Qual a saída para a grave crise do país?

 

Diego Vitello e Adriano Dias, Coordenação da CST

 

A pandemia bate recordes praticamente todos os dias. O sistema de saúde está em profundo colapso. Em vários estados a ocupação de leitos ultrapassa 100% e pessoas morrem na espera.

Bolsonaro, ainda que cada dia fale uma coisa diferente, é o principal responsável pelo país ultrapassar a barreira de 280 mil mortes. A essa situação de colapso na saúde e genocídio em massa da população se soma a pandemia social, onde o desemprego, a fome e o desespero de milhões de brasileiros que vivem na miséria ou trabalham na informalidade crescem a cada dia.

Os governadores, por sua parte, são corresponsáveis pelo colapso do sistema de saúde. Enquanto poderiam garantir medidas para reforçar o isolamento há muitos meses, agora, com os brasileiros morrendo à espera de UTIs, resolvem tomar algumas medidas tímidas e insuficientes de isolamento.

Em São Paulo, onde Doria busca ser “exemplo” no combate à pandemia, mesmo na fase mais restrita do seu “lockdown”, diversos serviços não essenciais seguem funcionando normalmente, como as montadoras de carros e o telemarketing.

Nesse cenário de caos e dificuldades, qual é a saída para a classe trabalhadora começar a reverter essa situação?

 

Para enfrentar o genocídio e a fome: não pagar a dívida e taxar as grandes fortunas

 

Em meio ao crescente aumento de contaminações e mortes, somente um lockdown de verdade, junto à vacina e a garantia da renda para a população, pode garantir o isolamento necessário para que possamos reverter o genocídio comandado por Bolsonaro no país.

Dinheiro para garantir um lockdown sem fome o país tem de sobra. Para termos uma noção de comparação, somente no ano de 2020 o país gastou R$ 1,38 trilhão em pagamentos de juros aos banqueiros. Se taxasse em 2% o patrimônio de quem tem acima de R$ 22,8 milhões de patrimônio (menos de 1% da população do país), o Brasil teria R$ 160 bilhões a mais por ano. (Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida)

O auxílio emergencial, recentemente votado no Congresso Nacional, que dará quatro parcelas de R$ 250,00 para mais de 45 milhões de brasileiros, custará aos cofres públicos R$ 34,2 bilhões. (https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2021/02/23/novo-auxilio-emergencial-com-custo-de-r-342-bilhoes-veja-valor-e-parcelas-de-cenario-mais-provavel-segundo-o-senado-204597#:~:text=Os%20gastos%20para%20mitigar%20os,impacto%20nas%20contas%20do%20governo.)

No que diz respeito às vacinas, também podemos ver que, se houvesse um pouco de vontade política para defender os interesses da população, taxando os multimilionários, o nosso cenário seria outro. Para garantir 440 milhões de doses de coronavac (duas doses por brasileiro), por exemplo, o país deveria desembolsar R$ 24,2 bilhões. (https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2021/01/18/interna_nacional,1230173/preco-da-coronavac-e-inferior-ao-pago-em-outros-paises-por-imunizantes.shtml)

 

As centrais sindicais majoritárias devem romper a paralisia!

 

Não há outra saída a não ser organizar a luta da classe trabalhadora e do conjunto do povo pobre para enfrentar essa situação. A burguesia, seus governadores e o genocida do Palácio do Planalto levaram o país ao caos completo. A saída está por enfrentá-los com nossas mobilizações por lockdown efetivo, com auxílio emergencial e licença remunerada, vacinação geral já, um plano de recuperação de empregos, reposição das perdas salariais, contra os cortes de direitos e contra o atraso de salários, pelo não retorno às aulas presenciais sem vacinação e contra a privatização das estatais.

Neste momento, os petroleiros da Bahia seguem em greve contra o processo de privatização e por melhores condições de trabalho. Outros estados podem aderir ao movimento grevista nos próximos dias.

No Paraguai, já há alguns dias, uma rebelião popular tomou conta do país contra a má gestão do governo de Mario Benítez e do Congresso paraguaio.

No Brasil, precisamos trilhar o mesmo caminho. Para isso, é necessário que as maiores centrais sindicais rompam sua paralisia. Em meio à mais grave crise em muitas décadas não é aceitável que as centrais sindicais sigam se negando a organizar greves, paralisações e protestos pelo país. A partir da CSP-Conlutas temos batalhado para que a CUT, CTB, Força Sindical e UGT convoquem um dia nacional de protestos, unificando forças para enfrentarmos de conjunto a política de genocídio e fome que está em curso.

 

Não podemos esperar as eleições de 2022!

 

A anulação do julgamento de Lula pelo Ministro do STF, Edson Fachin, gerou uma enorme expectativa em grandes setores da classe trabalhadora e da população pobre. Lula, em seu discurso pronunciado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no dia 10 de março, foi categórico ao chamado de conciliação nacional, se mostrando aberto a “conversar com os empresários”, dizendo que o mercado não deve temê-lo.

Lula, infelizmente, jogou todas as esperanças de milhões de pessoas para as eleições de 2022. Porém, o caos está em curso. Bolsonaro na presidência e um Congresso Nacional dominado por bandidos se utilizam do momento da pandemia para retirar direitos históricos do povo brasileiro. Não podemos esperar até 2022, a luta tem que ser agora! O genocídio, a fome, o desemprego, o arrocho salarial e os ataques aos direitos trabalhistas estão todos acontecendo agora. Não podemos aceitar passivamente mais dois anos de Bolsonaro sem organizar um duro enfrentamento. Lula deve utilizar seu prestígio político para convocar o povo a lutar pelos seus direitos e não a esperar ainda mais quase dois anos de Bolsonaro para, somente então, derrotar a política da extrema direita.

 

A PEC da chantagem deve ser revogada! Que os ricos paguem a conta do Auxílio Emergencial!

 

Na primeira quinzena de março, foi aprovada no Congresso Nacional a PEC 186/2019, com o apoio de Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes. Ela contém nada menos do que quinze anos de congelamento salarial dos servidores públicos e decreta o fim da valorização do salário mínimo. Os deputados favoráveis argumentam que “somente assim” foi possível garantir uma nova rodada do Auxílio Emergencial. Uma mentira completa, como demonstramos acima, nos dados sobre a dívida pública e a taxação das grandes fortunas. Quem deve pagar a conta são os capitalistas, que constroem suas fortunas saqueando o país e tirando o couro do trabalhador.

Defendemos a imediata revogação dessa PEC. Isso só pode ser garantido com a organização e a luta dos servidores, aliados ao conjunto da população que utiliza dos serviços públicos no seu dia a dia.

 

Venha se organizar com a CST

 

Estamos em diversas categorias dando uma forte batalha para organizar as lutas de resistência à política em curso no país. Estamos nos movimentos de mulheres e nas batalhas da juventude. Acreditamos que somente lutando no dia a dia a classe trabalhadora, a juventude e os setores populares do país podem dar uma resposta à crise pela qual passamos.

Se você concorda que a luta contra Bolsonaro deve ser organizada desde agora, venha se organizar conosco. Fazemos reuniões da CST, impulsionamos também a Corrente Sindical Combate e a juventude Vamos à Luta. Se informe com a companheira ou companheiro que lhe vendeu este jornal e participe!

 

(originalmente publicado no jornal combate socialista n 125)

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