Ato no Circo Voador é atividade eleitoral

É necessário lutar de forma unificada contra atos de violência que buscam intimidar e cessar o direito de livre manifestação. Estivemos nas ruas de maneira absolutamente unitária por justiça por Marielle e Anderson. Da mesma forma estivemos marchando juntos contra a Reforma da Previdência, na Greve Geral de abril, enfrentando a repressão em Brasília em maio e na luta pelo Fora Temer. Lutas construídas sem personalismos, com combatividade e unidade. Contudo, o que está sendo orquestrado para hoje no Circo Voador não tem qualquer relação com os eventos citados. O lançamento das candidaturas de Lula, Celso Amorim e Lindbergh não tinha grande apelo no Rio. Principalmente porque aqui o PT perdeu força e prestígio pela parceria com Sergio Cabral e o PMDB, especialmente sendo aliado destes na desastrosa política de segurança, que inclusive abriu terreno fértil para discursos extremistas, de ódio e estéreis como o de Bolsonaro. Lembremos que foi o próprio Lula quem definiu que o PT se encontrava no “volume morto”.

Por outro lado, cresceu o PSOL, como alternativa à esquerda, na oposição ao pacto conservador capitaneado por PMDB e PT; e tudo o que o PT precisa para se legitimar perante as ruas e os trabalhadores é da presença de nossos dirigentes e/ou parlamentares no seu palanque!. Para aumentar a audiência de seu evento, o PT converteu o lançamento das candidaturas em “algo maior”, um evento “contra o fascismo e em defesa da democracia”, que faz uma associação bastante casuística entre a luta por justiça para Marielle e Anderson e o pleito para que Lula não seja preso, de forma a trazer o PSOL para seu palanque.

Infelizmente, importantes figuras públicas de nosso partido estão caindo nessa armadilha eleitoreira do petismo quando endossam essa atividade, emprestando o prestígio de suas figuras e de nosso partido para legitimar essa farsa, um palanque eleitoral nem um pouco disfarçado. Por melhor que possam ser as intenções, uma tremenda bola fora em todos os sentidos.

Houveram atos violentos de setores reacionários que merecem nosso total repúdio e protesto. Mas essas agressões não podem ser usadas como espantalho para engrossar palanque eleitoral festivo, ainda mais num momento delicado como o atual. Fascismo é coisa muito séria para ser citado de forma banal e eleitoreira. Se é necessário mobilizar contra a violência, contra a repressão, contra o fascismo, é preciso organizar algo maior de fato, com movimentos sociais, sindical e estudantil, partidos políticos, entidades da sociedade civil, e todos que queiram lutar, sem personalismos e sectarismo, ocupando as ruas, exigindo ainda o fim da intervenção federal e preparando nossa autodefesa.

O que vai acontecer hoje no Circo Voador é outra coisa completamente distinta disso. Vai ser um comício, onde Lula é a grande estrela da noite e será aclamado pelos presentes, em grande parte uniformizados, com palavras de ordem e jingles eleitorais, de forma bastante festiva, como já aconteceu no Paraná, onde Boulos e Manuela foram os candidatos coadjuvantes de Lula, dividindo o palanque. No Rio, se repete a fórmula. Vai ter palanque de comício, plateia de comício, alimentando no imaginário dobradinha eleitoral com o PSOL, como já sugeriu Quaquá à imprensa mais de uma vez.

Da parte de nosso partido, há milhares de militantes e simpatizantes insatisfeitos, críticos, preocupados e/ou temerosos com esse caminho que a direção majoritária do partido e algumas de nossas figuras públicas de maior prestígio vêm trilhando ao acoplar o PSOL ao PT. Diante da opinião pública vai se tornando cada vez mais difícil explicar as reais e importantíssimas diferenças que existem entre os dois partidos. Seguimos ao lado de toda essa militância batalhando contra esse equivocadíssimo rumo que estão impondo ao nosso partido.

Infelizmente, não dá para assistir calado sem se posicionar. As imagens de convocação do ato estão aí para que ninguém tenha qualquer dúvida de que se trata de um ato eleitoral, estreito, para uma plateia direcionada e pouquíssimo ampla. Pegar pautas maiores e torná-las mero pano de fundo para comício eleitoral é uma soma de oportunismo e sectarismo.

O PSOL tem atuado corretamente na luta por justiça por Marielle e Anderson, da maneira como foi aprovado na última resolução nacional, de forma verdadeiramente ampla e unitária. Essa é a postura que o partido precisa retomar, que levou milhares às ruas em defesa do legado e da memória da companheira.

02 de abril de 2018.

CST/PSOL

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