O Fora Bolsonaro da UNE não pode ser da boca pra fora  

por Lucas Schlabendorff, DAQUIPALM UFSM e juventude Vamos à Luta

Durante os dias 14 e 18 de julho, ocorreu o Congresso Extraordinário da União Nacional dos Estudantes (UNE). Devido à pandemia, o Congresso ocorreu de forma virtual e manteve em sua direção a mesma proporcionalidade das forças políticas eleitas no 57º Congresso, realizado em 2019. O CONUNE Extraordinário aconteceu em um momento importantíssimo da conjuntura, onde temos a retomada das ruas pelo movimento de massas, após os vitoriosos atos dos dias 29M, 19J e 3J pelo Fora Bolsonaro. A juventude e o movimento estudantil têm sido parte fundamental dos protestos e isso se refletiu nos debates que ocorreram durante o Congresso. Não havia como debater a realidade dos estudantes brasileiros sem mencionar a gravidade dos ataques que as universidades públicas vêm sofrendo durante o governo Bolsonaro, com os cortes dos orçamentos, a evasão de muitos estudantes pela falta de assistência estudantil e pela precariedade do ensino remoto, o autoritarismo bolsonarista, com perseguições ideológicas e intervenções nas reitorias, além do conjunto dos ataques à classe trabalhadora e o genocídio bolsonarista que já levou a vida de mais de 540 mil pessoas no país.

Infelizmente, a forma como se deram os debates deixou muito a desejar, prejudicando a possibilidade de utilizar os espaços do Congresso para mobilizar o movimento estudantil na luta contra Bolsonaro. Os espaços abertos para a discussão política tinham pouca amplitude, com número limitado de falas e tempo de intervenção, e dependendo que as forças políticas “corressem” para conseguir inscrever-se antes das outras. O objetivo da direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB, coletivos do PT e Levante) foi apenas de renovar sua direção, ao mesmo tempo em que reforçaram a sua defesa da política de frente ampla com setores burgueses para governar. Na mesa de abertura do Congresso, por exemplo, transmitida pelo YouTube, estiveram presentes parlamentares de direita, como Marcelo Castro (MDB), que votou a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro. Além disso, a direção majoritária da UNE, lamentavelmente, referendou sua defesa ao Ensino Remoto, afirmando que nenhum estudante ficou para atrás em meio à pandemia e “esquecendo” dos tantos colegas que abandonaram as universidades por não ter condições de estudar pela internet.

Nós, da juventude Vamos à Luta, inscrevemos uma tese para o CONUNE chamada “Juventude nas ruas para derrubar Bolsonaro e lutar pelo direito ao futuro” (leia em vamosaluta.com.br/). Defendemos que o principal eixo do Congresso deveria ser preparar os estudantes para seguirmos nas ruas até derrotar Bolsonaro, construindo, com assembleias e plenárias nas bases das universidades, os protestos do dia 24 de julho, pois consideramos que não podemos esperar até as próximas eleições para derrubar o genocida corrupto. Foi com essa política que intervimos nos espaços do Congresso onde tivemos a possibilidade de falar, denunciando as intervenções de Bolsonaro na UFRA e na UFSM, denunciando a evasão de nossos colegas causada pelo Ensino Remoto e afirmando que, para combater a destruição de nossas universidades públicas, necessitamos derrubar Bolsonaro imediatamente e lutar por um programa econômico alternativo, que parta do não pagamento da dívida pública e da taxação das grandes fortunas, fazendo os capitalistas pagarem a conta da crise e, assim, garantir verbas para as universidades públicas. Defendemos que o dia 11 de agosto, dia dos estudantes, seja a nova data nacional para a continuidade dos protestos do dia 24 de julho. Também defendemos e conseguimos aprovar moções pela quebra de patentes das vacinas, em defesa da democracia universitária na UFRA e na UFSM e em solidariedade ao companheiro Milton Temer, fundador do PSOL, perseguido judicialmente por defender o povo palestino.

A carta final aprovada pelo CONUNE, chamada Carta Brasil, aponta a necessidade de construir os protestos de 24 de julho e de 11 de agosto como nova data. É preciso que esse calendário de lutas seja concretizado, com a realização de reuniões, plenárias e assembleias nas bases das universidades, junto com TAEs e docentes, para mobilizar efetivamente para os protestos. O Fora Bolsonaro da UNE não pode ser apenas uma palavra vazia. Além disso, é preciso que a UNE faça o chamado para a campanha Fora Bolsonaro, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e centrais sindicais como CUT e CTB pela continuidade dos protestos no dia 11 de agosto, um dia de semana que pode ser utilizado para mobilizar a classe trabalhadora em seus locais de trabalho, com paralisações, atrasos de turno e greves, visando debilitar as bases econômicas dos burgueses que apoiam Bolsonaro.

Chamamos as lutadoras e lutadores da juventude e do movimento estudantil, que estão de acordo com a necessidade de batalhar pela continuidade dos protestos para derrubar Bolsonaro e lutar pelo direito ao futuro, que conheçam o Vamos à Luta, uma juventude revolucionária que acredita que somente a luta unificada ao lado da classe trabalhadora pode mudar essa dramática realidade que estamos vivendo.

Isadora Bueno: diretora da UNE a serviço das lutas e do Fora Bolsonaro

 Nós, da juventude Vamos à Luta, havíamos eleito uma cadeira na diretoria da UNE no 57º CONUNE, realizado em 2019, que estava ocupada pelo companheiro Eduardo Protázio. Como a proporção das forças se manteve, continuamos com uma cadeira, que, nesta nova gestão que se inicia, será ocupada pela companheira Isadora Bueno. Isadora é estudante de história da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), militante da juventude Vamos à Luta e da CST. É conhecida por estar sempre nas lutas do movimento estudantil e ao lado da classe trabalhadora, apoiando greves e estando na linha de frente dos protestos.

Na nova gestão da UNE, Isadora colocará a sua cadeira de diretora a serviço das lutas contra os cortes e as intervenções e pela unidade dos estudantes com a classe trabalhadora para derrubar o governo genocida e corrupto de Bolsonaro. Nossa cadeira também estará a serviço da unidade da Oposição de Esquerda da UNE, para fazer um contraponto à política equivocada da direção majoritária burocrática da entidade e construir um polo combativo que batalhe pela continuidade das mobilizações, assim como temos feito a partir da iniciativa Povo na Rua.

Venha se organizar no Vamos à Luta!

 A juventude vem cumprindo um papel fundamental no enfrentamento ao governo genocida de Bolsonaro. Estamos nas ruas enfrentando os ataques, como fizemos no Tsunami da Educação, em 2019, e agora não está sendo diferente nos atos contra os cortes nas universidades, por vacina e pelo Fora Bolsonaro. Estamos lado a lado dos/as trabalhadores/as que lutam contra as privatizações dos Correios e da Eletrobras. Somos parte da juventude que vai às ruas no mundo inteiro contra os governos, como fez a juventude no Chile, onde enviamos um companheiro para prestar solidariedade e participar dos atos gigantescos.

Nós, do coletivo Vamos à Luta, acreditamos que é possível derrotar Bolsonaro e suas políticas através das mobilizações. Não saímos das ruas desde o dia 29 de maio porque acreditamos que, se lutarmos, o Bolsonaro cai. Seguiremos nas ruas nos dias 24 de julho e no dia 11 de agosto, demonstrando a disposição de luta da juventude e da classe trabalhadora.

O momento político no país nos exige muita organização para enfrentar os ataques dos governos, como os cortes na educação, intervenções nas reitorias e o desemprego crescente. Por isso, convidamos você a se somar nas fileiras da juventude Vamos à Luta. Somos estudantes de diversas partes do Brasil indignados/as com a situação política atual. Precisamos construir uma alternativa de esquerda para a juventude, que esteja conectada às nossas demandas. Essa alternativa precisa ser construída agora, não podemos esperar até 2022. Acreditamos que só a nossa luta muda nossas vidas.

Quer conhecer mais do coletivo Vamos à Luta? Visite nossas redes sociais @juventudevamosaluta ou entre em contato com um/a dos/as nossos/as militantes. E aí, Vamos à Luta?

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