CHILE | Fora Piñera: Basta de repressão. Liberdade imediata aos presos políticos!

Texto Caio Sepúlveda (Letras UFF) e militante do Vamos à Luta

A rebelião popular segue no Chile. A última sexta-feira (06/12) foi o 50º dia seguido de mobilizações em todo o país. O povo chileno continua lotando as ruas com bravura, exigindo a queda do governo Piñera e o fim do modelo econômico neoliberal, herança da ditadura Pinochet.

Sem conseguir controlar as mobilizações, Piñera tem proposto, com a ajuda da falsa oposição do Partido Comunista e da Frente Ampla, leis mais duras para avançar na repressão contra seu próprio povo. Um suposto “acordo pela paz” que na verdade é um acordão corrupto para salvar a pele do presidente.

Em cinco semanas de protestos, já são pelo menos 24 mortos. O Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) fala de 3.449 feridos. São 1980 pessoas atingidas pelos disparos da polícia e dos militares, sendo 352 que perderam parcial ou completamente a visão pela balas. O número de prisões consideradas ilegais por órgãos de defesa dos direitos humanos, como Anistia Internacional e Human Rights Watch, chegou a 9 mil. E destes 1.383 realizaram denúncias formais de violações de direitos, sendo 405 por torturas, 787 por agressão física e 192 violações sexuais.

Para cego ver: mulheres chilenas com os olhos vendados, apontando para frente. Elas usam um lenço verde em seus punhos, símbolo da luta pelo aborto gratuito e legal.

Foto: NOA/Nosotras Audiovisuales

As mulheres chilenas responderam aos estupros, que estão sendo utilizados como método de tortura pela polícia, com mobilizações feministas com a performance “el violador eres tu” que se tornou um hino feminista e ganhou as ruas de diversos países, denunciando a violência machista e dizendo de quem é a culpa: Dos estupradores, da polícia, do presidente e do Estado.

As leis “anti-barricada” e “anti-saque”, aprovadas com votos da oposição, estão a serviço de ampliar a repressão e prender mais manifestantes. Servem para garantir a impunidade aos assassinos: Piñera, os militares e a polícia. O crime que a população cometeu foi ir às ruas para lutar por um Chile sem um modelo econômico de fome, pelo fim da constituição do ditador Pinochet e para que caia Piñera e o congresso nacional corrupto que enriqueceu com o povo na miséria.

Mas mesmo com a tentativa de intimidar os manifestantes, a rebelião popular segue nas ruas. Os companheiros do nosso partido irmão no Chile, o Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST – Seção da UIT-QI), está compondo uma coordenação nacional das assembleias territoriais e das famílias dos presos contra a repressão, por liberdade imediata aos presos políticos e punição aos assassinos. A coordenação “18 de outubro” tem feito uma campanha nacional pela libertação imediata dos lutadores, levando faixas às marchas e fazendo manifestações e coletivas de imprensa em frente a tribunais e presídios.

Nós somos parte dessa campanha internacional, exigindo que o governo brasileiro rompa relações com o assassino Piñera e prestamos toda a solidariedade à luta do povo Chileno.

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