#EleNão! Derrotar a extrema-direita do Bolsonaro e Mourão nas ruas e nas urnas!

As eleições expressaram um crescimento de Bolsonaro e do PSL. Haverá um segundo turno que promete grande polarização política, tanto que o movimento de mulheres já prepara uma segunda manifestação do #EleNão, para o dia 20/10, repudiando a política desse candidato.

Numa eleição onde primou a rejeição aos partidos tradicionais e houve muita pressão pelo chamado voto útil, uma parte expressiva dos votos de Bolsonaro foram conquistados entre trabalhadores e setores populares que manifestaram nas urnas seu ódio ao desastre econômico e social do governo Dilma e à corrupção do PT. Esse setor, nas fábricas, estatais, repartições públicas, bairros periféricos, acredita equivocadamente que Bolsonaro vai resolver os problemas da segurança pública e da corrupção. Trata-se de um grave erro. Bolsonaro é um político profissional, que está há décadas no parlamento, que apoiou o governo corrupto de Temer e votou as contrarreformas que retiraram direitos dos trabalhadores e do povo (reforma trabalhista, congelamento de recursos para saúde e educação por vinte anos). É parte da política tradicional que se utiliza de inúmeros privilégios, como o auxílio-moradia. Seu antigo partido, o PP do corrupto Maluf, compôs a base aliada do governo Dilma. Bolsonaro e seu guru econômico, Paulo Guedes, pretendem acelerar o ajuste fiscal estrutural de Temer, buscando privatizar e acabar com a carteira assinada e fazer a reforma da previdência. Seu vice, o general Mourão, fala em acabar com o 13° salário, uma conquista dos anos 60 que eles não conseguiram exterminar. Bolsonaro e seu partido são hoje os principais inimigos das mulheres, LGBTs, negros, indígenas, disseminando o discurso de ódio contra todos os setores oprimidos e minorias.

Bolsonaro lidera um movimento de generais, oriundos da ditadura militar de 64: um período onde não se podia contestar os governantes. Na ditadura não seria possível ir para as ruas como em junho de 2013, fazer uma greve geral como em 2017, protestar contra a morte de Marielle ou fazer greves como a dos caminhoneiros. Durante a ditadura militar houve corrupção, arrocho salarial e precarização do trabalho. Quem reclamava era preso, torturado e assassinado. Já está comprovado que todas as políticas repressivas, como a intervenção militar do exército no Rio de Janeiro, não resolvem o problema da segurança e acarretam mais mortes de trabalhadores e jovens nas favelas, em sua maioria pobres e negros. Portanto, a proposta de “lei e ordem” de Bolsonaro e dos militares somente vai se voltar contra os movimentos sociais e setores populares.

Hoje Bolsonaro é a opção preferencial da burguesia, do agronegócio, do comércio, da FIESP e do capital financeiro. Não é por outro motivo que a bolsa de valores está em euforia e os “investidores” declaram que Bolsonaro “é visto como o mais inclinado a promover as reformas que o mercado financeiro considera necessárias”. Querem fortalecer um setor de extrema-direita, ultrarreacionário, para tentar aplicar com mão de ferro o ajuste fiscal, privatizar, arrochar salários. Querem colocar os generais no comando do executivo e ampliar influência dos militares no Congresso Nacional e no STF (onde já assessoram o novo presidente da Corte). Trata-se de um projeto que precisamos combater e derrotar nas urnas e nas ruas.

Nós não temos nenhuma ilusão no PT e sempre fomos oposição de esquerda a Lula

Nossa corrente foi expulsa do PT por denunciar a traição de classe e a conversão do PT à ordem, sua degeneração corrupta, o enriquecimento de seus dirigentes e a aplicação das reformas orientadas pelo FMI. Denunciamos ainda as alianças com corruptos e reacionários como o PP de Maluf, os fundamentalistas como Crivella, o PMDB, a cúpula militar (alguns dos generais de Bolsonaro foram parceiros do PT na invasão ao Haiti e na contenção de greves), entre outros. Portanto, a causa principal do desencanto e desespero que leva setores operários e populares a votar num projeto ultraconservador é a falência do governo do PT, que mudou de lado traindo os trabalhadores e se locupletou com a corrupção desenfreada. O retrocesso político e ideológico que assistimos é fruto dos últimos treze anos, quando Lula fez questão apresentar inimigos históricos da classe trabalhadora, das mulheres, da população indígena, do povo negro e da juventude como se fossem “aliados progressistas”, dentro do seu projeto “democrático e popular” com a burguesia e o imperialismo.  Nesse último período PT tentou reeditar essa política sem sucesso, boicotou as greves gerais contra Temer, tentou um acordão com todos os corruptos, coligou-se com o PMDB em inúmeras regiões do país e seu candidato Haddad tenta, sem sucesso até agora, ser a opção preferencial dos “mercados”. O lulismo, portanto, segue seu velho e falido projeto de conciliação de classes sem que encontre grandes parcerias com setores importantes da burguesia que aceitem ser seus fiadores até o presente momento.

#EleNão: Nenhum voto em Bolsonaro! Voto crítico em Haddad e Manuela

Porém, há muito em jogo nesse segundo turno. Definitivamente o capitão Bolsonaro, o General Mourão, os demais militares torturadores de 64, os ultraneoliberais encabeçados por Guedes, a UDR e a pistolagem do campo, os parasitas da BOVESPA, IURD, os reacionários, fundamentalistas, homofóbicos, racistas, machistas, e todos os demais patrões comprometidos com esse projeto são os inimigos a serem derrotados nessa eleição. Vamos seguir como parte do movimento de massas pelo #EleNão e nos manifestar nas ruas para derrotar Bolsonaro.

Neste sentido chamamos a votar criticamente em Haddad e Manuela para derrotar Bolsonaro nesse segundo turno. Mesmo com todas as divergências que sempre manifestamos nos últimos anos e com as críticas que publicamente expressamos agora. Portanto, não temos nenhuma responsabilidade pela política dessa chapa, mantendo nossa independência política.

Sabemos que muitos trabalhadores e jovens não aceitam votar no PT de forma alguma. A esses companheiros chamamos a não depositarem nenhum voto em Bolsonaro, a não se comprometerem com esse projeto patronal, ultrarreacionário e autoritário.

É preciso fortalecer a batalha nas ruas, construindo ofensivamente o movimento #EleNão unificadamente nas manifestações do dia 20/10. Um movimento unitário amplo com todos os setores que querem derrotar Bolsonaro. Nessa unidade é fundamental que as centrais sindicais convoquem essa data como parte de um plano de lutas que desemboque em uma nova greve geral em defesa dos direitos da classe trabalhadora, setores populares e da juventude.

09/10/2018, Corrente Socialista dos Trabalhadores – Tendência Interna do PSOL

 

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