Burocracia tenta desmontar greve para salvar Temer e o regime

O governo Temer está por um fio. As denúncias se sucedem a um ritmo alucinante depois que o corruptor e dono da JBS decidiu abrir o bico para salvar sua fortuna e sua pele. A partir daí, quando ficou absolutamente claro que o presidente ilegítimo era, segundo as palavras de Joesley Batista, o “chefe de organização criminosa”, o acordão que vinha se gestando adquiriu maior força.

Primeiro foi o TSE que, com o voto de Gilmar Mendes e os ministros nomeados por Temer, absolveu a chapa Dilma-Temer. Se o presidente deu um suspiro de alívio, pelo lado da população cresceu também um gigantesco repudio à (in) justiça a mando do Capital. Depois, os tucanos decidiram, num dos seus “vai e vem”, ficar no governo, abrindo uma crise sem precedentes no PSDB, com o jurista Realle Júnior enunciando ao partido e declarando que “o PSDB estava virando um PMDB”. Poucos dias depois, FHC declara à imprensa que seria um bom gesto a renúncia de Temer e o chamado às eleições, enquanto as jovens gerações do partido questionam as velhas lideranças e seus estudantes na UNE votavam pelas diretas já!

 Mais do que nunca o governo precisava, para recuperar algum folego, era que não houvesse outra greve geral. Aí sim, que poderia ser o fim da picada, visto que a burocracia sindical, como ficou demonstrado na gigantesca marcha a Brasília, perdeu o controle do movimento.

 MAIS UMA VEZ, NÃO PODEMOS CONFIAR NA BUROCRACIA SINDICAL

 Os burocratas, como bons burocratas, não vão falar que “desmontam a Greve Geral”. Não o fazem pela pressão de suas bases, pelo imenso descontentamento dos trabalhadores com os salários de fome, o desemprego, a violência, a repressão e em repudio às reformas antipopulares de Temer. As cúpulas sindicais são a parte mais importante do pacto com o Capital e o governo, pois o maior temor do governo é uma greve geral, onde os trabalhadores se coloquem outra vez no centro da cena.

Depois de dar uma verdadeira trégua ao governo marcando a Greve Geral para dois meses depois da grandiosa greve de 28/04 e há um mês da fortíssima marcha a BSB, a burocracia convocou uma nova greve geral para 30/06. Mas, surgiram versões, no “mínimo” contraditórias. Um dia sai um panfleto assinado pelas centrais pelegas onde a convocatória da greve geral sumiu.  Em seguida, uma central declara que as “condições estão difíceis”; Paulinho, o corrupto da Força Sindical, junto com outros, negocia o Imposto Sindical em troca da suspensão da greve; a CUT, ora não diz nada, ora diz que a greve está garantida, mas o famoso “esquenta” do dia 20 virou um verdadeiro “esfrienta”, enquanto não toma nenhuma medida concreta para impulsionar a greve.  Enquanto isso, seus aliados da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo convocam atos no dia 30 e nem nomeiam a greve geral.

  NEM TRANQUILO NEM FAVORÁVEL

 Em que pese a aparência tranquila de Temer na sua visita à Rússia, a instabilidade continua. A FSP fala em “frágil normalidade”. A PF diz que evidencias indicam “com vigor” que Temer praticou corrupção ao receber propina através de Rocha Loures, enquanto é investigado por obstrução à Justiça e organização criminosa. O doleiro Funaro, por sua vez, acusa Temer e diz ter pago comissões a Moreira Franco e Geddel. A derrota da Reforma Trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, liderada por Renan Calheiros (PMDB) fez o dólar subir e a bolsa cair. Ainda que se trate de uma batalha e não da guerra, esta derrota se soma às fragilidades governistas. Enquanto isso, o Senador Aécio Neves não dorme tranquilo enquanto paira no ar sua possível prisão, o que assusta uma grande parte dos políticos brasileiros, com governadores, ex. ministros e grandes empresários presos, e dezenas de políticos e parlamentares na mira da justiça. Por isso, as pressões para que a delação da JBS seja anulada são parte do espírito de preservação da classe política ameaçada pela Lava Jato.

 Os trabalhadores resistem!

 O movimento das centrais pelegas foi tão desastroso e burocrático que sequer avisaram aos seus dirigentes de sindicatos e federações. Por isso, as reações não demoraram. Plenárias estão sendo chamadas como no RJ, puxada pelo SEPE, com apoio de diversos sindicatos (ver págs. 6 e 7); no RS o Fórum Gaúcho em defesa da Previdência define “Nenhum passo atrás, greve geral no 30/06”; no Congresso da UNE teve um forte ato puxado por parte da juventude da esquerda pela manutenção da greve geral, forçando dessa forma uma resolução do congresso pela manutenção da greve no dia 30 de junho.  Reafirma-se assim a necessidade de construir um polo nacional dos sindicatos, centrais como a CSP-Conlutas e oposições combativas para ir se forjando uma direção alternativa. A única forma de reverter o atual quadro e impedir uma nova traição da burocracia sindical é tomar a greve em nossas mãos e batalhar nas bases das diversas categorias.

Neste sentido, fazemos um chamado especial às bases da CUT, da CTB e da Força Sindical para que se rebelem contra as ordens de suas cúpulas e venham garantir a greve geral de 30/06 e fortalecer a luta para derrubar Temer e suas reformas!

(publicado no jornal Combate Socialista, n° 83, junho de 2017)

 

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