25 de julho | Relembrar a luta das mulheres negras na América Latina e Caribe

Em 25 de julho de 1992, durante o primeiro encontro de mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana, surge esta importante data a resgatar o legado de milhares de lutadoras e impulsionar as mobilizações das mulheres negras no combate ao racismo e o machismo, por reparação histórica e na luta por condições de sobrevivência. De acordo com o atlas da violência 2019, no Brasil, as mulheres negras foram 66% das vítimas de homicídios em 2017, 61% das vítimas de feminicídio entre 2017 e 2018 e 51% das vítimas de estupro.

No Brasil, onde a população negra é a maior fora da África, as mulheres negras estão na base da pirâmide social, submetidas às piores condições de trabalho, recebendo menores salários, ocupando postos de trabalho mais precarizados e vivendo em aglomerados nas periferias do país sem condições sanitárias básicas. Segundo o DIEESE, o salário médio da mulher negra continua sendo a metade de uma mulher branca. As mulheres negras estão em empregos mais precários, sendo 74% contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. As estatísticas do IBGE comprovam que 21% das mulheres negras são empregadas domésticas, além de estarem ocupando quase a metade dos 38 milhões de brasileiros no trabalho informal.

A condição de vida das mulheres negras é semelhante em todo o mundo. Fruto das políticas de ajuste fiscal dos governos,compõem uma das parcelas mais atacadas da classe trabalhadora, que sente na pele toda a retirada de direitos e amarga a pobreza, o desemprego e a marginalização. Nas relações capitalistas, o racismo e o machismo servem para que as multinacionais ampliem seus lucros, com a superexploração dos setores oprimidos. Por isso esses setores estão na linha frente de muitas lutas, protagonizando mobilizações e enfrentamentos aos governos, como nos massivos atos antirracistas nos EUA que se espalharam pelo mundo este ano, da rebelião popular no Haiti ou das mulheres chilenas que incendiaram as ruas do país contra a política de austeridade de Piñera, no ano passado.

Pandemia: A letalidade é maior entre negros/as e indígenas

Toda situação de degradação vivenciada pelas mulheres negras é agravada pela crise do coronavírus. No início da quarentena, o número de casos de violência doméstica aumentou 50%, demonstrando que não existe lugar seguro.
Além disso, fruto das políticas negacionistas e genocidas de Bolsonaro, os mais pobres foram jogados ao olho do furacão: obrigados a escolher se morreriam de fome ou de coronavírus e tendo seu direito de quarentena negado. É importante lembrar que a primeira vítima no estado do Rio de Janeiro foi a empregada doméstica contaminada pela patroa que voltava de férias da Itália.
Enquanto os ricos tem condições de se tratar são as trabalhadoras/es negras, pobres e periféricas que mais padecem nas filas do SUS aguardando leitos. Dados do Ministério da Saúde apontam que 1 em cada 3 mortos por covid19 são negros.
De acordo com o IBGE, no Brasil vivem 7,8 milhões de pessoas em lares chefiados por mulheres negras e destes, 63% vivem abaixo da linha da pobreza. A maioria delas residem em condições mais precárias, nas periferias sem saneamento básico e recursos mínimos para garantir a preservação da saúde. Além de sofrerem com as políticas de repressão do Estado e o extermínio de seus filhos pelas PMs e milícias.
Nem durante a pandemia as balas deixam de mirar a negritude: no RJ, menino João Pedro de 14 anos foi assassinado enquanto brincava e teve a casa atingida por mais de 70 tiros. São as mulheres negras e mães que choram a perda de seus filhos vítimas de uma política de segurança pública militarista e genocida dos governos e de Bolsonaro. Além de tentar se proteger da covid19 e da miséria é preciso esquivar-se das balas de fuzil.

Longe de atingir o controle do vírus, com mais de 200 milhões de contaminados e recordes diários de de óbitos, o Brasil chega a terrível marca de 84 mil mortos por covid-19, escancarando a face genocida do governo Bolsonaro que, juntamente com governadores e prefeitos têm promovido a flexibilização do isolamento social, reabrindo o comércio e os serviços não essenciais em detrimento do lucro, obrigam os trabalhadores a se exporem ao vírus.

A crise do coronavírus escancara a realidade desigual e cruel das grandes massas de vulneráveis, que morre trabalhando infectada pelo vírus ou pela falta de alimento. Não à toa é o setor mais palperizado da população que tem saído às ruas no Brasil e no mundo a protestar. O levante antirracista nos EUA é parte da onda de lutas que refletem a realidade da população negra e latina que foi penalizada duramente pela pandemia. A exemplo das merendeiras terceirizadas da prefeitura do Rio de Janeiro, categoria composta por maioria de mulheres negras, mães e chefes de lares, que estavam há dois meses sem salários e sem o auxílio alimentação, organizaram diversos protestos até arrancar seus direitos. Ou mesmo como a população de Paraisópolis (SP) que marchou nas ruas para exigir água encanada em toda a comunidade, saneamento básico e acesso à sabonetes, condições básicas para sobrevivência. Esses são exemplos que nos apontam o caminho a ser seguido. Hoje, além de dia Internacional da mulher negra latino-americana e caribenha é também dia Nacional de Tereza de Benguela, líder quilombola da resistência à escravidão no Brasil que nos deixa um importante legado de luta.
Seguiremos lutando pela destruição do sistema capitalista, pelo combate ao racismo e pela liberdade do povo negro. Lutaremos também para derrotar o presidente genocida que legalizada a precarização e o extermínio dos nossos.

• Quarentena geral já!
• Renda mínima para as mulheres chefes de lares!
• Verbas para as políticas públicas e não para a Dívida!
• Justiça para Ágata, Miguel e João Pedro! VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

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