Carnaval 2018: Um arrastão de protestos na Sapucaí!

Tailson Silva – professor de geografia
Silaedson Silva – Executiva Psol RJ

Em 2018, a Sapucaí foi sacudida por enredos críticos que denunciaram Temer, Crivella e os políticos assim como, escancararam os problemas sociais do país, o racismo, a Lgbtfobia, a xenofobia e outros. O carnaval do Rio de Janeiro, estava devendo uma forte volta de sambas e enredos críticos, como foram a tônica durante as décadas de 1970, 1980 e início dos anos 1990, como “Ratos e Urubus” da Beija Flor e “Bar Brasil” da Unidos da Tijuca em 1989, “Saudade” da Caprichosos de Pilares em 1985, “O samba sambou”, “Já vi este filme” da São Clemente em 1990 e 1991, além de outros lendários enredos de crítica, que dialogaram com as mazelas sofridas pelo povo pobre e trabalhador do Brasil. Este retorno já ocorreu de forma mais tímida em 2017, pois ano passado tivemos o enredo “Xingu: o clamor que vem da floresta” da Imperatriz Leopoldinense e em um setor da Portela, o desastre de Mariana foi destaque.

Não tem como negar que este ano o carnaval foi um reflexo das lutas de rua que vivemos. Não a toa que muitas escolas trouxeram estes enredos de protesto, a contragosto de muitos dirigentes destas agremiações carnavalescas. Também nos blocos de rua o Grito de FORA TEMER ecoava uma sonora capela, foram muitos os blocos com sambas enredo criticando os governantes como o famoso Simpatia e quase amor. O Sindicato de trabalhadores da UFF, organizou participação no Cordão do Bola Preta com samba contra a reforma da previdência que viralizou nas redes sociais e levou no sábado de carnaval 3500 bolas com as palavra de ordem: “Fora Temer!” e “Barrar essa Reforma”.

No domingo de carnaval a Paraíso do Tuiuti apresentou o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, onde foi apresentada de forma impactante e sem cortinas, a história da escravidão negra no Brasil. Ao final, o setor mais forte do desfile, evidenciou que a lei áurea não libertou completamente os negros do país, jogando-os as margens da sociedade, com condições de trabalho mais degradantes, inclusive em situações análogas a escravidão, moradias precárias e reféns dos ataques dos vampiros políticos e do empresariado, como Temer e seus comparsas. Um desfile apoteótico que ganhou a opinião pública e dos jurados e levou a escola de São Cristóvão a um histórico vice-campeonato.

Outra escola que pesou o pé na crítica foi a Mangueira, que saudou os sambistas e protestou contra Crivella e sua tentativa surtada de enfraquecer o carnaval, uma manifestação legítima do povo. No desfile da verde e rosa o recado de “Deixe o nosso povo passar”, “Derrubar esse portão”, “O Prefeito não sabe o que faz”, entre outros não faltaram e foram bem recebidos pelo povo na Sapucai e país a fora. A imagem do prefeito Crivela no boneco de judas levou a secretaria de Cultura do Rio a um enfrentamento físico com o presidente da mangueira, um verdadeiro desespero.

A Beija Flor, que sagrou-se campeã, fez uma crítica à intolerância, a ganância e a corrupção dos políticos em contraposição a marginalização, a violência e a segregação que o povo está jogado, fechando o carnaval com um verdadeiro arrastão de samba que expressou a indignação na garganta do povo, como o saque a Petrobrás, a farra dos guardanapos, as empreiteiras associadas e as malas de dinheiro. Além dessas escolas, a Mocidade falou de tolerância religiosa com o enredo Namastê, a Portela falou de xenofobia e perseguição aos migrantes e o Salgueiro contou a história da luta das mulheres negras, com um espetacular enredo em homenagem às senhoras do ventre do mundo.

Outro carnaval do Fora Temer.

Assim como em 2017, uma das marcas desse carnaval foi o Fora Temer e que esse ano se somaram ao grito contra as reformas. O grito de fora Temer no sambódromo no dia da apuração e a “ocupação” do Aeroporto Santos Dumont contra a reforma da previdência durante um bloco de carnaval, são apenas duas marcas de que vivemos dias de questionamentos e enfrentamentos aos políticos e suas reformas.

As fortes lutas de 2017 impactaram os foliões que não esqueceram os nossos problemas durante o carnaval. Os enfrentamentos contra os políticos bandidos não cessaram e também não estão em declínio, pois o que não falta é disposição da classe, que foi traída de forma categórica pelas grandes centrais sindicais (CUT, CTB, UGT, Força Sindical) e partidos como o PT e o PC do B, que abortaram greves gerais e não enfrentaram os políticos e o acordão da superestrutura política, pois as suas maiores preocupações são pra garantir a candidatura de Lula e a salvação de políticos corruptos.

A onda de críticas,protestos e gritos de Fora Temer, que sacudiu este carnaval estão muito distantes de qualquer alusão à qualquer tipo de conservadorismo. O que se canalizou neste carnaval foi o sentimento de indignação na massa, mostrando o repudio aos políticos e os partidos da ordem.

Bate na lata que o povo vai lutar!

Todo carnaval tem seu fim, mas o clima desse carnaval politizado não vai passar. Os desafios da nossa classe não são poucos e pra enfrentar os políticos e os empresários é necessário canalizar todas as energias e as nossas forças pra derrotar a reforma da previdência e os demais ataques do governo. Dia 19 de fevereiro será um dia nacional de luta contra a reforma da previdência e no 08 de março às mulheres lutaram fortemente contra a reforma da previdência e os impactos deste ataque na vida das mulheres. Nosso próximo grito de carnaval será na rua e por isso vamos à luta!

 

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