Bolsonaro não é uma opção para a classe trabalhadora!

Por Marco Antonio – professor de Sociologia e da CST-PSOL

Nesses meses que antecedem as eleições gerais de 2018, muitos companheiros tem se perguntado qual candidatura presidencial pode representar os trabalhadores, representar aqueles que no dia-a-dia constroem esse país e que estão cansados de tantos ataques, roubalheira e descaso dos governantes e dos velhos políticos. Ninguém mais aguenta os velhos partidos! Nesse anseio, algum companheiro honesto pode chegar a construir uma falsa impressão sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro é deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro há mais de 20 anos, e tem tentado parecer estar “por fora” do grande esquema politiqueiro que dirige esse país. Mas isso não é a verdade. Poderíamos ter como centro nesse texto as absurdas declarações que ele deu em apoio à ditadura militar, sua apologia à tortura ou falas de cunho racista. Mas não. Neste texto, especificamente, vamos ter como centro as propostas de Bolsonaro em relação à economia, em relação às questões trabalhistas da nossa classe. Com isso, vamos nos somar ao esforço de outras tantas análises que demonstram o quão nocivo Bolsonaro é para os trabalhadores e todos os oprimidos de nosso país.

1 – Bolsonaro votou a favor da Reforma Trabalhista de Temer.

Férias, décimo terceiro salário, direito de greve, FGTS e outros direitos foram conquistados com muita luta em nosso país. Eles se mantem, com muita luta e nenhum governo ainda conseguiu tira-los. Mas ano passado parte desse desmonte de direitos começou mais efetivamente. A reforma Trabalhista de Temer foi aprovada e sancionada. A justificativa dos patrões e dos governos é que essa Reforma iria criar mais empregos formais e, portanto, diminuir o desemprego.

Sobre isso, Bolsonaro afirmou:

“Aos poucos a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego” (21/05/2018 – Estadão)

Passados mais de seis meses da aprovação da Reforma Trabalhista, a realidade é exatamente oposta. Os direitos diminuíram e a criação de postos formais de emprego nunca foram tão pequenos. Já são quase 14 milhões de desempregados no país, segundo a última Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua – PNAD do IBGE. Entretanto, esse número é de pessoas que ainda estão em busca de emprego, ou seja, o número de pessoas que já parou de buscar empregos é muito maior. A mesma pesquisa demonstra que 40 milhões de brasileiros estão trabalhando na informalidade. São os bicos, os pequenos serviços, por exemplo, gente que vive como camelô nas grandes, médias e pequenas cidades correndo dos rapas. Uma condição de vida muito sofrida!

Votar a favor da Reforma Trabalhista é estar ao lado dos patrões. Essa é a concepção que Bolsonaro defendeu e votou a favor, assim como seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL), que também é deputado federal pelo estado de São Paulo.

2 – Bolsonaro é patronal

Em recente visita aos Estado Unidos, Bolsonaro afirmou que o empresário brasileiro vive “esmagado” e “estrangulado”. Isto é verdade? Vejamos, os cinco grandes bancos do país acabam de bater mais um recorde histórico em seus lucros. Apenas nos três primeiros meses de 2018, os bancos tiveram um lucro de 17 bilhões, um crescimento de 8,5% em relação aos três primeiros meses do ano passado. E os trabalhadores bancários, será tiveram esse aumento? Obviamente, não. Ao contrário disso, há dados que demonstram que o salário dos bancários vem sendo achatado há 18 anos e que as perdas salariais podem chegar na ordem de 80%!

Também os patrões do agronegócio brasileiro não podem reclamar. Estes recebem todo o tipo de isenção de impostos e incentivos dos governos. Neste momento em que o “PL do Veneno” que retira da Anvisa o controle dos agrotóxicos no país e facilita a contaminação da nossa comida, tem todo o apoio de Bolsonaro, que esteve em um grande evento do agronegócio onde prometeu “um fuzil para cada fazendeiro”. Então, também não estão no campo os empresários “esmagados” e “estrangulados” do Brasil.

O crescimento da indústria foi o menos vultoso, mas ainda com consideráveis 4,3% no primeiro bimestre de 2018. No estado do Rio, por exemplo, a indústria cervejeira segue recebendo enormes incentivos fiscais. Mesmo com o estado em crise, com aposentados e servidores da ativa com salários atrasados e parcelados, o governador Pezão (PMDB) acaba de renovar a isenção de ICMS da Cervejaria Petrópolis. Serão 10 bilhões de reais que o Estado do Rio deixará de arrecadar. Será o dono da Itaipava o empresário “estrangulado” e “esmagado”? Porque nunca Bolsonaro, que sempre andou perto do bonde do PMDB que acabou com o Rio se pronunciou em defesa dos servidores do RJ? Porque seu filho Flávio, que é deputado estadual, nunca se posicionou contra isso?

Será que outros industriais do país, como os Gerdau ou do grupo Votorantin estão uma situação difícil? Difícil imaginar Antônio Ermírio de Moraes com seus 12 bilhões de reais em patrimônio na situação em que Bolsonaro descreveu. No ramo da construção civil, onde Odebrecht e as outras grandes construtoras envolvidas na Lava Jata seguem com obras gigantescas, será que o Sr. Marcelo Odebrecht está “estrangulado” ou são os milhares de peões, pedreiros, carpinteiros, encanadores, mestres de obras que estão desempregados correndo do rapa nos centros da cidade é que estão? QUEM REALMENTE ESTÁ ESMAGADO E ESTRANGULADO, OS PATRÕES OU OS TRABALHADORES?

A estas perguntas todas, Bolsonaro responde sempre ao lado do patrão.

3 – Bolsonaro vota para entregar as riquezas nacionais

Bolsonaro gosta de parecer “nacionalista”, alguém que defende os interessas da nação, do Brasil. Mas toda vez que é posto à prova, fica ao lado dos interesses internacionais. O mais recente exemplo esteve na votação do último dia 20 de junho, quando votou a favor da entrega de bilhões de barris do petróleo brasileiro para grandes petrolíferas internacionais, a maioria americanas e inglesas, como a Shell. Na prática, essa votação da Câmara e do Bolsonaro significam a entrega desse bem estratégico, aumentando a dominação internacional a qual o Brasil é submetido. Os trabalhadores são os que pagam o pato, seja na hora de termos uma das gasolinas e diesel mais caros do mundo, seja nos ataques feitos contra os trabalhadores da Petrobrás.

4 – PEC 241

Bolsonaro votou a favor da PEC 241, a chamada PEC do Congelamento dos Gastos. Na verdade, essa é a PEC do congelamento dos investimentos em área sociais, essencialmente em saúde e educação. Essa talvez seja a medida patronal mais importante do governo Temer. Menos dinheiro para a saúde, menos para e educação e mais para os banqueiros. Essa é a pá de cal dos patrões brasileiros e internacionais na classe trabalhadora brasileira. É essa medida que vai manter e aumentar, ano após ano, o caos que temos que nos hospitais. É essa medida que vai aumentar o número de crianças fora da escola. Essa medida, também, contribui com a crise na economia e por isso com o aumento do desemprego, colocando ainda mais pessoas na informalidade ou em sub empregos mal remunerados. Ora, Bolsonaro não votou nesta PEC patronal, antinacional e pró bancos sem saber o que estava fazendo. Essa é, mais uma vez, a concepção de Bolsonaro, o que ele defende na prática.

6 – Bolsonaro é contra as trabalhadoras

Todas essas medidas afetam homens e mulheres. Entretanto, além de patronal, Bolsonaro é machista e misógino. E isso está para além das palavras. Bolsonaro homenageou o Coronel do exército Brilhante Ustra, aquele que colocava ratos nas vaginas das presas políticas. Esse é o lado ideológico, mas Bolsonaro vai além. Ano passado defendeu em um programa popular em rede nacional de televisão que entende que as mulheres tenham salários mais baixos, pois as mulheres engravidam e ficam meses “inativas” e o patrão não tem que arcar com esse “prejuízo”. É por essa concepção que milhões de mulheres tem dificuldades muito maiores que homens para ascender profissionalmente, e mesmo quando ascendem na grande maioria das vezes seus salários são inferiores aos de homens que exercem as mesmas funções.

7 – Contra as greves

A greve é um instrumento de luta histórico da classe trabalhadora. É a melhor forma de enfrentar a intransigência de governos e patrões. Recentemente na greve dos caminhoneiros, Bolsonaro ao perceber o grande apoio popular que a mesma tinha, saiu a falar que apoiava o movimento. Mas logo mudou de opinião, quando percebeu que o movimento ganhava um impulso de lutar contra Temer e que era possível que se alastrasse para outras categorias, o que convulsionaria o país de vez. Também foi desmascarado durante o processo, pois ele é autor de um projeto de lei de pune com multas pesadas a obstrução de vias em todo o país por movimentos de greve. E todos nós sabemos o quanto são importantes nossas passeatas e piquetes, para chamar a atenção da sociedade e encurralar governos e patrões. Também não foram poucas as vezes em que chamou greves de diversas categorias como “coisa de vagabundo” ou “coisa de desocupado”, demonstrando seu ódio à nossa classe.

8 – NENHUM VOTO EM BOLSONARO

Como dissemos, há muitos e muitos motivos para não votarmos em Bolsonaro. Estes são apenas alguns poucos pontos, somente em questões trabalhistas, que fizemos um pequeno resumo. Poderíamos fazer um dossiê com páginas e páginas demonstrando o quanto Bolsonaro está do outro lado da trincheira, que ele está com os patrões. E este é nosso objetivo. Centralmente porque apostamos nas lutas, nas greves, na ação direta da classe trabalhadora em defesa dos direitos que já temos e pela ampliação deles. Também estamos absolutamente de saco cheio do papo furado dos políticos profissionais e dos partidos tradicionais, e é justamente por isso que queremos fortalecer a nossa classe. Para esse objetivo, lutar contra todo tipo de fascismo e violência contra a classe trabalhadora que o Bolsonaro representa, é uma tarefa fundamental!

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