1° de maio: Construir manifestações classistas e combativas

Chega de conciliação com patrões e seus representantes!

1- O Primeiro de Maio é a data histórica de luta da classe trabalhadora, por direitos e contra os ataques dos governos e patrões. Não é um dia de conciliação. É um dia internacional de lutas da classe trabalhadora contra os parasitas exploradores.

2- Deveríamos estar organizando fortes atos do conjunto da classe trabalhadora por nossas pautas, contra o governo Bolsonaro/Mourão e suas manifestações reacionárias. Porém a CUT, Força Sindical, CTB, PSB, PT, PCdoB, Solidariedade, PSOL, estão organizando outra coisa: um palanque eleitoreiro para fortalecer a frente ampla com os patrões e seus representantes. Em São Paulo, do mesmo modo como ocorreu no CONCLAT, o eixo é a presença da chapa Lula/Alckmin. Até políticos do MDB, de Michel Temer, estarão no palanque da burocracia sindical (fsindical.org.br/). No RJ vai participar o PDT de Ciro Gomes. O viés eleitoreiro é explicito no site da CUT: “A importância dessas eleições levou Sérgio Nobre a participar, na manhã desta quarta-feira (27), da panfletagem na estação Brás da CPTM, zona leste da cidade de São Paulo, para divulgar o ato do 1º de Maio” (cut.org.br/ ). Está evidente que não estamos diante de uma unidade de ação, na luta, por pautas concretas ou contra um inimigo comum. Não podemos aceitar que transformem o Primeiro de Maio num showmício da conciliação de classes.

3- Essa política, com maior ou menor intensidade, se impôs em todos os atos de primeiro de maio nos estados. Com essa linha o Primeiro de Maio se torna inofensivo aos patrões e não serve de alavanca contra a extrema direita Bolsonarista.  A conciliação de classes, os governos para e com a burguesia liderados pelo PT/PL e PT/MDB, produziram desmobilização e desmoralização que abriu o espaço para o governo ultrarreacionário de Bolsonaro. Juntar muitas pessoas para assistir shows de artistas consagrados não vai nos levar a fortalecimento das greves e de novas passeatas pelo fora Bolsonaro. É o velho modelo do sindicalismo pelego dos atos “com sorteio de carros” dos anos 90, que nunca ajudaram a derrotar os ataques de FHC.

4- A CSP-CONLUTAS em São Paulo corretamente está combatendo essa linha oportunista e pro-patronal da cúpula da CUT, Força Sindical, UGT e CTB. Está convocando um ato alternativo, classista, internacionalista e combativo. A nossa Central afirma que “A Csp-conlutas sempre construiu pautas comuns para as lutas e manifestações. No entanto, não podemos concordar em participar de palanques com algozes da nossa classe e apontar aos trabalhadores uma saída eleitoral e alianças com a burguesia em meio à profunda crise que vivemos”. http://cspconlutas.org.br/2022/04/neste-1-de-maio-vamos-realizar-atos-com-independencia-de-classe-e-internacionalismo-fora-bolsonaro-e-mourao-ja/). Em estados como o Pará essa mesma linha já está sendo aplicada do mesmo modo que em SP. Falta concretizá-la em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e demais estados. Nesse primeiro de maio de 2022 não há nenhum ato da burocracia sindical em que possamos estar. Ainda há tempo de uniformizar a linha de nossa central em todos os estados, mesmo nos locais onde ainda seguimos nesses atos da frente ampla, como é o caso do RJ (onde a burocracia sindical milita contra os operários da CSN, os Garis e boicota greves como a do INSS). Devemos seguir a linha da CSP-CONLUTAS em São Paulo e realizar atos alternativos, classistas, combativos e internacionalistas em todos os estados. Essa é a proposta que também fazemos ao Polo Socialista e Revolucionário que tenta construir uma alternativa política a frente ampla.

5- A Articulação Povo na Rua, integrada por organizações como a UP, PCB e MÊS, precisa realizar uma nova assembleia ou reunião emergencial e sair da paralisia construindo atos alternativos de Primeiro de Maio, tal qual os dias de lutas que realizamos nas periferias e no ano passado. Uma orientação geral, nacional, do Povo na Rua ajudaria a enfrentar a conciliação que está instalada no atual Primeiro de Maio. Seguir parado, apenas aderindo ao Primeiro de Maio socialdemocrata seria um erro. Essa também é a proposta que fazemos as forças da esquerda do PSOL.

6- Existem 4 pré-candidaturas à esquerda da frente ampla nesse momento: Glauber na ala esquerda do PSOL, Péricles da UP, Sofia do PCB e Verá do PSTU. Este seria o momento de baixar a terra a construção de uma alternativa política também na luta de classes, enfrentando a frente ampla e sua política de gerentes do capital, no interior do movimento operário e popular. Nesse sentido saudamos que a companheira Vera, do PSTU, que integra o Polo Socialista e Revolucionário, já declarou publicamente que não participa dos atos eleitoreiros da maioria das Centrais e da frente ampla: “A classe trabalhadora tem necessidades concretas que devem ser atendidas. Não podemos fazer isso no mesmo palanque que a burguesia” (Folha de São Paulo). Um exemplo que devemos seguir. Ao mesmo tempo seria uma nova oportunidade para que essas quatro forças caminhassem numa aproximação construindo um bloco ou frente de esquerda e socialista por fora da frente ampla, sem a atual pulverização.

 7- É possível e necessário realizar mobilizações no Primeiro de Maio pela imediata reposição das perdas salariais, pela redução dos preços dos alimentos e tarifas, em solidariedades aos operários da CSN, aos Garis e demais lutadores perseguidos, e aos grevistas do INSS fortalecendo a deflagração da greve unificada dos SPFs, unificando as campanhas salariais e protestos populares. Mobilizações para taxar os bilionários e os lucros das multinacionais, impor o não pagamento da dívida aos banqueiros, estatizar o sistema financeiro e assim garantir os recursos para acabar com o desemprego, a fome, garantir auxílio emergencial e investir nos serviços públicos, na educação e saúde, no atendimento das reivindicações dos povos indígenas, das mulheres, dos negros e negras do LGBTQIA+, dos sem-teto, sem-terra; pelo fora Bolsonaro/Mourão, dentre outras pautas. É necessário lutar para derrotar o governo Bolsonaro e a extrema direita nas ruas. Por isso devemos exigir da CUT, CTB e demais centrais uma jornada nacional de lutas com assembleias, panfletagens e atrasos de turno pelo Fora Bolsonaro, salário e emprego ainda no mês de maio.

 

Corrente Socialista de Trabalhadores e Trabalhadoras – Tendência do PSOL

28/04

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