Fortalecer o Polo Socialista Revolucionário: Debate com Eduardo Almeida e os camaradas do PSTU

Claudia Gonzales e Michel Tunes, Coordenação da CST

Nas últimas reuniões da Coordenação do Polo, os camaradas do PSTU apresentaram o debate sobre os rumos da esquerda. Tal posição está expressa no artigo do companheiro Eduardo Almeida, da direção do PSTU e da LIT-QI, intitulado “Um debate estratégico: Que alternativa de organização política corresponde a um projeto socialista e revolucionário?”.

Em nossa opinião, esse debate deveria partir da situação política e da luta de classes. O desgaste do governo da extrema direita está gestando um fortalecimento do projeto de colaboração de classes de Lula/Alckmin. Responder a esse tema é chave. Nós, da CST, opinamos que hoje a maior preocupação deveria ser o fortalecimento do Polo Socialista Revolucionário. Infelizmente, esse não é o objetivo do texto de Eduardo Almeida.

A única solução é construir o PSTU?

Em seu longo artigo, ele se dirige para a parcela de ativistas que romperam com PSOL: Mas, para uma parcela desses ativistas, entre eles os que romperam com o PSOL depois de sua adesão à candidatura Lula-Alckmin, existe um outro tema fundamental, estratégico: o que colocar no lugar do PSOL?O artigo explica que a única política certa é se somar individualmente ao PSTU e finaliza assim “Nós defendemos o PSTU como um embrião para este partido, que só poderá ser construído pela incorporação dos ativistas que concordarem com um programa revolucionário…”. Diante dos desafios da esquerda, parece ser uma solução autoproclamatória. Os camaradas do PSTU e outras organizações que compõem o Polo têm, logicamente, o direito de se construir. Porém, essa não é a solução integral para os desafios que temos pela frente, pois nenhuma das organizações da esquerda hoje (e não só as do Polo) têm inserção operária e popular para ser, por si só, “a alternativa”.

O PSOL

Os camaradas insistem que foi um erro a fundação do PSOL. Diante da degeneração deste partido, apresentam a ideia de que “A única alternativa real é a de construção de um partido revolucionário, leninista e com centralismo democrático”, que, no caso, seria o ingresso de “ativistas” no PSTU. Essa linha tem dois erros. O primeiro é que a fundação do PSOL foi um processo de ruptura com o governo Lula, em que o PSTU se localizou de forma sectária, até se negando a assinar pelo direito democrático do PSOL se legalizar. Depois, contraditoriamente, girou para coligações eleitorais com a ala majoritária do PSOL em 2012 (com o PCdoB) e em 2014, em SP, na chapa de Maringoni, enquanto a ala esquerda do PSOL lutava internamente contra a aliança com o PCdoB e tentava aprovar o nome de Safatle em SP contra a ala majoritária. O segundo erro é achar que unicamente o PSTU é “a alternativa”. Respeitamos o caráter revolucionário do PSTU, porém não concordamos com essa política autoproclamatória, visto que pode ser um empecilho para o fortalecimento do Polo Socialista Revolucionário.

Nenhum tipo de Bloco ou Frente?

O artigo também se manifesta contra frentes eleitorais com partidos que, nestas eleições, não se coligaram com partidos patronais, como é o caso do PCB e UP.  Ele afirma que “é um erro tático nessas eleições… em particular por suas posições internacionais… Trata-se de organizações stalinistas, com uma estratégia frente populista”. Apesar do marco internacional divergente e da estratégia frentepopulista dessas organizações, o PSTU conseguiu compor a Frente de 2006 com PSOL e PCB ou com o PSOL em vários estados em 2014. Não sabemos se o PSTU hoje avalia que essas frentes de 2006 e 2014 foram um erro, já que eles nunca explicitaram essa avaliação. Nossa defesa de uma Frente de Esquerda nestas eleições de 2022 – que não foi aceita – não é uma estratégia. Defendemos uma tática eleitoral para agrupar quem não estava na frente ampla, pois a pulverização de três candidaturas só ajuda o PT. É incorreto taticamente se negar a fazer bloco ou frentes eleitorais ou políticas com partidos de esquerda (sem partidos patronais). São questões táticas, e não uma linha estratégica.

A FIT-U na Argentina

Eduardo Almeida afirma que “A FIT-U é uma frente eleitoral permanente que, por seus próprios êxitos eleitorais, está levando os partidos que a compõem a colocar as eleições no centro de suas atividades…. A FIT-U é uma frente de organizações trotskistas que apresenta um programa revolucionário. Apesar das divergências, ela se apresenta como uma alternativa política frente aos principais fatos da luta de classes, apostando na mobilização. Um exemplo é a construção do ato da FIT-U que reuniu 50 mil contra o FMI e pelo não pagamento da dívida, ou os chamados à mobilização em apoio às greves. Nosso partido irmão, Esquerda Socialista, fundador da FIT, atua prioritariamente na luta de classes. Nós, da CST, avaliamos a experiência argentina da FIT-U como positiva.

O que nos chama atenção é que no Chile, o MIT, organização chilena da LIT-QI, compôs a frente eleitoral “Lista del Pueblo”, composta por reformistas, que pouco depois da eleição explodiu. O MIT tinha outra opção: integrar a Frente de Unidade da Classe Trabalhadora, composta pelo MST (UIT-QI) e o PTR (Fração Trotskista). No entanto, fizeram outra opção tática. Por isso, é preciso explicar por que no Brasil não pode, por que a FIT-U não serve, mas no Chile a Lista del Pueblo pode ser aceita. Qual a razão?

Fortalecer o Polo Socialista Revolucionário

Apesar dessas definições, é positivo que o PSTU tenha impulsionado o Polo Socialista Revolucionário. Na prática, gestando um embrião de uma Frente. No entanto, o artigo não valoriza isso. Afirma que: “Não porque o Polo seja esta alternativa. Não é e nem pretende ser. Mas porque o Polo é um espaço onde podemos fazer esse debateValorizamos o fato do Polo ser um espaço democrático e que tenhamos conseguido encaminhar uma plataforma comum e atividades da campanha eleitoral. Isso não prejudicou a autonomia das organizações. Achamos equivocado que ele se restrinja apenas a “debater”. Consideramos necessário fortalecer a construção desse polo que se unificou ao redor de uma plataforma revolucionária. Apelamos a que Eduardo Almeida e os camaradas do PSTU reflitam e mudem de posição, colocando sua força e implantação operária a serviço de fortalecer uma opção socialista e revolucionária.

 

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