capitulações e traições gigantescas aconteceram, a URSS voltou ao capitalismo, Cuba e China também, as burocracias cumpriram o papel contrarrevolucionário afirmado por Leon Trostky, reconstruiram o capitalismo depois de terem expropriado a burguesia. Isso nos mostra que nossa tarefa é imensa, difícil, porém sem atalhos. Reivindicamos a estratégia da III Internacional, a maior arma revolucionária já elaborada pelo movimento de massas: A tomada do poder pela classe operária, tendo como sua dirigente o partido marxista revolucionário. Rechaçamos, por tanto, a falsa saída da conciliação de classes, propostas pelos partidos como o PT e PCdoB, também rejeitamos as eleições como um fim em si mesmo. Convidamos você que compra esse jornal conosco a construir a CST, uma organização revolucionária cuja tarefa internacional, é unir os revolucionários e construir um partido cuja estratégia seja tomar o poder e construir o socialismo no Brasil e no mundo. O legado dos quatro primeiro congressos da internacional de Lenin e Trotsky esta sintetizado na fundação da IV Internacional e por isso batalhamos hoje pela sua reconstrução.

 

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A Estrutura, os Métodos e a Ação dos Partidos Comunistas

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