REPÚBLICA CATALÃ AGORA! LIBERDADE AOS PRESOS POLÍTICOS!

Plano de Lutas e Greve Geral!

Luta Internacionalista – 25 de outubro de 2017.

A prisão de Jordí Sachez, presidente da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Ciuxart, presidente de Omnium Cultural, coloca em evidencia a herança franquista do regime de 1978. O Estado escolheu começar pelo movimento de massas e não pelos responsáveis institucionais nem pelos Mossos (polícia catalã).

Lembremos que a Audiência Nacional que os julga, é a continuidade direta do Tribunal de Ordem Pública (TOP), o tribunal de exceção que persegue sistematicamente toda a dissidência política e que engrossou as listas de presos políticos em todo o Estado Espanhol desde a Transição. Além de se tratar de uma evidente perseguição contra ideias políticas, a prisão abre a porta à generalização do delito de “rebelião” contra quem convoque qualquer manifestação seja política ou social.

É um capítulo a mais na escalada repressiva do Estado, que continuará com a aplicação do artigo 155 ou outros, incluídas detenções pela organização e celebração do referendo de primeiro de outubro. O Estado também colocou na mira a escola pública catalã: o que o ministro Wert quis “espanholizar” as crianças catalãs com a LOMCE agora o pretende fazer com a política e a Guarda Civil. A ameaça aos meios de comunicação públicos antecipa uma intervenção e mais cortes às liberdades.

Com a suspensão da proclamação da República Catalã, Puigdemont nos expõe mais à repressão.  Onda repressiva não se freia nem se minimiza por mais passos para atrás que faça o governo da Generalitat. Porque menos determinação é sinônimo de mais repressão (e não ao contrário): Precisamos já da república com a qual nos defender. O Estado não aceitará nenhuma via negociada e hoje está junto com o PP, G’s e PSOE, tentando passar à ofensiva. Tampouco a via da reforma constitucional abre perspectiva real de saída às reivindicações do povo catalão.

Não confiamos neste governo: se chegou até aqui tem sido empurrado pela gente nas ruas. Agora temos que colocar em pé os trabalhadores do ensino público, os meios de comunicação, manter a mobilização permanente nas ruas. A cada ataque uma resposta: ANC e Omnium continuam sendo uma referência chave na mobilização mas é necessário aprofundar a organização desde abaixo, unificando a esquerda sindical que convocou a greve geral de 03/10; a esquerda popular que se organizou nos CDT (Comitês de Defesa da República) o movimento estudantil e a esquerda política desde a CUP-CC.  A Mesa da Democracia, com a Patronal CCOO e UGT aplaudiu a suspensão e aposta por uma saída negociada que leva o povo a um beco sem saída. Também esperando um milagre negociador se colocam Podemos, Colau e os Comuns, e hoje sem dúvida sua política nos paralisa e faz o jogo do regime.

É imprescindível que os companheiros que compartilham a defesa das urnas e a greve geral, exijam de seus dirigentes que se coloquem junto à República e o processo constituinte, frente a uma monarquia herdeira do franquismo. Um processo constituinte vivo e que responda às necessidades mais urgentes da população trabalhadora.

Também devemos responder aos movimentos da patronal e a fuga de empresas. Se os bancos vão embora, faz falta imediatamente conformar um banco público da república, sob controle dos trabalhadores. Haverá que iniciar um movimento contra o pagamento da dívida e garantir o controle da infraestrutura e da energia.

E devemos lembra que o regime não somente reprime a Catalunha, mas todos os povos e trabalhadores do Estado. Os terríveis incêndios em Galiza são o último exemplo: Galiza não queima, está sendo incendiada pelo Governo do Estado Espanhol com a cumplicidade da Junta de Galiza. A plantação de eucaliptos, a Lei de Montes, os cortes no orçamento da luta contra incêndios, os cortes na prevenção fazem rentável um território queimado. Rajoy abandona a montanha e o povo galego às chamas enquanto destina milhões de euros e 10 mil policiais e guardas civis para reprimir o povo catalão.

Em 04 de outubro o Rei deu carta branca à escalada repressiva: no dia 06, a manifestação de Barcelona, com unionistas de todas partes, pedia prisão e mais repressão, “justificando” a que virá.

E, em uníssono, grupos fascistas já estão aparecendo abertamente aqui, em Madrid, em Zaragoza ou no País Valenciano, grupos que, com a óbvia cumplicidade da polícia nacional, explodiram e atacaram os camaradas valencianos em sua festa nacional.

Liberação imediata de Sánchez e Cuixart. Fora Polícia Nacional e Guarda Civil da Catalunha. Dissolução do Tribunal Nacional, tribunal de exceção herdeiro do regime franquista

Proclamação da República da Catalunha agora. Início do processo constituinte.

Nós propomos:

1. – A coordenação a nível nacional dos três pilares da luta popular: CDR, plataforma sindical em defesa dos direitos e das liberdades e o movimento estudantil do ensino médio e universitário.

2. A nível estadual, é necessário um apelo imediato a todas as forças sindicais e políticas estatais que, como fizeram desde as Marchas da Dignidade, não somente se identificam com o direito da Catalunha à liberdade, mas com a necessidade da abolição da monarquia e fim do regime de impunidade dos 78.

3. – A nível internacional, é necessário estabelecer uma data para um Encontro Internacional em Barcelona, de organizações, sindicatos, movimentos em solidariedade com a República da Catalunha e contra a repressão.

17 de outubro de 2017, o povo do Estado

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