Saudações ao VII Congresso da UIT-QI

Tradução:  Lucas Schlabendorff

Companheiros da UIT-QI, nós do Movimento Alternativa Socialista (MAS) de Portugal, gostaríamos de saudar o vitorioso congresso ao qual fomos convidados a participar. Nos alegrou muito o ambiente fraternal e de ótimo nível de discussão política. Os dois temas centrais da reunião, a situação mundial e a questão ambiental, colocam a UIT-QI nos grandes debates da situação mundial neste período muito convulsivo. Nos pareceu uma discussão muito interessante, com quadros de numerosos países. No início, quando estabelecemos contato para conhecer melhor esta Internacional, não tínhamos a percepção da quantidade de grupos, partidos e companheiros de diversas partes e continentes que estariam presentes. Foi uma surpresa agradável com muito boas contribuições. Também nos pareceu muito interessante a elaboração recente sobre o papel da China e a relação com os Estados Unidos. É muito interessante e temos acordo com a ilusão que gera a dinâmica da polarização social que avança no planeta. Por isso, vamos continuar debatendo. É muito importante que haja uma perspectiva de unificação e de aproximações de diferentes grupos e correntes. Foi nesse sentido que participamos deste congresso da UIT-QI e seguiremos debatendo com o objetivo de buscar uma confluência comum para reconstruir uma Internacional revolucionária. Seguiremos adiante, companheiros. Muito obrigado.

por Gil Garcia, do MAS de Portugal

 

Camaradas organizadores do congresso da UIT-QI,

É um prazer para nós que nossa voz, a do Partido da Esquerda Democrática da Síria, chegue à vossa conferência. Nosso partido, nascido no seio da revolução síria contra o regime fascista e opressor de Damasco apoiado pelo imperialismo internacional que representa e apoia seus interesses no Oriente Médio, se vê na vanguarda do apoio à unidade dos trabalhadores do mundo para derrotar o poder do imperialismo e luta nas comunidades locais para minar os poderes nos quais o imperialismo global se sustenta. Tais poderes são representados pelo neofascismo, o neonazismo e os regimes mafiosos, considerados as piores formas do imperialismo global. Esperamos que a UIT-QI, através de seu congresso, faça um chamado a apoiar as revoluções locais como prelúdio da destruição do imperialismo do capital globalizado.

Camaradas da UIT-QI: estendemos nossa mão a vocês e saudamos a revolução permanente contra o capital globalizado, desejando um grande sucesso ao seu congresso.

Comitê Central do Partido da Esquerda Democrática da Síria, 10/12/2020

 

A primeira sensação que tive ao participar do Congresso da UIT-QI foi a presença de uma multidão de companheiros e companheiras de diferentes partes de todo o globo terrestre. Para mim, que estava acostumado ao pequeno número de organização que faziam parte da velha CRCI, o impacto foi chocante, em um sentido bastante positivo. Intervi sobre o ponto Mundial do Congresso junto de companheiros e companheiras que participaram e participam das maiores lutas mundiais de hoje. Entre outros, os companheiros venezuelanos do PSL, que lutam contra as políticas do governo bonapartista de Nicolás Maduro; ou os companheiros do Izquierda Socialista, comprometidos com a luta pela legalização do aborto. Foi emocionante ver o ato de juramento do companheiro Juan Carlos Giordano, no qual o mesmo jurava como deputado trabalhador e não como parlamentar.

Os dois dias de Congresso que eu participei abordaram temas muito concretos com os quais os socialistas revolucionários de todo o mundo devem se enfrentar. A crise provocada pelo coronavírus não é simplesmente uma crise sanitária, mas sim mais uma das tantas crises do sistema capitalista, sendo esta uma das mais graves da história desse sistema. O coronavírus coloca mais lenha na fogueira da crise econômica mundial e provoca uma nova crise aguda. Não é mais o mesmo da crise anterior, mas um salto que provoca uma crise inédito no capitalismo, com suas consequências para a burguesia e também para as massas. Se está provocando uma mudança colossal para o capitalismo e a humanidade em seu conjunto. Assim coloca, corretamente, o documento de atualização mundial do Congresso, assinalando também que a questão mais débil que temos nesse contexto objetivo de queda dos regimes capitalistas é a questão da direção da classe trabalhadora. Essa difícil perspectiva é resumida no capítulo 5 do documento mundial: “A crise dos velhos e novos reformismos e o vazio de direção revolucionária”.

Como tive possibilidade de dizer em minha intervenção oral, repito aqui por escrito: Assino embaixo o texto da UIT-QI, especialmente as reivindicações finais que são o marco da consigna mais importante: “Que a crise do capital seja paga pelos capitalistas e não pelos trabalhadores”. Os seis pontos de luta representam reivindicações transitórios válidas para todas as nacionalidades aqui reunidas. Retomemos os ensinamentos de León Trotsky: a tarefa estratégica da IV Internacional não é reformar o capitalismo, mas sim derrubá-lo. Seu fim político é a conquista do poder por parte do proletariado para expropriar a burguesia. A consigna que mais me convence, com relação a outras conferências ou congressos que tive a oportunidade de participar, é a de unir os revolucionários: não simplesmente através de palavras vazias, mas sim com um método e com uma base de princípios nítida para todos, sem pedir a prova de DNA dos integrantes e garantindo a livre expressão das minorias. Com uma expressão: “por fim, feliz de ter-lhe encontrado, centralismo democrático”.

Também, no dia seguinte, com a discussão sobre a natureza do imperialismo russo-chinês e o tema da destruição do meio ambiente, foi fonte de aprendizagem e troca de conhecimentos. Parte dessa crise –assim coloca o documento sobre destruição ambiental – é a mudança climática e o avanço da destruição ambiental. Informes científicos indicam que até o ano de 2050 o planeta pode ser inabitável se não frearmos as emissões de CO2. Este é o abismo para o qual o capitalismo nos leva, enquanto uma minoria de multimilionários e suas multinacionais seguem multiplicando seus lucros gigantescos. Somente a destruição do sistema capitalista-imperialista, a expropriação da burguesia e a construção de governos socialistas dos trabalhadores podem planificar racionalmente a economia mundial para cuidar da natureza e do ser humano como parte dela. […] Nos consideramos parte desse movimento e apoiamos as demandas justas e fazemos todo o possível para conseguir a mais ampla unidade de ação pelas mesmas, sem nenhum tipo de sectarismo. Somos o setor socialista revolucionário desse movimento amplo em defesa da vida no planeta.

A UIT-QI apoia e impulsiona todas as lutas populares e da juventude, em defesa dos recursos naturais e que enfrentem o saque e a depredação da natureza. A UIT-QI não se limita a um simples ambientalismo progressista, mas entende a defesa da natureza como parte integrante da luta por um novo sistema social que possa cuidar de maneira definitiva do planeta: o socialismo. Uma decisão real, longe de qualquer tipo de utopia e ilusões, começando por um dado científico afirmado por vários estudiosos: se não se detém o aquecimento progressivo do planeta, entre 2050 e 2100 a Terra não poderá hospedar formas de vida humana, simplesmente porque o capitalismo, se seguir ameaçando as espécies animais e vegetais com sua arrogante exploração, resultará num levantamento da temperatura de mais de 7 graus centígrados, incompatível com as condições de vida do ser humano.

Enfim, um Congresso que devemos valorizar, distante de resoluções sectárias. Isso se percebe, entre outras coisas, pela condução do debate e a temática abordada. Um Congresso aberto ao futuro dos movimentos trotskistas sem esquecer o que foi o marxismo revolucionário, livre de formas desajeitadas de otimismo, mas partidário de opiniões que abrem uma perspectiva de futuro. O momento congressual foi, sem dúvidas, uma experiências belíssima, quase rara eu poderia dizer, sem medo de exagerar. Uma organização trotskista internacional deve saber debater, votar a nível internacional, pois de outra maneira seria simplesmente uma seita que tem como fim sua autoconservação baseada no centralismo burocrático.

A UIT-QI tem as ferramentas para essa tarefa e a tradição histórica para fazê-la. Reconstruir a IV Internacional, unindo os marxistas revolucionários, é uma tarefa necessária que se pode e deve reivindicar. Sem Internacional não existe o marxismo revolucionário e a luta contra o capitalismo sem o Partido Internacional dos trabalhadores será destinado a outras derrotas. O caminho trilhado pela UIT-QI é difícil de seguir, mas é o rumo correto. Decisões tomadas debatendo nos congressos, não como outras organizações trotskistas mais concentradas em alimentar o próprio ego de seus líderes. Falemos, então, de socialismo e lutemos por ele, porque a alternativa é a barbárie e a catástrofe ambiental. Aos companheiros e companheiras da UIT-QI, agradecendo pela possibilidade que me foi dada de participar, lhes digo que sigamos assim!

ATÉ O SOCIALISMO, SEMPRE!

por Lukas, militante revolucionário italiano convidado

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