Editorial | Seguir o exemplo das torcidas e da juventude negra! | Jornal Combate Socialista Digital No. 1

Após a revolta negra nos EUA, uma onda global de manifestações enfrenta os efeitos da pandemia e da crise econômica capitalista. No Brasil, as torcidas antifascistas e os movimentos negros organizam protestos de rua, canalizando o amplo sentimento opositor ao governo Bolsonaro e à violência policial nas favelas.

A juventude negra das favelas se levanta pois não quer morrer “de vírus, de tiro ou de forme”, como diziam as lideranças negras das favelas no Rio de Janeiro. Os protestos ocorrem porque nas periferias não existe saneamento básico e crianças são assassinadas pela Polícia Militar. As torcidas decidiram dar um basta aos atos da extrema direita que pedem uma nova ditadura militar e o fim das medidas de isolamento social. É uma batalha contra a extrema direita, como nos explicou uma liderança da Gaviões da Fiel no protesto da Avenida Paulista.

Ampliar a mobilização é o caminho para salvar as vidas do povo trabalhador e da juventude negra

Desde março os governantes sabem que é necessário garantir um isolamento social. Até aqui, o presidente negou a existência da pandemia e agora esconde os dados de contaminação e mortos (mesmo aqueles subnotificados). Os governadores e prefeitos começaram a afrouxar as poucas medidas de isolamento social que havia nos estados e cidades, em pleno crescimento dos casos de COVID-19 no país. Os empresários mantiveram em funcionamento inúmeros locais de trabalho de setores não essenciais. Nos setores essenciais, como saúde e limpeza, faltam até máscaras e outros EPIs. Ou seja, as autoridades e empresários não ligam para as vidas do povo trabalhador e nem garantem as medidas sanitárias orientadas pelos cientistas e pelos médicos.

Só nos resta protestar. Aprofundar a mobilização e ampliar o movimento, incorporando todas as reivindicações. Somente assim seremos ouvidos. Em meio à atual pandemia, temos de respeitar o distanciamento físico nas manifestações e deixar em casa os ativistas que são grupo de risco (para a solidariedade virtual). Um exemplo que comprova que as manifestações garantem resultados positivos é que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve de se mexer e conceder o fim das operações policiais nas favelas, o que é positivo (embora não possamos confiar na justiça).

Unificar com as pautas da classe trabalhadora

As manifestações, que vão se repetir nas próximas semanas, mostram o caminho para a classe trabalhadora. Hoje a amplíssima maioria dos trabalhadores não pode realizar quarentena, pois são obrigados pelos patrões ou pelos governos a continuar em serviços não essenciais. Em inúmeras categorias a continuidade do serviço ocorre em meio à imposição de redução dos salários e suspensão de contratos. Temos de nos apoiar nessas mobilizações para organizar reuniões para conquistar álcool em gel, protocolar denúncias no Ministério do Trabalho sobre a falta de EPIs, realizar abaixo-assinados pela testagem massiva ou contra a redução salarial, etc.

No protesto de São Gonçalo (RJ), a juventude cantava “a favela organizou: é estudante junto com o trabalhador”, mostrando essa necessária união. O Sindicato dos Metroviários de SP convocou o protesto antifascista e antirracista do domingo 07/06. No Rio de Janeiro, o SINTUFF (trabalhadores da UFF) ajuda a organizar a unidade dos fóruns de luta de Niterói. São exemplos que precisamos ampliar, até mesmo para enfrentar a repressão desmedida que é lançada sobre a juventude que está nas ruas nesse momento.

As direções da CUT, CTB, UNE, UBES precisam convocar os protestos

Até agora as direções das maiores centrais, principalmente a CUT e a CTB, não convocaram suas bases para as manifestações e não jogaram seu peso nesse movimento. No sindicato dos metroviários, essas centrais diretamente votaram contra a convocação dos atos. O pior é que essas direções sindicais apoiam a retirada de direitos em inúmeras categorias. O mesmo ocorre na cúpula das entidades estudantis, com a direção da UNE e UBES se negando a convocar de verdade os protestos de domingo. As mobilizações foram fortes e forçaram esses dirigentes a integrar alguns desses protestos no último domingo 07/06. Mas precisamos de uma atitude mais combativa pois o momento é decisivo. É fundamental exigir em cada sindicato, entidade estudantil, movimento social que as maiores centrais e entidades convoquem os protestos, com toda força e por todos os meios possíveis. Além de exigir que a CUT e a UNE convoquem uma jornada nacional de lutas, paralisando as categorias não essenciais.

Além da luta unificada necessitamos uma Frente de Esquerda e Socialista

Os partidos de oposição não constroem os protestos de rua. O PDT de Ciro, o PSB e a REDE de Marina orientaram seus filiados a não ir aos protestos. Já a direção do PT e do PCdoB não divulgou os atos e não convocou seus filiados, se limitando a dizer burocraticamente que “apoiam”. No caso do PT, tivemos diretamente a repressão aos manifestantes por parte do governo “democrático e popular” de Camilo Santana, no Ceará. Está explícito que com essas lideranças pelegas não podemos vencer os atuais desafios. Esses partidos da oposição deveriam apoiar o povo negro e as torcidas com a convocação das manifestações, chamando todos os seus filiados a ocupar as ruas e colocando seus parlamentares na linha de frente dos atos para evitar a repressão aos manifestantes.

Infelizmente, a direção majoritária do PSOL ficou nesse mesmo campo e não se postula como alternativa de esquerda na organização da luta nas ruas. No máximo, vimos alguns dirigentes do campo majoritário do partido participando de alguns protestos, mas sem uma convocação coletiva e organizada de toda a militância. Ainda há tempo de mudar esse rumo. Para isso, necessitamos construir uma alternativa com setores da esquerda, como o PCB, a UP e o PSTU, sem a conciliação de classes do PT e do PCdoB. Uma Frente de Esquerda que defenda as manifestações e mostre que é possível resolver os problemas populares e fazer com que a crise seja paga pelos milionários, os banqueiros, as multinacionais e o agronegócio.

Continuar nas ruas e organizar nosso movimento

No plano imediato nossa tarefa é um forte movimento unificado. Todos juntos nas ruas contra Bolsonaro e Mourão, em defesa das vidas negras, por quarentena geral imediata. Para garantir que se suspenda o pagamento da dívida aos banqueiros e sejam taxadas as grandes fortunas destinando recursos ao SUS e à renda básica aos desempregados.

Para isso, cada movimento e cada organização deve seguir o exemplo das torcidas e dos movimentos negros, tomando o impulso das lutas internacionais. A unidade das torcidas, movimentos negros, organizações de esquerda e da Frente Povo Sem Medo no último domingo (07/06) foi muito positiva. A presença de ícones da periferia como Mano Brown e Thaíde mostra que os artistas podem apoiar esse protesto utilizando sua fama para amplificar pautas justas. É preciso que esses movimentos continuem convocando manifestações semanais aos domingos e pautem as demais entidades (sindicais, populares e estudantis) para uma jornada nacional de lutas com paralisação das atividades da classe trabalhadora.

Devemos nos organizar em nossos sindicatos, DCEs, centros acadêmicos, oposições sindicais e batalhar pela construção dos atos. Impulsionar plenárias e fóruns de luta que ajudem a organizar a unidade dos protestos em curso. A reunião da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas do dia 04/06 aprovou apoio às mobilizações, e a corrente sindical Combate pautou a necessidade de que a central convoque os atos. Seguiremos batalhando para que essa seja a política da Central.

Convidamos vocês a estar conosco nessas batalhas, participando de nossas reuniões virtuais, assinando o nosso jornal Combate Socialista e se organizando conosco nas próximas manifestações.

 


Olá! O Combate Socialista agora está em formato digital. Nossos militantes continuam colaborando nas lutas por uma efetiva quarentena, com salário e com direitos, e nos protestos do povo negro e pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Veja os temas da atual edição:


COMBATE SOCIALISTA
Jornal Digital – Nº 1 – Junho/2020 +
Formato Especial (próprio para leitura em smartphones)


Sumário

Editorial | pág. 2

Entrevista: com Zila Camarão, trabalhadora do HUJBB de Belém | pág. 3

Tomar as ruas por quarentena geral e contra o racismo | pág. 4

O lugar da esquerda é nas ruas | pág. 5

Uma rebelião negra explode nos EUA | pág. 6

Rio de Janeiro: falta de quarentena efetiva é sentença de morte aos pobres | pág. 7

Juventude na luta contra o ensino remoto/EAD nas universidades | pág. 8

A UNE e o movimento estudantil precisam repudiar o ensino remoto/EAD | pág. 9

MP 936: patrões e Congresso impõem medidas que reduzem salários | pág. 10

Especial – Mulheres na pandemia | pág. 11

Especial – 80 anos do assassinato de Leon Trotsky | pág. 12


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